Empiricus

Costumava usar o TodoList até para anotar minhas leituras. Já faz um ano isso. De forma que, agora, vou repassar tudo para aqui, pois, em alguns casos, conhecimento espalhado vira desinformação.

Empiricus

Quando a casa de Independent Research começou eles ofereciam um ou dois meses de análises gratuitas. Li todos que me enviaram (reli alguns) e notei algumas coisas:

Saites de referência

Eles usam os clássicos Wall Street Journal, New York Times e USA Today. No entanto, também se aventuram pela vanguarda do EDGE, e a HP de Nassin N. Taleb, o mestre dos Cisnes Negros. Para a terra brazuca, os igualmente tradicionais, booring, Estadão, JB, Jornal do Comércio e Valor Econômico. Ah, sim, eles leem (ou citam) The Economist, apesar das últimas duras críticas ao seu conteúdo nada inovador.

(Tenho que acrescentar aqui os ótimos Carta Capital e Brasil Econômico, cujos textos pensantes estou me acostumando a explorar.)

Voltando para os alternativos, os saites Seeking AlphaAljazeera English estão me cativando aos poucos, pelo pensamento mais de lado, e não tanto jornalístico ou pseudo-exato. De qualquer forma, já fazem parte do cinto de utilidades do pessoal da Empiricus há algum tempo, sendo que só foi comentado depois que o podcast deles, ex-Radio Cash, passou a ser igualmente independente.

Textos Selecionados

Câmbio para conter inflação: Monetary Policy Rules for an Open Economy, de Ball & Svensson

Sobre inteligência e auto-crítica: Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assesments, de Justing Kruger e David Dunning. (O que gera o Efeito Dunning-Kruger: Gene da auto-crítica é o mesmo da inteligência.)

Para a Teoria dos Jogos, esqueça por um momento Nash e dê asas à imaginação com Dostoiévski.

Análise Técnica? Não acreditam muito, mas como o mercado comanda, recomendam Technical Analysis of the Financial Markets, de John Murphy.

Pensadores

É bem óbvio que Sextus Empiricus não é um deles, pois é apenas um precursor da Antiguidade, servindo apenas como símbolo da forma como as coisas são feitas pelos seus analistas. O ícone-maior de Sextus hoje em dia é, com certeza, Nassim N. Taleb, e muitos dos pensamentos Empiricusistas provêm desse pensador-master.

Por sua vez, Taleb referencia e reverencia (com razão) Benoît Mandelbrot e seus fractais: The (Mis)behavior of the Markets é uma sugestão.

George Soros é citado por eles como “o mais popperiano dos investidores”. Sua teoria principal é a “Path dependence of beliefs”, que tem duas opiniões/guidelines: Muda de opinião sempre que achar necessário e Decisão otimizadora por minuto.

Voltando para Taleb, sua influência pode ser sentida na citação ”Noções básicas de aleatoriedade são fundamentais para o sucesso nos investimentos.” e “Ausência de absurdo não implica necessariamente em presença de verdade” (que pede para não confundir Ausência de Evidência como Evidência de Ausência).

A citação de James Harris Simons também é presente: ”Finanças não é física. Não há leis fundamentais, escritas em pedra. Não há leis imutáveis nos mercados. A verdade financeira muda a todo minuto, e então alguém teria que rever sua teoria semanalmente. Em finanças não há sequer um eterno teorema que possa guiar pessoas através das eras.” Simons comanda a Renaissance, que só contrata cientistas. Por quê?

“Cientistas não têm background em finanças. Eles entendem de ciência e preservam o espírito científico. Como cientistas, eles têm treino para duvidar, verificar, checar novamente. Aqui há respeito à natureza, e à natureza do mercado. Eles têm facilidade para dizer “eu não sei”, e assim o fazem com um certo orgulho.”

Pensamentos

Fora os dos próprios pensadores que referenciam, há algumas ideias recorrentes que fazem parte do Universo E:

Telefonia: ”Ebitda, para as celulares, pode não dizer lá muito coisa.” Investimentos em infra e update são recorrentes, o que, portanto, comprime free cash flow to equity.

Aviação: Não investir. O custo de atualização e a concorrência com barreira de entrada fraca faz com que seja um risco maior do que a recompensa. Buffet também pensa assim.

Vantagem de um analista sobre os demais: Reconhecimento sobre o que não sabe e o quão frágeis são os métodos disponíveis para avaliação de empresas.

Possibilidade de trades de curto prazo rentáveis e de baixo risco. Existem e são frequentes. CONTUDO, estão associados a 1) Insight sobre liquidez e/ou fluxo de capital e/ou 2) Interpretação diferente e acertada da suposta pelo mercado sobre fato relevante vindouro.

Ausência de absurdo não implica necessariamente em presença de verdade. Economistas inverteram o processo: Se a realidade não bate com a teoria, alteremos a realidade!

 

 

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