Universidade Monstros

June 28, 2013 in Cinema

Monsters University. EUA, 2013. Director: Dan Scanlon. Writers: Dan Scanlon, Daniel Gerson, Robert L. Baird. Stars: Billy Crystal, John Goodman, Steve Buscemi.

Universidade Monstros

Expansão do universo empolga mesmo com pouca energia.

Usando o bê-a-bá que aprendemos em Monstros S.A., o diretor Dan Scanlon — auxiliado pelos quatro grandes da Pixar na produção e os dois roteiristas originais — reutiliza tudo que já foi visto no longa anterior e acrescenta detalhes que compõem o estilo de vida daqueles seres em uma evolução natural que usa a faculdade como um outro ponto de partida. O resultado é um filme que carece de um início que avise o espectador que este não é apenas uma continuação, mas um agradável e saudoso estudo de personagens. Na outra ponta, carece também de uma conclusão climática que o separe do trabalho original, ou revela um sintoma importante de todo o projeto: não há muito mais o que explorar no mundo dos monstros.

Tanto é assim que as novas criaturas que vemos não apresentam o mesmo lampejo de criatividade, e a câmera passa rapidamente por eles como que tentando ignorar a crise de inspiração. Da mesma forma se comporta a faculdade inteira e o seu próprio roteiro, que são ótimos, mas mais se baseiam do que homenageiam a saga Harry Potter (com sua escola-castelo sombria), A Vingança dos Nerds e até mesmo Carrie, a Estranha (minha referência favorita).

Mesmo com tantas limitações inexistentes nas criações originais da Pixar, justiça seja feita: a história se sustenta até o fim. O que não se sustenta é a paciência das crianças, que precisam aguardar poucos momentos de humor físico ou mesmo aqueles momentos tocantes que exploram de maneira magnífica a essência humana. Aqui a Pixar parece querer atingir a puberdade, mas com isso se esquece dos pequeninos.

Uma pena, pois essa dualidade era marca registrada dos estúdios de John Lasseter.

Up!

March 30, 2013 in Home Video

Up. EUA, 2009. Directors: Pete Docter, Bob Peterson. Writers: Pete Docter (story), Bob Peterson (story). Stars: Edward Asner, Jordan Nagai, John Ratzenberger.

UP

Pixar emociona tanto pela sua história quanto pela sua arte.

Uma produção da Pixar possui, como todo o filme, o(s) nome(s) do diretor. Contudo, a dedicação dos seus produtores e toda a equipe é tamanha que transparece o amor pelo Cinema em cada canto da tela e em cada detalhe técnico de suas produções.

É o que podemos conferir em Up!, que pega uma história até que simples — um velho viúvo deseja realizar o grande sonho de sua falecida esposa — e consegue não apenas torná-la acessivel às crianças, mas faz um apelo à criança que ainda vive dentro de nós esquecida pela agruras da vida.

Para isso a direção de arte não poupa esforços em apresentar cada elemento da vida de Carl Fredricksen remetendo à sua infância e sua vida feliz com sua amada Ellie. Não apenas isso, a própria ideia da viagem maluca de Carl já está anunciada desde o início da produção, em detalhes cada vez mais frequentes, como seu balão que simula o dirigível do seu herói, um explorador desenganado, como sua profissão de vendedor de balões. Dispensável dizer algo sobre a própria Ellie, que parece ser o grande símbolo que todos nós almejamos: a vida perfeita ao lado de alguém.

PS: como é de praxe, preciso comentar dos primeiros 15 minutos dessa produção, que de tão sucinto e dotado das maiores qualidades narrativas do audio-visual, possui, assim como Wall-E, o seu lugar no Panteão dos grandes curtas lançados dentro de um longa. Além de emocionar o mais duro dos humanos que já viveu o suficiente para entender a grande mensagem do filme: a vida é uma aventura.

Monstros S/A

February 19, 2012 in Home Video

Monsters, Inc. EUA, 2001. Direção: Pete Docter (co-diretores David Silverman e Lee Unkrich. Roteiro: Pete Docter, Jill Culton, Jeff Pidgeon, Ralph Eggleston.

Os princípios da Pixar fizeram um filme que anda envelhecendo bem.

Interessante notar como a Pixar em seus primeiros filmes costumava inserir brincadeiras que, de certa forma, acusavam o espírito jovem e experimentador daqueles tempos. Mais impressionante, porém, é perceber como esse deve ter sido a semente para o amadurecimento da técnica antes de filmarem jovens clássicos como Os Incríveis, Wall-E, Ratatouille e Up!.

Em Monstros S/A, é preciso lembrar, ainda estamos engatinhando nas animações computadorizadas para o cinema. Mas a passos largos. A grande novidade na época era a perfeição do efeito dos pelos de Sulley, um dos monstros da história que possui a função de assustar as crianças e assim poder coletar seus “gritos” em uma forma de energia que é usada no mundo dos monstros. Apesar de datado, a premissa do filme consegue ser uma das mais originais de todas as obras da Pixar, e seu personagem humano, uma garotinha apelidada de Boo que acaba entrando sem querer no mundo dos monstros, continua adorável, além de particpar das cenas mais emocionantes do longa.

Outro detalhe admirável é entender que entre os princípios de criação do estúdio estava o uso de temas e situações que nunca ficam datadas, servindo para que seus filmes envelheçam bem. No caso de Monstros S/A, isso continua funcionando bem, apesar de algumas referências já mais passadas e da perigosa dublagem brasileira que utiliza maneirismos na língua que logo estarão ultrapassadas.

Toy Story

January 8, 2012 in Home Video

Achei melhor do que as vezes anteriores que tinha assistido. A direção se esforça ao enfocar a ação e o uso de ângulos criativos que inibem a ainda falta de tecnologia que torna as texturas simplórias, apesar de bem trabalhadas. A dublagem nacional mais uma vez empolga, com menção honrosa ao Sr. Cabeça de Batata.

Carros 2

July 20, 2011 in Cinema

Cars 2. EUA, 2011. Direção: John Lasseter e Brad Lewis. Roteiro: Ben Queen e John Lasseter (história). Elenco: Larry the Cable Guy (Mater), Owen Wilson (Lightning McQueen), Michael Caine (Finn McMissile), Emily Mortimer (Holley Shiftwell). No Brasil: Mário Jorge (Mate), Marcelo Garcia (Relâmpago McQueen).

O ponto mais forte no longa original eram as ideias por trás do conceito de carros se comportando como humanos. E até os pequenos detalhes de produção, como o fato dos mosquitos voando serem pequenos carrinhos com asas, contribuíam para tornar aquele universo todo especial.

Dessa vez o que temos é uma história centrada no personagem Mate, o caminhão-reboque que virou melhor amigo do Relâmpago McQueen e que agora se sente deslocado em relação ao amigo e os ambientes requitados que ele frequenta em suas corridas pelo mundo.

Sim, é uma história batida. E, pior, cheia de clichês. E clichês que não funcionam como deveriam. O que resta são as piadas do Mate, sempre recheadas com a divertida dublagem de Mário Jorge, que aqui arrisca algumas expressões regionais e contemporâneas que podem prejudicar o filme a longo prazo, mas que nos cinemas de hoje funcionam muito bem.

O fato é que apenas com a dublagem de Mate o filme é divertido do começo ao fim, mas como filme, não chega nem a desafiar os roteiros menos brilhantes que a Pixar já teve ao longo desses 25 anos.