Oz: Mágico e Poderoso

March 13, 2013 in Cinema

Oz the Great and Powerful. EUA, 2013. Director: Sam Raimi. Writers: Mitchell Kapner (screenplay), David Lindsay-Abaire (screenplay). Stars: James Franco, Michelle Williams, Rachel Weisz, Mila Kunis, Tony Cox.

Oz, Mágico e Poderoso

Iniciando timidamente, Oz resgata parte da inocência do longa original.

A visão em preto e branco em uma tela quadrada de Kansas nos revela um lugar com pouco lugar para imaginação. Isso não impede que Oscar (James Franco), um mágico em um circo itinerante, apresente seus espetáculos como shows inesquecíveis para o público. Isso gera uma crença descomunal do povo, que acha que o homem é capaz de realizar milagres. Por não pertencer a esse mundo, sua fuga o leva literalmente a outro: um fabuloso, colorido e dentro de uma ampla tela. É assim que o diretor Sam Raimi (trilogia Homem Aranha) quer que vejamos Oz, uma terra verdadeiramente mágica.

O espetáculo visual que é Oz não impede que sejam feitas referências no modo de construir o encantamento visual. Embora não precisasse, os cenários ao horizonte revelam o artifício de Matte Painting — pinturas no fundo do estúdio — usado no filme original. De certa forma, os recursos digitais mais aproximam-se do burlesco e de Mary Poppins.

James Franco não é um grande ator, mas sua simpatia combina com o personagem de Oz, que é um ser inventivo e carismático. O mesmo não se pode dizer das mulheres que o rodeiam, que fazem um esforço descomunal para parecerem inocentes (ou não). Mesmo Michelle Williams, inspiradora na primeira parte da história, é forçada pelo roteiro a se tornar uma mera coadjuvante feminina no melhor estilo Disney.

Mesmo que a história já seja conhecida, ou para aqueles que não se lembram, a reinvenção de Oz encanta conforme somos apresentados aos seus elementos narrativos. Reaprendemos a enxergar aquele mundo com mais doçura e inocência do que o início no circo. Essa evolução é importantíssima para o terceiro ato, quando vamos conhecendo os detalhes ainda secretos da história.

Embora parta de um roteiro confuso que parece se esquecer que não estamos mais na década de 40 e o que parece imprevisível muitas vezes se revela banal, é admirável o que os trailers conseguiram, mantendo a discrição de uma história simples e que não poderia terminar diferente.

Assim como Arthur C. Clarke imaginava a evolução da sociedade, que, apresentada a um povo suficientemente primitivo, se torna indistinguível de mágica. Aqui ironicamente um povo onde a mágica é comum não conseguiria distingui-la de tecnologia. Nesse sentido, a mensagem de “Oz” não poderia ser mais eficiente.

Viagem ao Mundo dos Sonhos

June 2, 2012 in Home Video

Explorers. EUA, 1985. Direção: Joe Dante. Roteiro: Eric Luke. Elenco: Ethan Hawke, River Phoenix e Bobby Fite.

Passa na regra dos 15 anos.

Da safra dos anos 80 onde havia aos montes aventuras de garotos vivendo em cidades como em ET/Goonies e que vivem uma aventura, Viagem ao Mundo dos Sonhos mistura com sucesso conceitos geralmente distintos: sonhos e tecnologia. A história se inicia quando Ben (Ethan Hawke), um garoto comum que começa a ter estranhos sonhos de uma viagem em torno de figuras geométricas que se assemelham a circuitos de computador. Tendo como amigo Wolfgang (River Phoenix), um cientista-mirim que usa o computador do pai, ambos começam a desenvolver uma teoria que os sonhos recorrentes de Ben podem ser um tipo de comunicação de vida inteligente. O terceiro elemento do grupo, Steve (Bobby Fite), ajuda Ben durante uma briga de escola e acaba por se juntar aos dois por não ter muita harmonia para ficar em casa com seu pai, vítima da conhecida crise que acometeu o país na época.

Uma estrutura ágil disfarça a aparente desconexão com a realidade quando o computador de Wolffang descobre que ele consegue criar uma esfera perfeita de energia em qualquer ponto tridimensional que quiser e movê-la a velocidades absurdas. Como em um filme que brinca com sonhos e tecnologia tudo parece possível. Consequência, nao questionamos muito o que acontece na tela, mas escolhemos vivenciar o mesmo que os garotos estão vivenciando, e experimentando a mesma sensação de estar descobrindo um mundo novo.

Nesse clima de tudo é possível nasce uma bela metáfora sobre a infância, os humanos e nossa existência. Estamos no meio de uma crise econômica, o que explica de certa forma a figura recorrente do pai desempregado — obviamente, nunca com uma profissão de destaque — e a narrativa fantasiosa. Os efeitos engasgam nas limitações da época, mas assim como Tron, a crença pesa mais, ainda que tenha que abrir ressalvas e compreender o momento.

O Buraco (1998)

April 12, 2012 in Home Video

Dong. Taiwan/França, 1998. Direção: Ming-liang Tsai. Roteiro: Ming-liang Tsai, Pi-ying Yang. Elenco: Lin Kun-huei, Kang-sheng Lee e Hui-Chin Lin.

O terror está no folclore urbano.

O Buraco é muito mais sobre nossa posição como seres humanos e como nos relacionamos com ambientes e situações que quase sempre nos diz mais do que ela mesma. Após a descoberta de uma epidemia de um vírus que levava à loucura e à morte em uma região de Taiwan o governo ordena a retirada das pessoas e deixa o local em estado de quarentena. No entanto, vários moradores fazem questão ainda de sobreviver no bairro onde antes viviam normalmente, só que com o passar do tempo o estado mental e seu ânimo estavam muito diferentes do usual. O aparecimento de um vazamento no chão de um apartamento onde mora um rapaz, e consequentemente no teto do apartamento de baixo, onde vive uma moça em torno de goteiras e vazamentos que representam não só o estado de calamidade do local como seu próprio estado de espírito.

Nesse ambiente ostensivo e isolado, a chuva nunca passa, e as goteiras apenas aumentam a desilusão de que um dia tudo volte ao normal. A única esperança da moça que vive agora com um buraco no teto é enfeitar sua realidade em torno de números musicais que imagina estar participando, e se não fosse isso o filme seria um mistério ainda maior. Aos poucos somos informados dos detalhes da doença que atingiu a população. Mas o diretor Ming-liang Tsai está menos preocupado com isso do que com o psique dos seus personagens, que não tem nome, e que por isso representam os sobreviventes desse mundo.

A direção de arte é opressiva. A fotografia parece ampliar a imundice de um clima eternamente úmido. Não é preciso criar um mundo inóspito e desconhecido para entendermos a angústia que aquelas pessoas vivem dia a dia. Talvez o próprio fato de estarmos em terreno conhecido torne tudo mais cruel por seu realismo. Não são os efeitos visuais que convencem sobre o fardo dessa vida, mas a imaginação. E essa não tem limites.

Psicopata Americano

February 25, 2012 in Home Video

American Psycho. EUA, 2000. Direção e Roteiro: Mary Harron. Elenco: Christian Bale, Justin Theroux, Josh Lucas.

Christian Bale matou um monte de gente. E isso é ótimo!

Existem vários exemplos de serial killers organizados na literatura e no cinema/tv, como Kevin Costner em Mr. Brooks (Instinto Secreto) e o mais famoso Michael C. Hall como Dexter Morgan. Porém, pouco se vê dos assassinos que são facilmente pegos exatamente porque não possuem disciplina e ordem: matam as pessoas de qualquer forma. Não possuem método: possuem impulso.

Christian Bale é esse exemplo nesse Psicopata Americano, que deixa muitas questões, mas não deixa dúvidas de que não existe nenhum tipo de lógica na cabeça do indivíduo, ou pelo menos essa lógica não se mantém intacta por muito tempo. Tendo impulsos assassinos constantes, a convivência com as pessoas torna-se um desafio. Tendo cada vez mais seus impulsos narcisistas desafiados (como o filme demonstra muito bem em uma cena envolvendo cartões de visita), o momento da explosão é sublime, surreal, magnífico.

Nanny McPhee – A Babá Encantada

February 13, 2012 in Home Video

Nanny McPhee. EUA, 2005. Direção: Kirk Jones. Roteiro: Emma Thompson, Christianna Brand. Elenco: Emma Thompson, Colin Firth, Angela Lansbury.

Uma Matilda versão babá-bruxa.

Uma produção com um toque britânico (e atores) que consegue entreter mais pela curiosidade das próximas ações da babá mágica para controlar os sete diabinhos do desafortunado viúvo — que ainda depende de uma tia impiedosa para a sobrevivência da família — do que pela história em si, que é bobinha e previsível. O filme ainda emociona por situações naturalmente emotivas (como a decisão de escolher uma filha para entregar à tia), mas por algum motivo “mágico”, consegue caminhar até sua conclusão pelo menos ileso de apelações maiores. Talvez uma última da babá pós-créditos?

Babe, o Porquinho Atrapalhado

January 29, 2012 in Home Video

Babe. EUA, 1995. Direção: Chris Noonan. Roteiro: Dick King-Smith (romance), George Miller (roteiro). Elenco: James Cromwell e Magda Szubanski.

Uma Revolução dos Bichos mais leve e acessível.

Babe tem ares de ser um filme bonitinho e família. Afinal de contas, por quase todo o tempo vemos animais falantes interagindo e contando a história do porquinho e suas “trapalhadas”. Porém, escondido nessa fábula moderna, e como toda fábula que se preza, o pano de fundo nos remete a discussões muito mais profundas e adultas, como o preconceito e a aceitação do diferente, além de também remeter ao Revolução dos Bichos, de George Orwell, por estabelecer também uma sociedade de animais com funções pré-definidas de acordo com sua espécie e uma certa pressão para a imobilidade social.

Além disso, também temos a primososa direção de arte, que abraça junto da fotografia o lado fantástico da narrativa e constróia uma fazenda adorável, cheio de cores e formas fascinantes, que se tornam mais fascinantes ainda com a visão dos próprios animais que nela vivem, com uma mudança de câmera constante (até porque cada um dos bichinhos tem tamanhos e pontos de vista diferentes). É quase possível sentir o cheiro de mato e admirar as paisagens do amanhecer como se estivéssemos lá.

Ao mesmo tempo, a trilha sonora, competente até nos momentos mais exagerados (mais uma vez, estamos falando de uma fábula), não torna a música-tema repetitiva, mas a encaixa nos momentos-chave, e não há momento de maior significado e profundidade do que quando um certo personagem precisa alegrar o confuso porquinho.

Com uma das sequências mais memoráveis, terminando em um plano-detalhe das mãos de um homem fechando uma cerca, Babe ficará para sempre nas mentes dos que entenderam que a história não é apenas sobre um porquinho bonitinho que fala com os outros animais, mas sobre a nossa própria visão de mundo, e das pessoas que muitas vezes de origem humilde nunca damos o necessário valor ou consideração.

A Liga Extraordinária

January 1, 2012 in Home Video

The League of Extraordinary Gentleman. EUA, 2003. Direção: Stephen Norrington. Roteiro: Alan Moore (quadrinhos), Kevin O’Neill (quadrinhos), James Robinson (roteiro). Elenco: Sean Connery (Allan Quatermain), Naseeruddin Shah (Captain Nemo), Peta Wilson (Mina Harker), Tony Curran (Rodney Skinner (The Invisible Man)), Stuart Townsend (Dorian Gray), Shane West (Tom Sawyer), Jason Flemyng (Dr. Henry Jekyll / Edward Hyde), Richard Roxburgh (M), Max Ryan (Dante).

Sean Connery merecia um último filme melhor.

O filme pretende contar a história de pessoas que, dotadas de alguma capacidade especial para sobreviver, são reunidos pelo Império Britânico para tentar evitar que seja instaurada uma possível guerra mundial, tentativas de um ganancioso sujeito que usa uma máscara e simula ataque entre nações. Isso na virada para o século XX em uma Era Vitoriana alternativa.

Concebido a partir dos quadrinhos de Alan Moore e Kevin O’Neill, logo no princípio já fica claro que a ideia funciona muito bem em seu universo original, mas que, a despeito do sucesso da adaptação de Watchmen, também de Moore, para as telonas, a direção de Stephen Norrington (criador dos efeitos especiais de dois filmes da série Alien) e o roteiro de James Robinson consegue tornar a história muito confusa para darmos atenção para a suposta trama que se forma com a reunião dos “cavalheiros extraordinários”.

Como fator ainda negativo, os efeitos de encher os olhos quase nunca conseguem ser contemplados pela edição caótica de um verdadeiro discípulo de Michael Bay (Transformers), com planos nunca fáceis de seguir, ou lutas que nos são entregues apenas em fragmentos (de segundos). Porém, talvez esse seja um lado positivo, pois o universo não muito convincente de cidades históricas como Veneza e Londres, que passam por um filtro plástico insosso e sem personalidade, poderiam ficar ainda pior caso as sequências tivessem um pouco mais de ritmo e lógica visual.

O Retorno de Jedi

December 31, 2011 in Home Video

Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi. EUA, 1983. Direção: Richard Marquand. Roteiro: Lawrence Kasdan, George Lucas. Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princess Leia), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), Anthony Daniels (C-3PO), David Prowse (Darth Vader), Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2), Frank Oz (Yoda (voice)), Alec Guinness (Ben ‘Obi-wan’ Kenobi).

Conclusão da maior história espacial já contada aumenta abordagem intimista.

Hora de assistir novamente a conclusão da saga de George Lucas, dessa vez após ter visto a nova trilogia e o significado que ela insere na antiga (em especial “A Vingança dos Sith”). Uma direção de arte cada vez mais impecável, que consegue equilibrar o tema espacial com a fantasia por trás da história. Quando C3PO narra a aventura épica dos personagens em torno da fogueira é o momento mais icônico e que melhor representa o conceito por trás das lendas filmadas de Star Wars. Parece não haver mais o que acrescentar a este universo, embora a direção aqui se mostre mais pausada, madura e consciente de seu final mais trágido que de costume.

Apesar de nossos heróis, é inegável que tudo converge para Darth Vader, e é ele quem rouba a cena, mesmo quando não está presente. É uma figura ameaçadora que foi crescendo a cada filme, onde agora tudo passa a girar em torno dele; até o Imperador, seu mestre, apenas existe para guiar seu pupilo por meio das trevas do Lado Negro da Força e impedir que Luke se torne um Jedi. O sentido da “Guerra nas Estrelas” e suas batalhas converge para a luta entre o bem e o mal, ainda em uma época em que esses conceitos eram muito bem definidos e onde o bem ainda não era relativo, como gostaria que fosse o Imperador Palpatine. Nesse sentido, a inversão temporal das trilogias ganha mais do que perde. Assisti-las em qualquer ordem lhe dará uma visão diferente dos fatos.

O Império Contra-Ataca

December 31, 2011 in Home Video

Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back. EUA, 1980. Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett, Lawrence Kasdan, George Lucas (história). Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princess Leia), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), Anthony Daniels (C-3PO), David Prowse (Darth Vader), Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2), Frank Oz (Yoda (voice)), Alec Guinness (Ben ‘Obi-wan’ Kenobi).

A Força começa a tomar contornos religiosos.

O filme inicial, auto-contido, sobre o conto de fadas nunca antes contado, ganha uma nova dobra, e tenta ao mesmo tempo contar uma nova história no mesmo molde e estender esse universo com explicações sobre os Jedis, a Força e ainda um pouco de mistério a respeito das origens do Império e, principalmente, do seu ícone maior: Darth Vader.

Sinceramente, mesmo sabendo da revelação maior do filme (que, apesar de mais de 30 anos de idade, não vou revelar aqui), consegui detectar diversas pistas que levavam apenas para um lugar. É óbvio que ninguém espera uma coisa dessas, mas hoje em dia seria facilmente batido. O lado maior da história fica por conta da divisão equilibrada entre a fuga de Capitão Solo e Princesa Leia e a jornada em rumo ao conhecimento do não-tão-jovem padawan Luke Skywalker. Praticamente tudo empolga no filme: direção de arte, música (ainda que muitas vezes repetitiva), efeitos visuais de encher os olhos (com maior destaque para o pequeno Yoda). Tudo isso ocorre não apenas em cenas específicas, mas quase todo o tempo, nos dando a exata sensação de que esse mundo existe em algum lugar, e estamos tendo o privilégio de visitá-lo no meio de uma batalha épica (muito diferente, aliás, dos três novos episódios recentes, que soam mais… episódicos que épicos).

Darth Vader está mais maldoso e presente do que no primeiro filme, provavelmente fruto de seu sucesso como vilão, e o Imperador Palpatine vira um mentor mais distante. Claro, isso é fruto de sua obsessão pelo jovem Skywalker, como bem diz o letreiro inicial e sua tolerância zero para os comandantes da nave principal, que vão caindo um a um.

Mais uma vez com uma precipitada conclusão, o filme passa a ideia de ser apenas um exemplo de um universo inteiro sendo criado aos poucos, com muitas coisas ainda pendentes, e outras um tanto contraditórias. Para muitos fãs, uma religião estava nascendo nesse momento.

Jovens Modernos

October 29, 2011 in Cinema

Des jeunes gens mödernes. França, 2011. Direção: Jérôme de Missolz. Roteiro: Jérôme de Missolz e Jean Francois Sanz. Elenco: Yves Adrien, Mathieu Chausseron, Lio, Edwige, Anne-Sophie Le Creurer.

Qual a visão de um crítico musical sobre a música contemporânea de vanguarda? Ou, uma pergunta ainda melhor, o que esse crítico pensa sobre os jovens dessa nova era, tão acomodados a ouvirem músicas de diversas correntes (muitas delas auto-proclamadas futuristas) e se limitarem a apertar o botão Like de seu Facebook?

Fonte: screenrush.co.uk

Essa questão não é respondida em Jovens Modernos, novo documentário de Jérôme de Missolz e que percorreu a meca de diversas correntes musicais das últimas décadas, tendo como seguidores supostos fãs do crítico (ou da música que este persegue).

Fonte: screenrush.co.uk

Iniciando com a morte de um famoso cantor que aparentemente teria um brilhante futuro, mas que decidiu se matar logo cedo, o filme acaba se transformando muito mais em uma mescla e uma viagem por diversos estilos de rock/punk/techno francês, suas influências norte-americanas e uma retrospectiva do que isso significava para sua época e, o mais interessante, qual a visão daqueles tempos nos jovens de hoje.

Fonte: screenrush.co.uk

A resposta é simples: o saudosismo de um tempo em que a criatividade estava a todo vapor e onde os jovens tinham pelo quê lutar (nem que fosse pela contracultura) gerava conteúdo de uma forma ou de outra. As tentativas de se expressar também fizeram parte do modo de se portar, de se vestir e até de se matar de muitos fenômenos das décadas de 80 e 90.

Fonte: 35.mostra.org

Dotado de uma ótima edição de vídeo e som, lembrando o igualmente ótimo Pink Floyd (Another Brick in the Wall), o filme desfila facilmente por diversas vertentes sem nunca soar repetitivo, mas acaba embutindo um sentimento que, ao mesmo tempo que soa anacrônico, é visivelmente datado, o que acaba por invalidar o fato de que este foi produzido nos tempos atuais.

Fonte: screenrush.co.uk

O único resquício de atualizade repousa no último ato, onde crítico e seguidores pousam em Pequim, possível nova fonte artística, ou pelo menos de influência, dos artistas futuristas que Yves Adrien tanto estuda. A queda das torres gêmeas e o declínio econômico são citados en passant, em uma clara alusão à virada socio-econômica mundial, e como isso deve afetar o que será produzido desde então.