A Pequena Sereia

July 19, 2012 in Home Video

The Little Mermaid. EUA, 1989. Direção: Ron Clements, John Musker. Roteiro: John Musker, Ron Clements. Elenco: Jodi Benson, Samuel E. Wright e Rene Auberjonois.

Referência musical e artística de um filme Disney.

Uma aventura Disney no final dos anos 80 que mais uma vez encanta pelo frescor dos seus traços e pela perfeição técnica que hoje sua companheira Pixar tomou o lugar. A história da sereia-princesa que se apaixona por um humano e precisa passar por cima de seu severo pai, rei dos mares, para conseguir o que busca não é senão uma releitura mais uma vez do velho conto de fadas iniciado com Branca de Neve e os Sete Anões de 37. As imitações, no entanto, não desmerece o trabalho excepcional de uma equipe de desenhistas que conseguiu criar à mão números inteiros de música com um ritmo e uma fluidez impressionantes.

Branca de Neve e os Sete Anões

July 18, 2012 in Home Video

Snow White and the Seven Dwarfs. EUA, 1937. Direção: William Cottrell, David Hand, Wilfred Jackson, Larry Morey, Perce Pearce, Ben Sharpsteen. Roteiro: Ted Sears, Richard Creedon, Otto Englander, Dick Rickard, Earl Hurd, Merrill De Maris, Dorothy Ann Blank, Webb Smith e os Irmãos Grimm. Elenco: Adriana Caselotti, Harry Stockwell e Lucille La Verne.

Disney, 75 anos atrás.

Antes da aventura psicodélica de Dumbo, em 41, a obra de Disney que adapta o conto dos irmãos Grimm no formato inequívoco de conto de fadas se tornou um padrão em histórias semelhantes (Cinderela em 50, A Bela Adormecida em 59). No entanto, é possível notar que o jogo de cores, de ângulos e até mesmo os detalhes da narrativa apontam para uma obra mais surreal e, portanto, fortemente influenciada pelas correntes artísticas da época.

De Volta Para o Futuro Parte II

July 18, 2012 in Home Video

Back to the Future Part II. EUA, 1989. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd e Lea Thompson.

Continuação do jovem clássico constrói um roteiro primoroso.

Quatro anos depois do sucesso do filme sobre viagem no tempo, o diretor Robert Semeckis e seu companheiro de roteirização Bob Gale planejam uma continuação em duas partes, o que criaria um desfecho de uma trilogia em dois passos. Para isso, dois roteiros foram produzidos e filmados praticamente ao mesmo tempo.

O segundo filme, como um reflexo do primeiro, se volta para problemas que ocorrerão na família McFly 30 anos no futuro, o que implica em revisitarmos os mesmos conceitos do filme original com a grande diferença de estarmos visualizando um futuro possível para os idos anos 80, o que dá total liberdade de criação para a direção de arte, que amplia o universo do filme anterior e enriquece o atual com cores vibrantes e ideias e referências que pulam de todo lugar. É possível assistir o filme diversas vezes e ainda assim não encontrar todas elas.

A trilha sonora do mestre Alan Silvestri, agora já consagrada, recebe um tratamento alternativo, mas mantendo o tema tão vivo na mente dos fãs. A história, a princípio idêntica à primeira, se abre como em um leque e possibilidades em quatro dimensões, e é como se estivéssemos acompanhando uma história que acontece não em três lugares distintos, mas em três tempos, nessa que é a grande virtude do roteiro, que justifica sua aparente complexidade central.

Valente

July 13, 2012 in Cinema

Brave. EUA, 2012. Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell (co-diretor). Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman, Irene Mecchi. Elenco: Kelly Macdonald, Billy Connolly e Emma Thompson.

Breve explanação sobre novo trabalho da Pixar.

Não é uma novidade que filmes com muitos roteiristas são uma propensão ao desastre. No caso de Valente, nova história da Pixar escrita a dez mãos, apesar de melhor que o irregular Carros 2, ainda suscita dúvidas se ainda veremos novamente grandes histórias como Wall-E, Os Incríveis, Ratatouille e Up!. Construída em cima da costumeira perfeição técnica dos seus desenhistas, a fábula da menina que desafia os costumes vigentes de casamentos arranjados e acaba caindo nas mãos dos feitiços desastrosos de uma bruxa não empolga tanto quanto seu visual.

O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida

March 30, 2012 in Cinema

Dr. Seuss’ The Lorax. EUA, 2012. Direção: Chris Renaud, Kyle Balda. Roteiro: Ken Daurio. Elenco: Zac Efron, Taylor Swift e Danny DeVito.

Dos produtores de Meu Malvado Favorito, história não empolga tanto quanto o visual.

O Lorax parte de uma premissa bonitinha e se esquece que em um roteiro, mesmo de animação, há muito mais do que piadinhas isoladas e ótimos efeitos visuais. Tudo começa quando Ted, um jovem de 12 anos que mora em uma cidade feliz por ter conseguido dominar o plástico como solucionador de todos os problemas e evitar assim qualquer forma de vida exceto seus moradores, incluindo gatos e cachorros. Querendo conquistar a garota dos seus sonhos, ele parte em busca de uma jornada fora da cidade para conseguir o que não existe mais na paisagem de sua cidade: uma árvore.

O garoto precisa ouvir a história que um velho que mora isolado em um lugar inóspito a respeito do que aconteceu com ele e com as árvores que outrora encantavam o vale, assim como criaturas fofinhas e ignorantes da presença humana no mundo.

Misturando flashbacks de uma história até cativante a respeito da natureza e como a encaramos hoje em dia e a mais fraca história inicial, Lorax consegue entreter justamente onde não termina, e a maior prova disso foi os idealizadores da história colocarem o título do filme para um personagem que não participa ativamente dos acontecimentos em sua volta, nem é determinante em nenhum ponto crucial. Além disso, as músicas colocadas em torno da história soam muito artificiais e em determinado momento acusam justamente a falta de lógica para as resoluções finais.

De qualquer forma, é sempre bom poder ver ideias novas de uma outra produtora que não seja a Pixar ou a Dreamworks, e nesse ponto podemos dizer que a criadora de Meu Malvado Favorito vem avançando em qualidade gráfica. Esperamos apenas que um dia suas histórias sejam tão fascinantes diante das principais rivais.

Pontos fortes: efeitos visuais.
Pontos fracos: história, sequências musicais, lógica interna.

2 Coelhos

February 1, 2012 in Cinema

Idem. Brasil, 2012. Direção e Roteiro: Afonso Poyart. Elenco: Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Fernando Alves Pinto, Marat Descartes, Neco Vila Lobos, Roberto Marchese, Norival Rizzo, Thogun, Thaíde, Yoram Blaschkauer, Roson Nunes.

A pseudo-engenhoca roteirística estilizada nacional.

Uma montagem impecável consegue dar o tom da narrativa do complexo 2 Coelhos. Além de complexo, existem pequenos detalhes da trama que forçam um pouco a realidade (como a união entre o protagonista e o pai-de-família que tem sua família brutalmente assassinada pelo seu carro). Porém, o que mais chama a atenção é o apelo visual e estético do longa, que pode ser considerado à altura de produções norte-americanas. Está à altura, sim, mas com isso também constatamos que a criatividade da direção de arte não vai muito além dos lugares-comuns de filmes do gênero, incluindo aí as apresentações Tarantinescas (e é também de Tarantino essa tentativa de humanizar os bandidos, com pequenos detalhes de suas ações) e chegando ao absurdo de incluir uma cena a la Sucker Punch com o único propósito de desviar nossa atenção.

Mesmo com cortes rápidos em muitas cenas e com o roteiro não-linear, o fôlego incrível aplicado à montagem consegue ir “descascando” a história em camadas que se juntam de uma maneira efetiva, nos permitindo acompanhar o raciocínio do protagonista onisciente, ainda que essa bagunça temporal possa ser justificada muitas vezes pelo prazer de complicar (ou parecer complexo). Em alguns pontos da trama ele é realmente complexo (como as intrínsecas relações autênticas entre alguns personagens e como isso interfere em como interpretamos suas ações e o que vai acontecer) e em outros é simplesmente enfeite (como as tentativas de despitar-nos, especialmente pelo destino do professor universitário, chegando a soar quase desonesto com o espectador).

É preciso ressaltar que muitas das cenas de 2 Coelhos é estilizada de maneira tão competente e com o preenchimento do quadro tão manipulado que conseguimos comparar diversas tomadas com quadros artísticos, e ainda que soe banal, é um feito e tanto para uma produção nacional. A união de diversas formas de narrativa também ajudam a criar um ritmo que oscila entre tiroteios e apenas conversas. A trilha sonora é original e converge diretamente para a tentativa de soar mais profundo do que realmente é.

Aliás, de várias formas, podemos dizer, o filme nos tenta mostrar algo diferente do que ele realmente é. E nesse quesito ele se sai muito bem.

O Império Contra-Ataca

December 31, 2011 in Home Video

Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back. EUA, 1980. Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett, Lawrence Kasdan, George Lucas (história). Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princess Leia), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), Anthony Daniels (C-3PO), David Prowse (Darth Vader), Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2), Frank Oz (Yoda (voice)), Alec Guinness (Ben ‘Obi-wan’ Kenobi).

A Força começa a tomar contornos religiosos.

O filme inicial, auto-contido, sobre o conto de fadas nunca antes contado, ganha uma nova dobra, e tenta ao mesmo tempo contar uma nova história no mesmo molde e estender esse universo com explicações sobre os Jedis, a Força e ainda um pouco de mistério a respeito das origens do Império e, principalmente, do seu ícone maior: Darth Vader.

Sinceramente, mesmo sabendo da revelação maior do filme (que, apesar de mais de 30 anos de idade, não vou revelar aqui), consegui detectar diversas pistas que levavam apenas para um lugar. É óbvio que ninguém espera uma coisa dessas, mas hoje em dia seria facilmente batido. O lado maior da história fica por conta da divisão equilibrada entre a fuga de Capitão Solo e Princesa Leia e a jornada em rumo ao conhecimento do não-tão-jovem padawan Luke Skywalker. Praticamente tudo empolga no filme: direção de arte, música (ainda que muitas vezes repetitiva), efeitos visuais de encher os olhos (com maior destaque para o pequeno Yoda). Tudo isso ocorre não apenas em cenas específicas, mas quase todo o tempo, nos dando a exata sensação de que esse mundo existe em algum lugar, e estamos tendo o privilégio de visitá-lo no meio de uma batalha épica (muito diferente, aliás, dos três novos episódios recentes, que soam mais… episódicos que épicos).

Darth Vader está mais maldoso e presente do que no primeiro filme, provavelmente fruto de seu sucesso como vilão, e o Imperador Palpatine vira um mentor mais distante. Claro, isso é fruto de sua obsessão pelo jovem Skywalker, como bem diz o letreiro inicial e sua tolerância zero para os comandantes da nave principal, que vão caindo um a um.

Mais uma vez com uma precipitada conclusão, o filme passa a ideia de ser apenas um exemplo de um universo inteiro sendo criado aos poucos, com muitas coisas ainda pendentes, e outras um tanto contraditórias. Para muitos fãs, uma religião estava nascendo nesse momento.

Lanterna Verde

August 29, 2011 in Cinema

Green Lantern. EUA, 2011. Direção: Martin Campbell. Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim, Michael Goldenberg, Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim. Elenco: Ryan Reynolds (Hal Jordan / Lanterna Verde), Blake Lively (Carol Ferris), Peter Sarsgaard (Hector Hammond), Mark Strong (Sinestro), Tim Robbins (Hammond), Jay O. Sanders (Carl Ferris), Taika Waititi (Tom Kalmaku), Angela Bassett (Doctor Waller), Mike Doyle (Jack Jordan), Nick Jandl (Jim Jordan).

Cada vez mais começo a acreditar que o uso de muitos roteiristas (nesse temos incríveis 7 pessoas colaborando!) acaba por nivelar por baixo uma história até com um certo potencial. Nesse novo filme de super-herói, a impressão geral que fica é que, ao tentar explicar tudo detalhadamente, para não restar dúvidas aos espectadores, foi feito um filme cuja chatice é diretamente proporcional ao número de efeitos visuais.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Dirigido pelo diretor do novo Cassino Royale (para provar que sucesso não é linha de chegada), Lanterna Verde conta a história de Hal Jordan, um piloto de caças que, irresponsável e fanfarrão, acaba por ser escolhido (ao melhor estilo Senhor dos Anéis) pelo anel que representa um grupo de seres intergalacticos que dividiram as galáxias em setores e pretendem manter a paz com o uso do poder que emana da vontade inerente a todo ser vivo, potencializado pelo uso dos anéis que os conectam a poderosas lanternas. São parte da criação dos seres mais avançados do universo, os guardiões, que são imortais e criaram essa congregação para evitar que o mal prevalecesse no mundo, ou algo que o valha: ironicamente, os conceitos de bem e mal, ou suas _motivações_, nunca são muito bem explicadas.

 

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Por outro lado, a explicação mais interessante é o uso da cor verde como o representante da força de vontade, uma vez que é de fato muito ingênuo imaginar que milhares de espécies evoluídas da galáxia enxergariam uma determinada frequência da luz da mesma forma. Isso nos dá a liberdade de passar de ficção científica para fábula, ainda que o filme tente de todas as formas tornar a tal congregação verossímil (como a forma dos lanternas verdes se locomoverem tão rapidamente pelo universo).

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

 

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Hal Jordan (Reynolds), nesse contexto, vira um reles instrumento dessa força, mas, mesmo assim, é a sua motivação pessoal (?) e sua imaginação a força motriz que irá lhe dar os verdadeiros poderes de um super-herói: a capacidade de materializar qualquer coisa com essa força.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

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Infelizmente, nem o anel conseguiu materializar uma história que o valha. A trajetória do herói não convence, ou pelo menos não o suficiente para acreditar que o esforço de um representante dos paladinos do Universo em sua espécie mais fraca (os humanos) consegue combater a maior ameaça que já tiveram que enfrentar em toda a sua história (perceba como o uso solene das palavras apenas enfraquece mais a história e a sabota, que tem que ser enriquecida com diálogos expositivos dessa forma).

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Capitão América: O Primeiro Vingador

August 9, 2011 in Cinema

Captain America: The First Avenger. EUA, 2011. Direção: Joe Johnston. Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely. Elenco: Chris Evans (Capitão América/Steve Rogers), Hayley Atwell (Peggy Carter), Tommy Lee Jones (Coronel Chester Phillips), Hugo Weaving (Johann Schmidt/Caveira Vermelha), Dominic Cooper (Howard Stark).

A Marvel parece que resolveu esquecer de vez a construção de histórias com profundidade dramática para dar vazão aos seus heróis secundários. O objetivo maior é o lançamento dos Vingadores, seu ambicioso projeto que exigiu a criação de diversos filmes, cada um retratando um personagem diferente que fará parte dessa equipe de super-heróis.


O grande atrativo inicial de Capitão América acaba revelando, mais do que a personalidade do próprio herói, a dos seus típicos fãs, os nerds de corpo franzino ou desajeitados de uma maneira geral, mas com uma qualidade em comum: a vontade de persistir em seus sonhos. Dessa forma, o filme consegue passar pelo seu primeiro plot ileso, pois atinge de maneira exemplar as expectativas que temos de ver o inofensivo Steve Rogers alcançar o que tanto deseja.

A idealização dessa possibilidade parece ser o grande gancho para que a Marvel apresente mais um de seus heróis. Tanto é verdade que os efeitos que mais impressionam são justamente o que transformaram Chris Evans em uma figura esquelética e de aparência inofensiva (apesar de determinada). Os ótimos ângulos iniciais de Joe Johnston ajudam muito, pois insistem em focar Steve de cima pra baixo, e pelo menos aqui o uso de 3D se justifica ao criar cenários com profundidade e criar algum realismo adicional, como a cena dele apanhando em um beco.

E por falar em ângulo, esse é mais um projeto em que o diretor abraça a origem dos quadrinhos e utiliza diversos artifícios que identifiquem a história do Capitão América como uma obra absurda de ficção, o que, se esteticamente fica bonito, acaba sabotando a direção de arte, que faz esforços admiráveis em reconstituir a época da Segunda Guerra de uma forma verossímel mesmo adicionando elementos novos, como as armas desenvolvidas pela temida divisão nazista HYDRA.


Por outro lado, esse estilo quadrinhos cria uma das sequências das mais divertidas com o Capitão América virando um artista de palco e um ícone da propaganda americana de guerra (além de entreter as crianças), e o carisma natural de Chris Evans consegue manter o personagem sem soar forçado em diversas situações diferentes.

Porém, as tiradas cômicas mais eficientes ficam por conta de Tommy Lee Jones, que incorpora um coronel durão sem tender para o caricato. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo de Hugo Weaving, um vilão afetado demais para soar ameaçador (e é uma pena também que foram entregues para ele as piores falas).



O elo fraco do elenco acaba sendo Hayley Atwell como Peggy Carter, o interesse amoroso do herói. Aparecendo principalmente para mostrar seu olhar de admiração por Steve, sua função bem definida (e descartável) acaba por soar repetitiva, e é sintoma disso a tentativa do roteiro de tentar colocar um pouco de conflito (boto) em um momento pontual da trama.

Mas o que parece se tornar um prelúdio para a verdadeira ação acaba se tornando o melhor momento do longa, que nunca consegue sair do morno, e as tentativas (sempre falhas) de solenizar as ações do herói sempre soam forçadas. O primeiro encontro com Johann Schmidt, que deveria estabelecer a relação herói/anti-herói, acaba apenas por estabelecer ambos como cobaias do mesmo experimento, e só. Todo o esforço em representar a luta do bem contra o mal é sabotada e deixada em segundo plano em detrimento dos efeitos especiais, que são, no último ato, de tirar o fôlego.

Após o terceiro ato fica muito clara a construção do filme como catapulta para o lançamento do esperado Primeiro Vingador. Todo esse frisson de meses (anos?), aliás, acaba por elevar as expectativas sobre Os Vingadores em níveis acima do normal. Apenas esperamos que o lançamento de tantos resultados medianos faça valer a pena essa tão esperada produção.

Créditos das imagens: Cinema em Cena.

Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith

June 12, 2011 in Home Video

Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith. EUA, 2005. Direção e Roteiro: George Lucas. Elenco: Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Natalie Portman (Padmé), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Ian McDiarmid (Supremo Chanceler Palpatine).

A impressão que temos ao assistir o último capítulo da nova saga criada por George Lucas é que este preparou os dois filmes iniciais tão somente para ter a chance de produzir este terceiro, tamanho o peso narrativo que o diferencia dos seus iguais.

Aqui, toda a angústia e tristeza do universo Star Wars são representados por uma fotografia mais escura e uma trilha sonora que transita cada vez mais pelos acordes do Império, e se pelo menos nisso somos obrigados a notar certa coerência desde A Ameaça Fantasma, o mesmo não ocorre no resto dos elementos cinematográficos, que juntos, participam na narrativa de uma forma completamente coesa e sofisticada.

Note, por exemplo, como a perturbação da Força é “sentida” nos primeiros minutos em Anakin (Christensen, mais maduro) e em sua lógica, antes apenas irreverente, mas agora facilmente percebível como deturpada pelo desespero gerado por seus pesadelos. E a força de sua transformação reside principalmente na escolha de um motivo humano para levá-lo para o lado obscuro de seus poderes. Afinal de contas, quem não arriscaria se enveredar por um mundo, mesmo que aterrorizante, para conseguir salvar um ente querido?

Apostando em movimentos de câmera mais intensos, mesmo em simples diálogos, como o momento em que Anakin descobre algo revelador sobre o Chanceler Palpatine, demonstra ao mesmo tempo o clima de urgência do Conselho Jedi (e da própria República), e o do próprio Skywalker.

Com uma conclusão que infelizmente exclui o público mais infantil, ao escancarar a própria materialização do mal, o diretor decide por uma aceleração dos eventos, mas mesmo assim não perde as rédeas de sua narrativa, que consegue fechar todas as pontas de maneira primordial.


E se, por fim, a maioria do filme prever o final não-feliz é uma atitude corajosa, a decisão de colocar o destino dos filhos de Anakin em foco nas últimas cenas é admirável, pois consegue sucintamente anunciar a vinda de uma nova trilogia que, aí sim, elevará Star Wars na categoria das melhores histórias de aventura espacial já contada de todos os tempos.