O Homem de Aço

July 11, 2013 in Cinema

Man of Steel. EUA/Canadá/Reino Unido, 2013. Director: Zack Snyder. Writers: David S. Goyer, Christopher Nolan, Jerry Siegel, Joe Shuster. Stars: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Russell Crowe, Diane Lane, Antje Traue, Harry Lennix, Kevin Costner, Laurence Fishburne. Música: Hans Zimmer. Direção de Arte: Chris Farmer, Kim Sinclair.

O Homem de Aço

Reboot empolga pelos efeitos, decepciona em sua força dramática.

“Nós vamos lutar até um de nós morrer.” E obviamente é o que eles fazem. A falta de complexidade aliada à ação desenfreada chega a cansar, e o fato de tanto Zod (Michael Shannon) quanto Superman (Henry Cavill) partirem para a violência gratuita revela mais sobre o último do que sobre o primeiro, programado desde a concepção para guerrear pelo seu povo. Chega a ser um quase insulto que o filho do cientista Jor-El se limite a imitá-lo. Justo ele, que foi um bebê “concebido naturalmente”, o que inteligentemente levanta algumas questões sobre livre-arbítrio que nunca são desenvolvidas. Não é sensato que o filme queira que odiemos Zod por ser uma pessoa que quer reconstruir seu povo — e nesse sentido ele falha como vilão temeroso que Zack Snyder parece acreditar que ele seja — mas podemos sim nos sentir frustrados pela aparente indecisão do Homem de Aço em confrontá-lo.

O Homem de Aço caminha melhor pela sua direção de arte. As naves de Kripton imitam insetos, o que exalta sua evolução tecnológica (algo semelhante a Matrix 3 e suas máquinas). O pai de Kal-El voa em um animal, o que simboliza a falta de crença em uma civilização que renega seu fim próximo. Os efeitos digitais, eficazes no geral, falham onde todos falham: a impossibilidade de reproduzir a dureza do mundo real. Mesmo assim, essa é uma abordagem realista e pretende ser uma (re)introdução de um herói, ou por que não, do proto-herói (o herói primitivo de todos os que se seguiram), que vamos aprendendo a reconhecer por breves flashbacks. (Isso seria o suficiente para entendermos suas reais convicções?) O figurino, ponto polêmico durante todo o projeto, consegue ser fiel à origem de seus personagens (e note como Zod e seus aliados conseguem se diferenciar por um escuro que remete diretamente a Superman 2, e o “design” de Faora-Ul (Antje Traue) é o que mais denuncia essa feliz inspiração). A trilha sonora, outro ponto polêmico, concebida por Hans Zimmer para substituir o insubstituível trabalho de John Williams, possui felizes acordes que prenunciam um tema, mas que busca um significado que não encontra reflexo em sua história. Ele é bonita e atribui peso à narrativa, mas ela reforça o quê? A grandiosidade do quê exatamente está sendo reverenciada? Da destruição? Da batalha?

Por falar em referências, Zack Snider homenageia momentos icônicos dos dois primeiros filmes da série original, dirigidos respectivamente por Richard Donner e Richard Lestes em produção complicada, mas usa para isso uma nova roupagem, visual e metafórica, o que empolga justamente por trazer um pouco de emoção em um filme conduzido quase sempre de forma burocrática (apenas mais uma introdução para próximos capítulos?). Os momentos cômicos quase conseguem resgatar o mesmo contraponto criado por Donner no longa original, mas de forma tão breve que podemos especular se o filme evita o humor para aumentar o drama ou evita distrair o espectador (em certo momento, Superman derruba um contador de acidentes em uma obra, zerando-o, mas mal podemos notar, ou há um erro óbvio de timing entre o momento em que Lois é citada na TV e seu celular toca com o nome de Perry White).

Da mesma forma, personagens são jogados na trama de forma quase aleatória e ficam por lá, como é o caso da própria Lois Lane (Amy Adams), o que me faz especular se ela é a primeira mulher que Clark salva ou a primeira mulher bonita. Mas nem sua beleza parece fazer mover os músculos da face do homem de aço, que é impassível tanto diante do amor quanto da morte. Isso nos faz acreditar que esse mundo de fato não pertence a ele.

E não há de fato como esperar o mesmo charme de Christopher Reeve no papel que imortalizou a figura desse herói. Porém, tudo o que necessitavam seria uma figura menos robótica e mais humana que os efeitos digitais do desastroso Superman Returns. No entanto, mesmo colocando um ator de carne-e-osso essa conexão com seu passado cinematográfico não ocorre (apenas em reproduções de cenas clássicas). Com exceção de Jonathan (Kevin Costner), Martha Kent (Diane Lane) e Lois Lane (essa en partes), o elenco permanece neutro onde as atuações são ponto ativo de uma trama, um drama obviamente Shakesperiano sobre a existência (e talvez a caveira representando o Codex, fonte de toda a “humanidade” de Kripton, não tenha sido colocada ali à toa).

No entanto, é com esse tom quase sempre insípido que Zack Snyder transforma a batalha entre o bem e o mal em algo mais alienígena que os kriptonianos que nela lutam. E a ideia de aos poucos explicar detalhes menores da trama (Lois não pode respirar na atmosfera da nave alienígena…) acaba se tornando um pecado justamente por não prestar a mesma atenção a detalhes muito mais relevantes (se Lois é levada à nave, qual o motivo, e por que diabos ela é colocada naquele compartimento em específico?). Kal-El aparentemente escolhe os humanos quase como um mártir, mas o seu sacrifício esperado nunca vem. A única coisa que parece ser uma constante na história é um roteiro certinho de David S. Goyer e Christopher Nolan que consegue justificar para essa geração boa parte das dúvidas sobre como um herói desse quilate existiria em nosso mundo cético por respostas (como a insistência em explicar sua força descomunal). Se Superman sacrificou algo, foi em prol desse mundo científico em que vivemos, e foi a fantasia dos filmes originais; a possibilidade de voarmos tão alto quanto seu protagonista. Aqui acompanhamos seu voo ao longe, de forma controlada, cientificamente correta. O nosso Superman sacrificou os nossos sonhos de ter um herói onde tudo é possível quando se tem boa vontade.

Além da Escuridão – Star Trek

June 14, 2013 in Cinema

Star Trek Into Darkness. EUA, 2013. Director: J.J. Abrams. Writers: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof. Stars: Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Benedict Cumberbatch, John Cho, Simon Pegg, Karl Urban, Anton Yelchin, Bruce Greenwood, Peter Weller, Alice Eve.

Além da Escuridão - Star Trek

Sequência ultrapassa seu predecessor, ainda que na velocidade normal.

Vendo a nova aventura dos Trekkers e revendo o genial reboot de J. J. Abrams (2008/9) fica claro que cada um é a metade de um todo maior, que poderiam ser mais enxutos (assim como Kill Bill) e que juntos seriam um excelente estudo de personagem. Ainda assim, separados, se transformam em duas aventuras físicas e mentais (essa nem tanto) ótimas em si mesmo, embora perigosamente esquecíveis para os não-fãs.

Repetindo a fórmula do trabalho anterior colocando mais uma vez o Capitão Kirk (Chris Pine) fora de sua nave, um ataque terrorista surpreende a Confederação e a força a ir buscar o culpado na parte menos desejável para os humanos: o mundo dos Klingons, o equivalente a um país inimigo em estado de ebulição (e o 11 de setembro ainda é um eco forte na cultura americana). A parte boa dessa nova saga é que as decisões da nave USS Enterprise nem sempre são fáceis e óbvias, e nem sempre a lógica insofismável de Dr. Spock (Zachary Quinto) servirá aos propósitos da tripulação (mas mesmo assim Quinto rouba a cena, dessa vez de forma mais intensa, protagonizando ironicamente duas das cenas mais emocionantes e ocupando de vez a cadeira que uma vez pertencia à Leonard Nimoy, que aqui faz mais uma participação especial).

Outro benefício desse filme em relação ao anterior é o seu vilão, vivido por um Benedict Cumterbatch (Sherlock Holmes) que possui a cara inconfundível do seriado que protagoniza, mas acaba criando trejeitos de uma raça estranha e amargurada que serve justamente como reflexo para que Kirk finalmente perceba a importância da sua equipe. Tendo seus reais motivos encobertos por uma névoa, Cumterbatch cria um personagem eficiente que surpreenderá muitas pessoas.

Por fim, o que garante mais uma vez o sucesso na empreitada não são os excelentes (ainda que virtuais) efeitos visuais, mas um elenco afiado e harmônico que a cada passagem ressalta sua função. Impossível não relacionar a Enterprise com uma empresa de sucesso, ou uma família, ou uma nação. Mais uma vez, a iminência de guerra e terrorismo são combustíveis para a Enterprise.

A Pequena Sereia

July 19, 2012 in Home Video

The Little Mermaid. EUA, 1989. Direção: Ron Clements, John Musker. Roteiro: John Musker, Ron Clements. Elenco: Jodi Benson, Samuel E. Wright e Rene Auberjonois.

Referência musical e artística de um filme Disney.

Uma aventura Disney no final dos anos 80 que mais uma vez encanta pelo frescor dos seus traços e pela perfeição técnica que hoje sua companheira Pixar tomou o lugar. A história da sereia-princesa que se apaixona por um humano e precisa passar por cima de seu severo pai, rei dos mares, para conseguir o que busca não é senão uma releitura mais uma vez do velho conto de fadas iniciado com Branca de Neve e os Sete Anões de 37. As imitações, no entanto, não desmerece o trabalho excepcional de uma equipe de desenhistas que conseguiu criar à mão números inteiros de música com um ritmo e uma fluidez impressionantes.

Branca de Neve e os Sete Anões

July 18, 2012 in Home Video

Snow White and the Seven Dwarfs. EUA, 1937. Direção: William Cottrell, David Hand, Wilfred Jackson, Larry Morey, Perce Pearce, Ben Sharpsteen. Roteiro: Ted Sears, Richard Creedon, Otto Englander, Dick Rickard, Earl Hurd, Merrill De Maris, Dorothy Ann Blank, Webb Smith e os Irmãos Grimm. Elenco: Adriana Caselotti, Harry Stockwell e Lucille La Verne.

Disney, 75 anos atrás.

Antes da aventura psicodélica de Dumbo, em 41, a obra de Disney que adapta o conto dos irmãos Grimm no formato inequívoco de conto de fadas se tornou um padrão em histórias semelhantes (Cinderela em 50, A Bela Adormecida em 59). No entanto, é possível notar que o jogo de cores, de ângulos e até mesmo os detalhes da narrativa apontam para uma obra mais surreal e, portanto, fortemente influenciada pelas correntes artísticas da época.

De Volta Para o Futuro Parte II

July 18, 2012 in Home Video

Back to the Future Part II. EUA, 1989. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd e Lea Thompson.

Continuação do jovem clássico constrói um roteiro primoroso.

Quatro anos depois do sucesso do filme sobre viagem no tempo, o diretor Robert Semeckis e seu companheiro de roteirização Bob Gale planejam uma continuação em duas partes, o que criaria um desfecho de uma trilogia em dois passos. Para isso, dois roteiros foram produzidos e filmados praticamente ao mesmo tempo.

O segundo filme, como um reflexo do primeiro, se volta para problemas que ocorrerão na família McFly 30 anos no futuro, o que implica em revisitarmos os mesmos conceitos do filme original com a grande diferença de estarmos visualizando um futuro possível para os idos anos 80, o que dá total liberdade de criação para a direção de arte, que amplia o universo do filme anterior e enriquece o atual com cores vibrantes e ideias e referências que pulam de todo lugar. É possível assistir o filme diversas vezes e ainda assim não encontrar todas elas.

A trilha sonora do mestre Alan Silvestri, agora já consagrada, recebe um tratamento alternativo, mas mantendo o tema tão vivo na mente dos fãs. A história, a princípio idêntica à primeira, se abre como em um leque e possibilidades em quatro dimensões, e é como se estivéssemos acompanhando uma história que acontece não em três lugares distintos, mas em três tempos, nessa que é a grande virtude do roteiro, que justifica sua aparente complexidade central.

Valente

July 13, 2012 in Cinema

Brave. EUA, 2012. Direção: Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell (co-diretor). Roteiro: Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman, Irene Mecchi. Elenco: Kelly Macdonald, Billy Connolly e Emma Thompson.

Breve explanação sobre novo trabalho da Pixar.

Não é uma novidade que filmes com muitos roteiristas são uma propensão ao desastre. No caso de Valente, nova história da Pixar escrita a dez mãos, apesar de melhor que o irregular Carros 2, ainda suscita dúvidas se ainda veremos novamente grandes histórias como Wall-E, Os Incríveis, Ratatouille e Up!. Construída em cima da costumeira perfeição técnica dos seus desenhistas, a fábula da menina que desafia os costumes vigentes de casamentos arranjados e acaba caindo nas mãos dos feitiços desastrosos de uma bruxa não empolga tanto quanto seu visual.

O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida

March 30, 2012 in Cinema

Dr. Seuss’ The Lorax. EUA, 2012. Direção: Chris Renaud, Kyle Balda. Roteiro: Ken Daurio. Elenco: Zac Efron, Taylor Swift e Danny DeVito.

Dos produtores de Meu Malvado Favorito, história não empolga tanto quanto o visual.

O Lorax parte de uma premissa bonitinha e se esquece que em um roteiro, mesmo de animação, há muito mais do que piadinhas isoladas e ótimos efeitos visuais. Tudo começa quando Ted, um jovem de 12 anos que mora em uma cidade feliz por ter conseguido dominar o plástico como solucionador de todos os problemas e evitar assim qualquer forma de vida exceto seus moradores, incluindo gatos e cachorros. Querendo conquistar a garota dos seus sonhos, ele parte em busca de uma jornada fora da cidade para conseguir o que não existe mais na paisagem de sua cidade: uma árvore.

O garoto precisa ouvir a história que um velho que mora isolado em um lugar inóspito a respeito do que aconteceu com ele e com as árvores que outrora encantavam o vale, assim como criaturas fofinhas e ignorantes da presença humana no mundo.

Misturando flashbacks de uma história até cativante a respeito da natureza e como a encaramos hoje em dia e a mais fraca história inicial, Lorax consegue entreter justamente onde não termina, e a maior prova disso foi os idealizadores da história colocarem o título do filme para um personagem que não participa ativamente dos acontecimentos em sua volta, nem é determinante em nenhum ponto crucial. Além disso, as músicas colocadas em torno da história soam muito artificiais e em determinado momento acusam justamente a falta de lógica para as resoluções finais.

De qualquer forma, é sempre bom poder ver ideias novas de uma outra produtora que não seja a Pixar ou a Dreamworks, e nesse ponto podemos dizer que a criadora de Meu Malvado Favorito vem avançando em qualidade gráfica. Esperamos apenas que um dia suas histórias sejam tão fascinantes diante das principais rivais.

Pontos fortes: efeitos visuais.
Pontos fracos: história, sequências musicais, lógica interna.

2 Coelhos

February 1, 2012 in Cinema

Idem. Brasil, 2012. Direção e Roteiro: Afonso Poyart. Elenco: Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Fernando Alves Pinto, Marat Descartes, Neco Vila Lobos, Roberto Marchese, Norival Rizzo, Thogun, Thaíde, Yoram Blaschkauer, Roson Nunes.

A pseudo-engenhoca roteirística estilizada nacional.

Uma montagem impecável consegue dar o tom da narrativa do complexo 2 Coelhos. Além de complexo, existem pequenos detalhes da trama que forçam um pouco a realidade (como a união entre o protagonista e o pai-de-família que tem sua família brutalmente assassinada pelo seu carro). Porém, o que mais chama a atenção é o apelo visual e estético do longa, que pode ser considerado à altura de produções norte-americanas. Está à altura, sim, mas com isso também constatamos que a criatividade da direção de arte não vai muito além dos lugares-comuns de filmes do gênero, incluindo aí as apresentações Tarantinescas (e é também de Tarantino essa tentativa de humanizar os bandidos, com pequenos detalhes de suas ações) e chegando ao absurdo de incluir uma cena a la Sucker Punch com o único propósito de desviar nossa atenção.

Mesmo com cortes rápidos em muitas cenas e com o roteiro não-linear, o fôlego incrível aplicado à montagem consegue ir “descascando” a história em camadas que se juntam de uma maneira efetiva, nos permitindo acompanhar o raciocínio do protagonista onisciente, ainda que essa bagunça temporal possa ser justificada muitas vezes pelo prazer de complicar (ou parecer complexo). Em alguns pontos da trama ele é realmente complexo (como as intrínsecas relações autênticas entre alguns personagens e como isso interfere em como interpretamos suas ações e o que vai acontecer) e em outros é simplesmente enfeite (como as tentativas de despitar-nos, especialmente pelo destino do professor universitário, chegando a soar quase desonesto com o espectador).

É preciso ressaltar que muitas das cenas de 2 Coelhos é estilizada de maneira tão competente e com o preenchimento do quadro tão manipulado que conseguimos comparar diversas tomadas com quadros artísticos, e ainda que soe banal, é um feito e tanto para uma produção nacional. A união de diversas formas de narrativa também ajudam a criar um ritmo que oscila entre tiroteios e apenas conversas. A trilha sonora é original e converge diretamente para a tentativa de soar mais profundo do que realmente é.

Aliás, de várias formas, podemos dizer, o filme nos tenta mostrar algo diferente do que ele realmente é. E nesse quesito ele se sai muito bem.

O Império Contra-Ataca

December 31, 2011 in Home Video

Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back. EUA, 1980. Direção: Irvin Kershner. Roteiro: Leigh Brackett, Lawrence Kasdan, George Lucas (história). Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princess Leia), Billy Dee Williams (Lando Calrissian), Anthony Daniels (C-3PO), David Prowse (Darth Vader), Peter Mayhew (Chewbacca), Kenny Baker (R2-D2), Frank Oz (Yoda (voice)), Alec Guinness (Ben ‘Obi-wan’ Kenobi).

A Força começa a tomar contornos religiosos.

O filme inicial, auto-contido, sobre o conto de fadas nunca antes contado, ganha uma nova dobra, e tenta ao mesmo tempo contar uma nova história no mesmo molde e estender esse universo com explicações sobre os Jedis, a Força e ainda um pouco de mistério a respeito das origens do Império e, principalmente, do seu ícone maior: Darth Vader.

Sinceramente, mesmo sabendo da revelação maior do filme (que, apesar de mais de 30 anos de idade, não vou revelar aqui), consegui detectar diversas pistas que levavam apenas para um lugar. É óbvio que ninguém espera uma coisa dessas, mas hoje em dia seria facilmente batido. O lado maior da história fica por conta da divisão equilibrada entre a fuga de Capitão Solo e Princesa Leia e a jornada em rumo ao conhecimento do não-tão-jovem padawan Luke Skywalker. Praticamente tudo empolga no filme: direção de arte, música (ainda que muitas vezes repetitiva), efeitos visuais de encher os olhos (com maior destaque para o pequeno Yoda). Tudo isso ocorre não apenas em cenas específicas, mas quase todo o tempo, nos dando a exata sensação de que esse mundo existe em algum lugar, e estamos tendo o privilégio de visitá-lo no meio de uma batalha épica (muito diferente, aliás, dos três novos episódios recentes, que soam mais… episódicos que épicos).

Darth Vader está mais maldoso e presente do que no primeiro filme, provavelmente fruto de seu sucesso como vilão, e o Imperador Palpatine vira um mentor mais distante. Claro, isso é fruto de sua obsessão pelo jovem Skywalker, como bem diz o letreiro inicial e sua tolerância zero para os comandantes da nave principal, que vão caindo um a um.

Mais uma vez com uma precipitada conclusão, o filme passa a ideia de ser apenas um exemplo de um universo inteiro sendo criado aos poucos, com muitas coisas ainda pendentes, e outras um tanto contraditórias. Para muitos fãs, uma religião estava nascendo nesse momento.

Lanterna Verde

August 29, 2011 in Cinema

Green Lantern. EUA, 2011. Direção: Martin Campbell. Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim, Michael Goldenberg, Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim. Elenco: Ryan Reynolds (Hal Jordan / Lanterna Verde), Blake Lively (Carol Ferris), Peter Sarsgaard (Hector Hammond), Mark Strong (Sinestro), Tim Robbins (Hammond), Jay O. Sanders (Carl Ferris), Taika Waititi (Tom Kalmaku), Angela Bassett (Doctor Waller), Mike Doyle (Jack Jordan), Nick Jandl (Jim Jordan).

Cada vez mais começo a acreditar que o uso de muitos roteiristas (nesse temos incríveis 7 pessoas colaborando!) acaba por nivelar por baixo uma história até com um certo potencial. Nesse novo filme de super-herói, a impressão geral que fica é que, ao tentar explicar tudo detalhadamente, para não restar dúvidas aos espectadores, foi feito um filme cuja chatice é diretamente proporcional ao número de efeitos visuais.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Dirigido pelo diretor do novo Cassino Royale (para provar que sucesso não é linha de chegada), Lanterna Verde conta a história de Hal Jordan, um piloto de caças que, irresponsável e fanfarrão, acaba por ser escolhido (ao melhor estilo Senhor dos Anéis) pelo anel que representa um grupo de seres intergalacticos que dividiram as galáxias em setores e pretendem manter a paz com o uso do poder que emana da vontade inerente a todo ser vivo, potencializado pelo uso dos anéis que os conectam a poderosas lanternas. São parte da criação dos seres mais avançados do universo, os guardiões, que são imortais e criaram essa congregação para evitar que o mal prevalecesse no mundo, ou algo que o valha: ironicamente, os conceitos de bem e mal, ou suas _motivações_, nunca são muito bem explicadas.

 

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

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Por outro lado, a explicação mais interessante é o uso da cor verde como o representante da força de vontade, uma vez que é de fato muito ingênuo imaginar que milhares de espécies evoluídas da galáxia enxergariam uma determinada frequência da luz da mesma forma. Isso nos dá a liberdade de passar de ficção científica para fábula, ainda que o filme tente de todas as formas tornar a tal congregação verossímil (como a forma dos lanternas verdes se locomoverem tão rapidamente pelo universo).

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

 

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Hal Jordan (Reynolds), nesse contexto, vira um reles instrumento dessa força, mas, mesmo assim, é a sua motivação pessoal (?) e sua imaginação a força motriz que irá lhe dar os verdadeiros poderes de um super-herói: a capacidade de materializar qualquer coisa com essa força.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

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Infelizmente, nem o anel conseguiu materializar uma história que o valha. A trajetória do herói não convence, ou pelo menos não o suficiente para acreditar que o esforço de um representante dos paladinos do Universo em sua espécie mais fraca (os humanos) consegue combater a maior ameaça que já tiveram que enfrentar em toda a sua história (perceba como o uso solene das palavras apenas enfraquece mais a história e a sabota, que tem que ser enriquecida com diálogos expositivos dessa forma).

Fonte: www.cinemaemcena.com.br