O Rei Leão

December 24, 2012 in Home Video

The Lion King. EUA, 1994. Direção: Roger Allers e Rob Minkoff. Roteiro: Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton.

Elenco original: Matthew Broderick (Simba Adulto), Niketa Calame (Jovem Nala), Jim Cummings (Ed), James Earl Jones (Mufasa), Nathan Lane (Timão), Ernie Sabella (Pumba), Jeremy Irons (Scar), Robert Guillaume (Rafiki), Rowan Atkinson (Zazu), Moira Kelly (Nala Adulta), Whoopi Goldberg (Shenzi), Cheech Marin (Banzai), Madge Sinclair (Sarabi), Jonathan Taylor Thomas (Jovem Simba).

Elenco brasileiro: Garcia Júnior (Simba Adulto), Patrick de Oliveira (Simba criança), Jorgeh Ramos (Scar), Carla Pompilho (Nala), Paulo Flores (Mufasa), Mauro Ramos (Pumba), Pedro Lopes (Timão), Pádua Moreira (Zazu).

O Rei Leão

Clássico Shakesperiano em visão infantil.

O Rei Leão visto como deve ser visto — ou seja, em 2D — consegue impressionar pela síntese dramática que escolhe para não tornar o programa demasiadamente infantil para o seu principal público-alvo (as crianças) mas consegue se manter íntegro e representar de maneira irretocável a contribuição Disney para manter viva a lenda e uma das peças mais conhecidas de Shakespeare: Hamlet.

Quando eu digo íntegro quero dizer que até mesmo temas que hoje em dia são covardemente evitados mesmo entre o público adulto como a morte e o sexo são inseridos na narrativa e com direito a uma trilha sonora excepcional, que consegue oscilar dinamicamente entre a comédia e o drama épico como ondas que se formam durante a história.

Criando personagens de maneira econômica, mas que se firmam na narrativa pelo que representam — o macaco sábio, os palhaços salvadores de Simba, a princesa como elo com o passado, o criado fiel —, a história se entrelaça de maneira simples o suficiente para que os espectadores infantis entendam o destino de Simba, mas de forma complexa o suficiente para que entendamos toda a filosofia por trás da alegoria com animais, como o reino decadente e o significado da nobreza.

Com uma conclusão que aspira por aplausos em pé, o uso da metáfora do círculo da vida nunca foi tão significativo e poderoso.

Muppets – O Filme!

February 6, 2012 in Cinema

The Muppets. EUA, 2011. Direção: James Robin. Roteiro: Jason Segel, Nicholas Stoller. Elenco: Amy Adams, Jason Segel, Chris Cooper.

Bonecos sabem dançar; humanos não.

O potencial dos bonecos é evidente no filme, pois todos possuem personalidades marcantes que geram diversas situações ingenuamente engraçadas. E é de modo ingênuo que a história inicia, e a forma de narrar a vida dos irmãos, em que um deles é um boneco que portanto nunca cresce, já denota de modo inconsciente que a interação entre humanos e muppets é algo completamente comum naquele universo fabuloso.

Mesmo assim, a fraca história (incluo aí o conflito batido em que há, acredite ou não, um magnata do petróleo) compromete os não tão inspirados números musicais, que na maioria das vezes apenas torna os defeitos do filme mais evidentes. Porém, não há como negar que a sequência do show final é admiravelmente engraçada, nostálgica e com números bem melhores por estarem inseridos apenas no mundo dos próprios Muppets.

Enfim, um bom filme com promessas de continuações. Apenas aguardemos por roteiros mais ousados e criativos.

Toy Story

January 8, 2012 in Home Video

Achei melhor do que as vezes anteriores que tinha assistido. A direção se esforça ao enfocar a ação e o uso de ângulos criativos que inibem a ainda falta de tecnologia que torna as texturas simplórias, apesar de bem trabalhadas. A dublagem nacional mais uma vez empolga, com menção honrosa ao Sr. Cabeça de Batata.

Dumbo

January 7, 2012 in Home Video

Movimentos dos elefantes dão sensação de peso, trilha sonora que hoje é clássica, mas que na época foi criada para o filme. 1941, Disney passava por apuros, Fantasia tinha dado prejuízo e precisavam salvar o estúdio com um novo sucesso. Sequência surrealista de elefantes rosas e Salvador Dali. Uso de influências no Cinema (como a sombra do ratinho emprestada de Nosferatu ou o simbolismo entre a mãe presa e as listras da lona do circo).

O Rei Leão

September 5, 2011 in Cinema

The Lion King. EUA, 1994. Direção: Roger Allers e Rob Minkoff. Roteiro: Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton.

Elenco original: Matthew Broderick (Simba Adulto), Niketa Calame (Jovem Nala), Jim Cummings (Ed), James Earl Jones (Mufasa), Nathan Lane (Timão), Ernie Sabella (Pumba), Jeremy Irons (Scar), Robert Guillaume (Rafiki), Rowan Atkinson (Zazu), Moira Kelly (Nala Adulta), Whoopi Goldberg (Shenzi), Cheech Marin (Banzai), Madge Sinclair (Sarabi), Jonathan Taylor Thomas (Jovem Simba).

Elenco brasileiro: Garcia Júnior (Simba Adulto), Patrick de Oliveira (Simba criança), Jorgeh Ramos (Scar), Carla Pompilho (Nala), Paulo Flores (Mufasa), Mauro Ramos (Pumba), Pedro Lopes (Timão), Pádua Moreira (Zazu).

Acabei de voltar da sessão 3D (leia-se: mutilada) do clássico dos clássicos da Disney, mas ainda me custa a entender por que esse desenho, em detrimento de tantas produções mais criativas da mesma Disney, é tão supervalorizado pelas plateias (e até pelos críticos).

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

É óbvio que a trilha sonora é magnífica, e consegue oscilar perfeitamente entre as cenas dramáticas, de ação e de humor, como podemos ver pela leveza da música-lema de Timão e Pumba, em detrimento ao clima sombrio e ameaçador dos toques sufocantes da fuga para os espinheiros. Da mesma forma, a sequência do estouro dos antílopes consegue unir de maneira completamente orgânica o trotar das centenas de animais em disparada e o tema composto por Hans Zimmer para a cena, que evoca um misto de urgência e perigo, caindo no final, para um melancólico destoar.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Já a fotografia, marca registrada das produções 2D da Disney, consegue se expressar aqui com o uso de traços que lembram aquarela, ainda que mantenha sua precisão. E perceba como o humor de Simba e do reino de seu pai é determinante para a palheta escolhida, e perceba como o acizentado sombrio e desconfortante da morada das hienas toma o lugar que antes era cheio de cores vivas e em movimento.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Da mesma forma, o roteiro segue uma coerência inacatável, embora a força da história esteja justamente em sua simplicidade que deve conseguir tocar o coração de pessoas de todas as idades. Muitos dizem que O Rei Leão evoca um tema Shakesperiano, e muito provavelmente a alma de Shakespeare passeia pelo reino de Mufasa e seu ciclo da vida.

Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Porém, ainda que tenham passados meros 17 anos de sua estreia (pouco para se transformar realmente em um clássico), seu envelhecimento no que diz respeito ao timing cômico, ou mesmo algumas piadas (assisti à dublagem brasileira) cheiram levemente a datadas.

Mas quem sou eu para criticar um filme tão bem feito e tão amado por crianças e adultos de todas as idades.

Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas

June 1, 2011 in Cinema

Pirates of the Caribean: On Stranger Tides. EUA, 2011. Direção: Bob Marshall. Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio e muitos outros. Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Ian McShane.

Passamos ilesos por Piratas do Caribe 4. No bom e no mau sentido.

A direção de Bob Marshall resgata o antigo objetivo da Disney em transformar a atração do seu parque de diversões em um longa-metragem que tenha as mesmas características do seu “brinquedo”: um passeio que diverte em pontos estratégicos, localizados em cenários dedicados e com piratas que se parecem com “os de verdade”, porém, é claro, inofensivos. Talvez não uma mera coincidência, os trabalhos do diretor também navegam em águas mornas: acostumado com eventos episódicos típicos do gênero musical (Nine e Chicago estão em sua lista), Marshall repete o feito de nos levar por um simples passeio turístico por sets de filmagem que mal conseguem se unir para contar uma história coesa, tudo sob o rótulo de aventura.

A presença de Penélope Cruz apenas ajuda a termos essa sensação, pois suas participações com Johnny Depp revelam que ambos os personagens, inclusive Jack Sparrow, são tão artificiais quanto todo o resto da cena, causando um ar de repugnância que chega a dar saudades, acreditem só, da participação insípida de Keira Knightley. Para efeito de comparação, os diálogos do casal em constante conflito rivalizam em irritação com o casal principal de O Príncipe da Pérsia, no pior estilo do velho clichê de “eles se odeiam, por isso se amam”. Coincidência ou não, ambas as produções são da Disney.

Como se as coisas não pudessem piorar a partir daqui, dessa vez o inimigo do antigo grupo de piratas não é ninguém menos que a famigerada figura de Barba Negra, que nesse modelito, se chega a assustar, é mais fruto da limitada maquiagem do que a figura criada por Ian McShane, que infelizmente tem em suas mãos um boneco manipulado por um roteiro maniqueísta onde os inimigos possuem apenas a aspiração de serem maus como um fim em si.

Porém, pelo menos essa nova versão de Jack Sparrow se entrega novamente ao auto-deboche, o que acaba sendo o único sinal de melhora desde o fastidioso No Fim do Mundo. A própria cena final confirma o que já estava nas entrelinhas da confusa narrativa. Em um filme cujos pontos de tensão não conduzem a trama alguma e, se tentam, desistem no meio do caminho, não há, de fato, uma motivação principal por trás do desfile vazio de roupas de pirata e da mesma trilha sonora irritante invadindo toda e qualquer cenazinha de ação, sob o pretexto de, aí sim, tentar encaixar uma unidade: a de história de pirata com Jack Sparrow e muita aventura.

Infelizmente, apenas isso não sustenta uma narrativa no mínimo interessante.

Enrolados

February 16, 2011 in Cinema

A história clássica de Rapunzel é recriada com o novo senso de humor Disney/Pixar, em que o príncipe é um ladrão procurado, e a frágil princesa não é tão frágil assim.

Temos aí os mesmos elementos que tornaram a Disney tão amada pelas crianças e adultos: números musicais inspirados (com destaque para a cena do bar) e uma história sem muitos conflitos e um final feliz.

O que se estabelece com ainda mais força, contudo, são a excelente fotografia, que exibe com uma iluminação aprimorada todo o clima dos cenários criados (note o azul do lago em volta do castelo, ou a própria cor usada nos balões que voam sobre ele), e as expressões e movimentos dos personagens, mais uma marca Disney que continua os separando do resto.

Temos também uma dublagem duvidosa do príncipe (estou falando da versão em português, feita por Luciano Huck) e competente dos outros personagens, com destaque para a madrastra da princesa.

Também temos algumas cenas forçadas, que tentam livrar  a cara do roteirista que chegou em situações um tanto difíceis de sair: como a princesa desmascara sua mãe-madastra e qual o seu deus-ex-machina que não vou falar aqui, mas que é facilmente detectável.

A cena dos balões é a mais emocionante, e tem uma equiparação com a da morte do vagalume no trabalho anterior (A Princesa e o Sapo), embora Enrolados seja muito superior em termos de narrativa e primor técnico.

Pontos fortes: A animação Disney/Pixar, cada vez mais se distanciando da concorrência. Os números musicais estão ótimos.

Ponto fraco: A dublagem de Luciano Huck na versão brasileira estraga todas as piadas de Flynn Rider.