A Hora do Pesadelo

July 28, 2013 in Home Video

A Nightmare on Elm Street. EUA, 1984. Director: Wes Craven. Writer: Wes Craven. Stars: John Saxon, Heather Langenkamp, Johnny Depp.

A Hora do Pesadelo

Freddy Krueger era muito mais divertido.

Clássico de terror dos anos 80, continua envelhecendo bem, e apesar de sua ingenuidade para com o público sedento por realismo de hoje (só que sem muito sangue, por favor), estabelece o seu medo no campo dos sonhos, onde tudo é possível existir. Os efeitos não-digitais ajudam e muito a nos colocar no quarto com Marge (Ronee Blakley), Tina (Amanda Wyss), Rod (Jsu Garcia) e Glen (Johnny Depp). Quando vemos um garoto ser morto e seu sangue transbordar o teto do seu quarto, se esvaindo de baixo para cima, por mais que saibamos que esse efeito foi produzido filmando o set de cabeça pra baixo o efeito psicológico da cena permanece, pois gera a estranheza necessária do mundo dos sonhos (algo muito higienizado nA Origem de Nolan).

Mesmo assim, Freddy Krueger (Robert Englund) já não assusta mais, e é apenas instrumento do medo que brota do fato de sabermos que se ele está presente naquela realidade e ela pode ser manipulada de acordo com seu demoníaco prazer. O fato dele ir até as últimas consequências dos seus atos é a marca do terror daquela época e a fraqueza do terror de hoje em dia, acostumado a gerar tensão através de sustos fáceis e uma morte tão digital que seria melhor se não víssemos. Ainda melhor é notarmos que a maneira usada por Wes Craven para estabelecer a tensão, que dirigiu e escreveu diversos A Hora do Pesadelo e ressucitou o suspense na década passada com Pânico, foi justamente acelerar os eventos e não nos dar muita certeza do que é possível esperar dessa junção entre real e imaginário. (Mais uma vez comparando com o terror/suspense capenga de hoje, que insiste em explicar todas as regras para no final transgredi-las.)

Por fim, um trabalho completo, embora breve demais. Assistindo o original fica óbvio que ele merecia continuações. A ideia é boa demais para ser usada em apenas 90 minutos de filme.

Em Algum Lugar do Passado

July 10, 2013 in Home Video

Somewhere in Time. EUA, 1980. Director: Jeannot Szwarc. Writers: Richard Matheson (screenplay), Richard Matheson (novel). Stars: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer.

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Drama-romance e ficção científica, todos ao mesmo tempo, compostos com habilidade e harmonia.

Depois de décadas assistindo a Superman – O Filme, confesso que nas primeiras cenas de Em Algum Lugar do Passado foi difícil desassociar a figura de Christopher Reeve do kriptoniano mais famoso do Cinema. Felizmente, foi possível constatar que o talento de Reeve não se limita ao super-herói que eternizou. Digo mais: sua habilidade cômica ímpar é o que consegue balancear tão bem este drama, assim como foi no filme do homem de aço.

E o motivo do humor ser tão necessário em alguns momentos em um drama é que aqui estamos falando de uma história de peso que se traveste de ficção científica, ainda que, assim como Solaris (de Tarkóvski), seja um mero pano de fundo para uma análise profunda e atemporal dos sentimentos humanos. O plot é denso: o dramaturgo Richard Collier (Reeve) suspeita ter participado de momentos no passado longínquo de Elise McKenna (Jane Seymor), uma atriz que conheceu na noite de estreia de seu trabalho no mesmo hotel onde colheu pistas a seu respeito. Com a ajuda de auto-hipnose, Richard volta ao passado e tenta encontrá-la (ou reencontrá-la) e desvendar os sentimentos que nutre a respeito de um quadro de mais de 60 anos.

A maneira com que o diretor Jeannot Szwarc (Tubarão 2, Santa Claus) desenvolve a trama é digna de outros trabalhos de sci-fi mais ambiciosos, como De Volta para o Futuro, o já citado Solaris e Os 12 Macacos. O uso da trilha sonora temática e imortal de John Barry (saga 007) à exaustão é justificada pelo aspecto de quase-sonho da trama, que recebe apoio de uma fotografia absurdamente bela e surreal de Isidore Mankofsky, que flerta tanto com caráter onírico da experiência quanto com a visão idealista dos anos 10. Descartável dizer, esses elementos só poderiam ganhar força com um enquadramento que priorizasse os personagens em detrimento do cenário onde se encontram, algo que Szwarc faz maravilhosamente bem usando travellings seguros em torno de uma direção de arte primorosa em sua verossimilhança, com destaque para os figurinos caprichados que dão vontade de permanecermos naquela época para sempre (tanto que não nos soa estranho que o próprio Richard pense assim).

Conduzindo Miss Daisy

July 10, 2013 in Home Video

Driving Miss Daisy. EUA, 1989. Director: Bruce Beresford. Writers: Alfred Uhry (screenplay), Alfred Uhry (play). Stars: Morgan Freeman, Jessica Tandy, Dan Aykroyd.

Conduzindo Miss Daisy

Um leve e adorável drama que envelheceu muito bem.

Um filme que envelheceu bem, mas que continua enigmático em alguns sentidos (ele é, de fato, racista?). Em outros, se reforça ainda mais, como é o caso da belíssima trilha sonora, composta pelo rival de temas de John Williams, Hans Zimmer, e das interpretações de Morgam Freeman e Jessica Tandy.

Freeman estava em plena forma, e o seu Hoke Colburn possui momentos inesquecíveis de tão tenros, como o momento em que ele aprende a ler o nome de uma pessoa em um jazigo e — o meu favorito — quando ele conclui que ter alguém brigando por ele é algo “lindo”. Já Jessica Tandy faz por merecer seu Oscar de atriz principal (dois anos depois ainda seria indicada por Tomates Verdes Fritos), se entregando à degradação do tempo de sua avarenta e desconfiada Miss Daisy com uma verossimilhança e poesia tocantes. A relação entre os dois progride com um ritmo tão sincero que é irresistível não se deixar levar pela passagem do tempo.

O que nos leva à cena final, que fecha um arco iniciado décadas atrás e que é conduzido a cada passo com precisão por Bruce Beresford em um estilo que lembra um pouco a mesma virtude observada em Forrest Gump (só que de Robert Zemeckis). O envelhecimento dos personagens pode ser criticado como pouco natural, mas o comportamento dessas pessoas no decorrer das eras — onde a posição do negro na sociedade americana foi se estabelecendo — é inquestionavelmente mérito de atuação desse afiado elenco.

Harry & Sally – Feitos um Para o Outro

June 29, 2013 in Home Video

When Harry Met Sally… EUA, 1989. Director: Rob Reiner. Writer: Nora Ephron. Stars: Billy Crystal, Meg Ryan, Carrie Fisher.

Harry & Sally - Feitos um Para o Outro

Comédia romântica com arco dramático?

Nora Ephron morreu ano passado. Escreveu e dirigiu trabalhos desde os anos 80 que hoje são agradáveis passeios pelas origens da comédia romântica como hoje a vemos (ainda que algumas bem datadas, como A Difícil Arte de Amar). No entanto, “Harry & Sally”, comparado com a média das com-rom atuais, possui virtudes o suficiente para elevá-lo à categoria de grande filme.

Note como os personagens não mudam de opinião, não estão loucos por um grande amor e nem são expostos a relacionamentos passageiros para gerar ciúmes no companheiro/a. Harry é visto através da figura de um Billy Crystal sóbrio, divertido e coeso, um Bill Murray sem muito sarcasmo mas com muito carisma. Sally é uma Meg Ryan sem os trejeitos que foi adquirindo ao longo da carreira (principalmente nos anos 90). Os figurinos, a fotografia e a direção de arte dizem quase tudo o que não sai da boca desse casal. Mesmo assim, a direção segura de Rob Reiner (O Clube das Desquitadas) favorece ainda mais tomadas clássicas em torno do casal, como a já batida, mas ainda assim, imperdível, cena do orgasmo.

No caso de Harry e Sally o filme não está datado. Ele serve como experiência romântica e, mais que isso, como um documentário de uma época cheia de transformações sociais.

Os Caça-Fantasmas

January 24, 2013 in Home Video

Ghost Busters. EUA, 1984. Director: Ivan Reitman. Writers: Dan Aykroyd, Harold Ramis. Stars: Bill Murray, Dan Aykroyd and Sigourney Weaver.

Os Caça-Fantasmas

Heróis nova-iorquinos dos anos 80 ainda se sustentam.

O que torna Os Caça-Fantasmas ainda um excelente filme e nos faz acreditar em sua história é a sua entrega total ao universo criado desde o início: existem fantasmas por toda Nova Iorque e ninguém discute isso. Eles estão começando a se manifestar, e não há lugar melhor para isso do que uma biblioteca.

Mais importante do que os fantasmas, porém, é acreditarmos em um serviço que os elimine. E lá pelos dez minutos de projeção, quando já vemos o time original de caça-fantasmas formado, seu carro, seus uniformes e seu estilo — e sua empolgante música-tema — já não há mais dúvida que eles existem. O que o resto da história se preocupa em narrar, e o faz maravilhosamente bem, é discutir como eles são necessários.

Com a participação inspirada de todo o elenco — incluindo aí a “musa” Sigourney Weaver (série Aliens) e o sempre ótimo Rick Moranis (S.O.S. Tem um Louco Solto no Espaço) — o roteiro escrito por Dan Aykroyd (um dos caça-fantasmas) e Harold Ramis não deixa pontas soltas e privilegia o fortalecimento do grupo e sua inserção no universo nova-iorquino. Um espírito maligno deseja retornar de seu descanso milenar e utiliza o acúmulo de espíritos capturados pelos rapazes para conseguir se materializar. A mitologia antiga é tratada de maneira irreverente — onde até um monstro de marshmallow pode ser assustador — e funciona tão bem. Mesmo os efeitos especiais datados conseguem segurar as sequências de Ivan Reitman facilmente.

Não há essa história de sucesso na época para Ghostbusters. Suas virtudes se mantém mesmo quase 30 anos depois.

Amor à Primeira Vista

January 22, 2013 in Home Video

Falling in Love. EUA, 1984. Director: Ulu Grosbard. Writer: Michael Cristofer. Stars: Robert De Niro, Meryl Streep and Harvey Keitel.

Amor à Primeira Vista

Dromance desafiando puritanismo norte-americano.

Ulu Grosbard, falecido recentemente (2012), não fez muitos filmes. Este é um “drama romântico” “a la anos 80″ com Meryl Streep e Robert de Niro nos papéis principais e que lida com um tema ainda muito tabulizado, como podemos notar em trabalho semelhante (mas menos ousado) que Streep fará com Jack Nicholson, “A Difícil Arte de Amar“. Este “Amor à Primeira Vista” flerta o tempo todo com sua posição a respeito de relacionamentos extra-conjugais, e essa indecisão vista hoje em dia pode tanto significar uma época de transição quanto a transição dos seus próprios personagens, aos poucos aprendendo o valor da liberdade. Como fio narrativo, a indecisão de ambos funciona maravilhosamente bem como gerador de tensão.

Essa tensão pode ser sentida materialmente no valor que o tempo possui para ambos. Pelo menos dois encontros na estação um deles se atrasa e o outro precisa aguardar, lembrando que em ambas as situações o encontro entre eles é crucial para o destino de suas vidas. A rima metafória aqui é clara: o casamento pode ser um atraso em nossa vida (o que não quer dizer que seja em todas), e por isso nossa próxima companhia merece o benefício da espera, e paciência para a transição que gera nossa transformação como seres humanos.

A questão a ser notada é que, mesmo sem a certeza do que está fazendo, o filme de Grosbard alça voos mais altos através do amadurecimento do sentimento entre os dois. Se no começo parecia um capricho ambos terem se encontrado tantas vezes ao acaso, aos poucos notamos uma certa necessidade em seus personagens de evoluírem, no sentido de se livrarem das amarras convencionais do que dita o relacionamento de um casal perante a sociedade.

Embora o figurino muitas vezes seja risível (como a cena em que Streep escolhe seu melhor vestido), não há como negar a força narrativa da trilha sonora de Dave Grusin (A Primeira Noite de Um Homem), que inicia com um tom burlesco do natal (pelo menos visto hoje) e termina no próximo natal com um poder contemplativo admirável (embora flerte perigosamente perto do mesmo tom aplicado por Ennio Morricone em Cinema Paradiso).

Piegas ou não, o romance aqui existe de uma maneira não-convencional, o que para um filme de 84 merece pelo menos uma revisita.

S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço

January 21, 2013 in Home Video

Spaceballs. EUA, 1987. Director: Mel Brooks. Writers: Mel Brooks, Thomas Meehan. Stars: Mel Brooks, John Candy and Rick Moranis.

S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço

Mel Brooks cria mais uma vez um universo tão interessante quanto o parodiado.

Entendendo o ridículo em potencial da saga idolatrada de George Lucas (Star Wars, para quem não sabe), a história de Spaceballs contém o mesmo pano de fundo só que trazendo à tona o mesmo padrão já visto centenas de vezes: uma princesa sequestrada, um casamento forçado, o anti-herói que se torna digno de seu amor e por aí vai a valsa. Economizando o personagem de Luke Skywalker colocando-o no papel do próprio anti-herói (o alter-ego de Hans Solo) fica fácil enxergar que já há gorduras no próprio roteiro do filme original.

Não que Guerra nas Estrelas esteja perto de ser ruim. Longe disso. No fundo, qualquer obra de ficção, se vista com uma lupa sarcástica, tende para o ridículo, como vemos tantas vezes hoje em dia nos canais do You Tube que homenageiam filmes contemporâneos em trailers ridicularizados de cinco minutos. A comédia existe em qualquer lugar, e o grande trunfo do diretor aqui foi localizar os elementos que pareceriam mais absurdos sem prejudicar o ritmo de um longa-metragem.

No entanto, o roteiro escrito em parceria com Thomas Meehan (Annie) e Ronny Graham (da série M.A.S.H., homenageado recentemente pela série Community) vai além e utiliza metalinguagem em seus melhores momentos, o que é sinal de ótimos comediantes, que não só zombam do conteúdo alheio como sabem zombar do próprio material. Se em muitos casos isso é desculpa para realizar produções de péssimo gosto aqui é usado em preciosos momentos sem prejudicar a narrativa. (Minha cena favorita é quando eles “alugam” o próprio filme e avançam a fita para o tempo presente.)

Encontrando espaço para “homenagear” de maneira irretocável os clássicos Star Trek, Aliens e Planeta dos Macacos — embora as piadas surjam em cada contexto — a narrativa é seguida à risca e possui começo, meio e fim. Se isso é algo digno de nota hoje em dia é porque a paródia segue hoje descarrilhada em produções patéticas como Espartalhões e a série Todo Mundo em Pânico, que exploram o riso fácil (de uma plateia fácil). Felizmente temos o exemplo passado de Mel Brooks do que é parodiar sem ofender e ainda engrandecer o Cinema como uma arte que pode ser revista de inúmeras maneiras sem soar repetitivo ou apelativo.

Palhaços Assassinos do Espaço Sideral

September 22, 2012 in Home Video

Killer Klowns from Outer Space. EUA, 1988. Direção: Stephen Chiodo. Roteiro: Charles Chiodo, Edward Chiodo, Stephen Chiodo. Elenco: Grant Cramer, Suzanne Snyder e John Allen Nelson.

Pessoas com trauma com palhaços, cuidado: esse filme pode faz mal à sua saúde.

Os irmãos Chiodo — hoje praticamente desconhecidos mas responsáveis por efeitos em filmes insólitos como Um Duende em Nova York, Team America e A Hora das Criaturas — fizeram este trabalho mais em um formato laboratório de ideias bizarras do que algo que de fato pudesse conter um enredo. O igualmente bizarro é que o resultado não é tão mal assim, ou, como alguns preferem dizer, é tão ruim que acaba ficando bom.

Fica até difícil encontrar alguma cena de destaque que não revele as absurdas ideias do roteiro dos irmãos. A história toda começa quando uma estrela cadente cai em uma pequena cidadezinha. Na verdade o que “cai” é uma nave espacial no formato de circo que contém grandes palhaços com diversas armas de brinquedo que servem para transformar os seres humanos em gigantescos algodões-doces. Teoricamente o objetivo dos alienígenas de nariz vermelho é estocar uma quantidade grande desses humanos para mais tarde comê-los. Para isso invadem a cidade com um triciclo, tortas e um carro de palhaços (que, pra variar, está cheio deles).

Ignorando o fato que palhaços são, até onde se sabe, terrestres, o filme usa e abusa dos elementos desse universo, criando rimas de horror com linguas-de-sogra, figuras feitas de bexiga e pipocas. A criatividade toda foi dispensada na criação dessas piadas, além de um aprimorado trabalho de maquiagem que torna os palhaços engraçados e ao mesmo tempo assustadores. Note, por exemplo, o uso de dentes pontudos e desalinhados, o que acaba por estragar o lindo sorriso que esboçam para os humanos que encontram pelo caminho.

Cabra Marcado para Morrer

September 19, 2012 in Cinema

Idem. Brasil, 1985. Direção: Eduardo Coutinho. Roteiro: Eduardo Coutinho. Elenco: Eduardo Coutinho, Ferreira Gullar e Tite de Lemos.

O retrato do Brasil oprimido ainda hoje é bruto demais para degustar.

O documentário que Eduardo Coutinho começou a produzir nos anos 60 e que foi interrompido após o golpe militar — tendo 40% do roteiro filmado e apreendido pela polícia como material subversivo — vira um filme completo só na década de 80, com a reabertura política e o reencontro do diretor e sua película. E não apenas isso: o reencontro da história de Elizabeth Teixeira, a viúva de João Pedro, líder dos camponeses assassinado brutalmente na época, e do cinema revolucionário de Glauber Rocha que havia ficado no esquecimento.

O filme possui uma das maiores virtudes de um documentário: partir de uma história particular para o universal. O assassinato de João Pedro foi um evento que mexeu com a mulher e seus onze filhos de maneira permanente, mas também cortou as raízes de uma revolta que havia se formado contra os grandes proprietários de terra e a exploração descarada de seus trabalhadores, uma revolta que poderia ter significado uma mudança radical do panorama social brasileiro.

Para contar essa história através de lembranças os colegas de João Pedro são chamados, pessoas que haviam feito as filmagens de Cabra de 60 e interpretavam eles mesmos. O filme viaja de passado a presente com o uso da fotografia cinza e colorida de um Brasil que mudou apenas de cor. Cada personagem realiza a função de interpretar um papel do evento particular, mas também representa a função de cada um de nós em uma sociedade partida, multifacetada e que não consegue mais se reunir para reinvidicar seus fundamentais direitos.

A partir do drama pessoal de cada participante daquela história Coutinho abre uma lupa através do seu gigantesco microfone e sua equipe peregrina, que consegue arrancar frases de efeito a partir de manifestações espontâneas, e que por isso mesmo ganham uma força ainda maior. É o Brasil falando. Coutinho apenas dá o caminho.

Obs.: Em exibição com cópia restaurada no Itaú Cinemas da Augusta.

A Pequena Sereia

July 19, 2012 in Home Video

The Little Mermaid. EUA, 1989. Direção: Ron Clements, John Musker. Roteiro: John Musker, Ron Clements. Elenco: Jodi Benson, Samuel E. Wright e Rene Auberjonois.

Referência musical e artística de um filme Disney.

Uma aventura Disney no final dos anos 80 que mais uma vez encanta pelo frescor dos seus traços e pela perfeição técnica que hoje sua companheira Pixar tomou o lugar. A história da sereia-princesa que se apaixona por um humano e precisa passar por cima de seu severo pai, rei dos mares, para conseguir o que busca não é senão uma releitura mais uma vez do velho conto de fadas iniciado com Branca de Neve e os Sete Anões de 37. As imitações, no entanto, não desmerece o trabalho excepcional de uma equipe de desenhistas que conseguiu criar à mão números inteiros de música com um ritmo e uma fluidez impressionantes.