Os Caça-Fantasmas

January 24, 2013 in Home Video

Ghost Busters. EUA, 1984. Director: Ivan Reitman. Writers: Dan Aykroyd, Harold Ramis. Stars: Bill Murray, Dan Aykroyd and Sigourney Weaver.

Os Caça-Fantasmas

Heróis nova-iorquinos dos anos 80 ainda se sustentam.

O que torna Os Caça-Fantasmas ainda um excelente filme e nos faz acreditar em sua história é a sua entrega total ao universo criado desde o início: existem fantasmas por toda Nova Iorque e ninguém discute isso. Eles estão começando a se manifestar, e não há lugar melhor para isso do que uma biblioteca.

Mais importante do que os fantasmas, porém, é acreditarmos em um serviço que os elimine. E lá pelos dez minutos de projeção, quando já vemos o time original de caça-fantasmas formado, seu carro, seus uniformes e seu estilo — e sua empolgante música-tema — já não há mais dúvida que eles existem. O que o resto da história se preocupa em narrar, e o faz maravilhosamente bem, é discutir como eles são necessários.

Com a participação inspirada de todo o elenco — incluindo aí a “musa” Sigourney Weaver (série Aliens) e o sempre ótimo Rick Moranis (S.O.S. Tem um Louco Solto no Espaço) — o roteiro escrito por Dan Aykroyd (um dos caça-fantasmas) e Harold Ramis não deixa pontas soltas e privilegia o fortalecimento do grupo e sua inserção no universo nova-iorquino. Um espírito maligno deseja retornar de seu descanso milenar e utiliza o acúmulo de espíritos capturados pelos rapazes para conseguir se materializar. A mitologia antiga é tratada de maneira irreverente — onde até um monstro de marshmallow pode ser assustador — e funciona tão bem. Mesmo os efeitos especiais datados conseguem segurar as sequências de Ivan Reitman facilmente.

Não há essa história de sucesso na época para Ghostbusters. Suas virtudes se mantém mesmo quase 30 anos depois.

Amor à Primeira Vista

January 22, 2013 in Home Video

Falling in Love. EUA, 1984. Director: Ulu Grosbard. Writer: Michael Cristofer. Stars: Robert De Niro, Meryl Streep and Harvey Keitel.

Amor à Primeira Vista

Dromance desafiando puritanismo norte-americano.

Ulu Grosbard, falecido recentemente (2012), não fez muitos filmes. Este é um “drama romântico” “a la anos 80″ com Meryl Streep e Robert de Niro nos papéis principais e que lida com um tema ainda muito tabulizado, como podemos notar em trabalho semelhante (mas menos ousado) que Streep fará com Jack Nicholson, “A Difícil Arte de Amar“. Este “Amor à Primeira Vista” flerta o tempo todo com sua posição a respeito de relacionamentos extra-conjugais, e essa indecisão vista hoje em dia pode tanto significar uma época de transição quanto a transição dos seus próprios personagens, aos poucos aprendendo o valor da liberdade. Como fio narrativo, a indecisão de ambos funciona maravilhosamente bem como gerador de tensão.

Essa tensão pode ser sentida materialmente no valor que o tempo possui para ambos. Pelo menos dois encontros na estação um deles se atrasa e o outro precisa aguardar, lembrando que em ambas as situações o encontro entre eles é crucial para o destino de suas vidas. A rima metafória aqui é clara: o casamento pode ser um atraso em nossa vida (o que não quer dizer que seja em todas), e por isso nossa próxima companhia merece o benefício da espera, e paciência para a transição que gera nossa transformação como seres humanos.

A questão a ser notada é que, mesmo sem a certeza do que está fazendo, o filme de Grosbard alça voos mais altos através do amadurecimento do sentimento entre os dois. Se no começo parecia um capricho ambos terem se encontrado tantas vezes ao acaso, aos poucos notamos uma certa necessidade em seus personagens de evoluírem, no sentido de se livrarem das amarras convencionais do que dita o relacionamento de um casal perante a sociedade.

Embora o figurino muitas vezes seja risível (como a cena em que Streep escolhe seu melhor vestido), não há como negar a força narrativa da trilha sonora de Dave Grusin (A Primeira Noite de Um Homem), que inicia com um tom burlesco do natal (pelo menos visto hoje) e termina no próximo natal com um poder contemplativo admirável (embora flerte perigosamente perto do mesmo tom aplicado por Ennio Morricone em Cinema Paradiso).

Piegas ou não, o romance aqui existe de uma maneira não-convencional, o que para um filme de 84 merece pelo menos uma revisita.

S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço

January 21, 2013 in Home Video

Spaceballs. EUA, 1987. Director: Mel Brooks. Writers: Mel Brooks, Thomas Meehan. Stars: Mel Brooks, John Candy and Rick Moranis.

S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço

Mel Brooks cria mais uma vez um universo tão interessante quanto o parodiado.

Entendendo o ridículo em potencial da saga idolatrada de George Lucas (Star Wars, para quem não sabe), a história de Spaceballs contém o mesmo pano de fundo só que trazendo à tona o mesmo padrão já visto centenas de vezes: uma princesa sequestrada, um casamento forçado, o anti-herói que se torna digno de seu amor e por aí vai a valsa. Economizando o personagem de Luke Skywalker colocando-o no papel do próprio anti-herói (o alter-ego de Hans Solo) fica fácil enxergar que já há gorduras no próprio roteiro do filme original.

Não que Guerra nas Estrelas esteja perto de ser ruim. Longe disso. No fundo, qualquer obra de ficção, se vista com uma lupa sarcástica, tende para o ridículo, como vemos tantas vezes hoje em dia nos canais do You Tube que homenageiam filmes contemporâneos em trailers ridicularizados de cinco minutos. A comédia existe em qualquer lugar, e o grande trunfo do diretor aqui foi localizar os elementos que pareceriam mais absurdos sem prejudicar o ritmo de um longa-metragem.

No entanto, o roteiro escrito em parceria com Thomas Meehan (Annie) e Ronny Graham (da série M.A.S.H., homenageado recentemente pela série Community) vai além e utiliza metalinguagem em seus melhores momentos, o que é sinal de ótimos comediantes, que não só zombam do conteúdo alheio como sabem zombar do próprio material. Se em muitos casos isso é desculpa para realizar produções de péssimo gosto aqui é usado em preciosos momentos sem prejudicar a narrativa. (Minha cena favorita é quando eles “alugam” o próprio filme e avançam a fita para o tempo presente.)

Encontrando espaço para “homenagear” de maneira irretocável os clássicos Star Trek, Aliens e Planeta dos Macacos — embora as piadas surjam em cada contexto — a narrativa é seguida à risca e possui começo, meio e fim. Se isso é algo digno de nota hoje em dia é porque a paródia segue hoje descarrilhada em produções patéticas como Espartalhões e a série Todo Mundo em Pânico, que exploram o riso fácil (de uma plateia fácil). Felizmente temos o exemplo passado de Mel Brooks do que é parodiar sem ofender e ainda engrandecer o Cinema como uma arte que pode ser revista de inúmeras maneiras sem soar repetitivo ou apelativo.

Palhaços Assassinos do Espaço Sideral

September 22, 2012 in Home Video

Killer Klowns from Outer Space. EUA, 1988. Direção: Stephen Chiodo. Roteiro: Charles Chiodo, Edward Chiodo, Stephen Chiodo. Elenco: Grant Cramer, Suzanne Snyder e John Allen Nelson.

Pessoas com trauma com palhaços, cuidado: esse filme pode faz mal à sua saúde.

Os irmãos Chiodo — hoje praticamente desconhecidos mas responsáveis por efeitos em filmes insólitos como Um Duende em Nova York, Team America e A Hora das Criaturas — fizeram este trabalho mais em um formato laboratório de ideias bizarras do que algo que de fato pudesse conter um enredo. O igualmente bizarro é que o resultado não é tão mal assim, ou, como alguns preferem dizer, é tão ruim que acaba ficando bom.

Fica até difícil encontrar alguma cena de destaque que não revele as absurdas ideias do roteiro dos irmãos. A história toda começa quando uma estrela cadente cai em uma pequena cidadezinha. Na verdade o que “cai” é uma nave espacial no formato de circo que contém grandes palhaços com diversas armas de brinquedo que servem para transformar os seres humanos em gigantescos algodões-doces. Teoricamente o objetivo dos alienígenas de nariz vermelho é estocar uma quantidade grande desses humanos para mais tarde comê-los. Para isso invadem a cidade com um triciclo, tortas e um carro de palhaços (que, pra variar, está cheio deles).

Ignorando o fato que palhaços são, até onde se sabe, terrestres, o filme usa e abusa dos elementos desse universo, criando rimas de horror com linguas-de-sogra, figuras feitas de bexiga e pipocas. A criatividade toda foi dispensada na criação dessas piadas, além de um aprimorado trabalho de maquiagem que torna os palhaços engraçados e ao mesmo tempo assustadores. Note, por exemplo, o uso de dentes pontudos e desalinhados, o que acaba por estragar o lindo sorriso que esboçam para os humanos que encontram pelo caminho.

Cabra Marcado para Morrer

September 19, 2012 in Cinema

Idem. Brasil, 1985. Direção: Eduardo Coutinho. Roteiro: Eduardo Coutinho. Elenco: Eduardo Coutinho, Ferreira Gullar e Tite de Lemos.

O retrato do Brasil oprimido ainda hoje é bruto demais para degustar.

O documentário que Eduardo Coutinho começou a produzir nos anos 60 e que foi interrompido após o golpe militar — tendo 40% do roteiro filmado e apreendido pela polícia como material subversivo — vira um filme completo só na década de 80, com a reabertura política e o reencontro do diretor e sua película. E não apenas isso: o reencontro da história de Elizabeth Teixeira, a viúva de João Pedro, líder dos camponeses assassinado brutalmente na época, e do cinema revolucionário de Glauber Rocha que havia ficado no esquecimento.

O filme possui uma das maiores virtudes de um documentário: partir de uma história particular para o universal. O assassinato de João Pedro foi um evento que mexeu com a mulher e seus onze filhos de maneira permanente, mas também cortou as raízes de uma revolta que havia se formado contra os grandes proprietários de terra e a exploração descarada de seus trabalhadores, uma revolta que poderia ter significado uma mudança radical do panorama social brasileiro.

Para contar essa história através de lembranças os colegas de João Pedro são chamados, pessoas que haviam feito as filmagens de Cabra de 60 e interpretavam eles mesmos. O filme viaja de passado a presente com o uso da fotografia cinza e colorida de um Brasil que mudou apenas de cor. Cada personagem realiza a função de interpretar um papel do evento particular, mas também representa a função de cada um de nós em uma sociedade partida, multifacetada e que não consegue mais se reunir para reinvidicar seus fundamentais direitos.

A partir do drama pessoal de cada participante daquela história Coutinho abre uma lupa através do seu gigantesco microfone e sua equipe peregrina, que consegue arrancar frases de efeito a partir de manifestações espontâneas, e que por isso mesmo ganham uma força ainda maior. É o Brasil falando. Coutinho apenas dá o caminho.

Obs.: Em exibição com cópia restaurada no Itaú Cinemas da Augusta.

A Pequena Sereia

July 19, 2012 in Home Video

The Little Mermaid. EUA, 1989. Direção: Ron Clements, John Musker. Roteiro: John Musker, Ron Clements. Elenco: Jodi Benson, Samuel E. Wright e Rene Auberjonois.

Referência musical e artística de um filme Disney.

Uma aventura Disney no final dos anos 80 que mais uma vez encanta pelo frescor dos seus traços e pela perfeição técnica que hoje sua companheira Pixar tomou o lugar. A história da sereia-princesa que se apaixona por um humano e precisa passar por cima de seu severo pai, rei dos mares, para conseguir o que busca não é senão uma releitura mais uma vez do velho conto de fadas iniciado com Branca de Neve e os Sete Anões de 37. As imitações, no entanto, não desmerece o trabalho excepcional de uma equipe de desenhistas que conseguiu criar à mão números inteiros de música com um ritmo e uma fluidez impressionantes.

De Volta Para o Futuro Parte II

July 18, 2012 in Home Video

Back to the Future Part II. EUA, 1989. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd e Lea Thompson.

Continuação do jovem clássico constrói um roteiro primoroso.

Quatro anos depois do sucesso do filme sobre viagem no tempo, o diretor Robert Semeckis e seu companheiro de roteirização Bob Gale planejam uma continuação em duas partes, o que criaria um desfecho de uma trilogia em dois passos. Para isso, dois roteiros foram produzidos e filmados praticamente ao mesmo tempo.

O segundo filme, como um reflexo do primeiro, se volta para problemas que ocorrerão na família McFly 30 anos no futuro, o que implica em revisitarmos os mesmos conceitos do filme original com a grande diferença de estarmos visualizando um futuro possível para os idos anos 80, o que dá total liberdade de criação para a direção de arte, que amplia o universo do filme anterior e enriquece o atual com cores vibrantes e ideias e referências que pulam de todo lugar. É possível assistir o filme diversas vezes e ainda assim não encontrar todas elas.

A trilha sonora do mestre Alan Silvestri, agora já consagrada, recebe um tratamento alternativo, mas mantendo o tema tão vivo na mente dos fãs. A história, a princípio idêntica à primeira, se abre como em um leque e possibilidades em quatro dimensões, e é como se estivéssemos acompanhando uma história que acontece não em três lugares distintos, mas em três tempos, nessa que é a grande virtude do roteiro, que justifica sua aparente complexidade central.

De Volta para o Futuro

July 17, 2012 in Home Video

Back to the Future. EUA, 1985. Direção: Robert Zemeckis. Roteiro: Robert Zemeckis, Bob Gale. Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd e Lea Thompson.

Primeiro filme da trilogia de viagem no tempo é divertida e inteligente.

Quem nunca gostaria de conhecer seus pais na época em que se conheceram? Partindo dessa premissa, e espalhando cuidadosamente pistas e detalhes da vida do jovem Marty McFly (Michael J. Fox) e sua família, assim como dos habitantes da cidade onde moram, Robert Zemeckis e Bob Gale conseguem a partir de uma história simples envolver completamente o espectador com o destino de seu protagonista. Além disso, as referências entre as épocas são um show à parte, e boa parte do mérito da imersão da viagem no tempo também fica por conta do igualmente cuidadoso trabalho de direção de arte. Mais imersão que essa, poucos filmes no Cinema conseguem ter.

Meus Vizinhos São um Terror

July 9, 2012 in Home Video

The ‘Burbs. EUA, 1989. Direção: Joe Dante. Roteiro: Dana Olsen. Elenco: Tom Hanks, Bruce Dern e Carrie Fisher.

Comédia de Tom Hanks sobrevive na categoria “bizarrices da época”.

Especializado em comédias do absurdo, como Um Dia a Casa Cai e Quero Ser Grande, Tom Hanks aqui vive a paranoia e a maldição que acomete todo americano que tenta mudar algum hábito nativo de sua cultura, como bisbilhotar a vida dos vizinhos. Nesse sentido, faz um par curioso com Tim Allen em Um Natal Muito, Muito Louco. Contudo, a maluquice é ainda maior do que as comédias natalinas de Allen, pois estamos nos anos 80 e tudo, literalmente, pode acontecer.

Os Muppets Conquistam Nova Iorque

July 7, 2012 in Home Video

The Muppets Take Manhattan. EUA, 1984. Direção: Frank Oz. Roteiro: Tom Patchett, Jay Tarses. Elenco: Jim Henson, Frank Oz e Dave Goelz.

Os Muppets reais, de carne e… pano.

Para quem viu o novo trabalho dos Muppets ano passado deve ter percebido que a magia das trucagens dos anos 80 para fazer com que os bonecos de pano parecessem reais havia dado lugar para o uso sem imaginação da computação gráfica. É uma pena. Porém, ainda existe como colírio os musicais antigos, e da safra esse é o que melhor consegue transmitir essa magia com números protagonizados praticamente pelos bonecos! De brinde, é curioso notar toda a criatividade que Frank Oz aplica para conseguir tornar os personagens de Jim Henson tão carismáticos e multidimensionais quanto qualquer ser humano de carne e osso.