As Strippers Zumbi

July 28, 2013 in Home Video

Zombie Strippers! EUA, 2008. Director: Jay Lee. Writer: Jay Lee. Stars: Jenna Jameson, Robert Englund, Roxy Saint.

As Strippers Zumbi

Trash zumbi chega até ao sexo (finalmente!)

Até um filme amador com a premissa de strippers que são infectadas por um vírus desenvolvido pelo governo Bush e que transforma pessoas em zumbis pode ter algo de bom. E há. Em determinado momento da “trama”, uma zumbi que lê Nietche (!) se lembra de um momento em que dormia em cima da neve e observada as estrelas. Agora, já morta, se considerava parte daquele universo inanimado e infinito, e tudo fazia sentido agora. Essa passagem tão existencialista e profunda parece destacada de todo o resto do recheio de zumbis mal-formados, danças eróticas com peitos lambuzados de sangue e muita violência exacerbada e sem sentido. Mesmo assim, naquele porão sujo e mal iluminado onde as meninas realizam suas danças por uns trocados fáceis, parece coisa de gênio.

Nesse sentido, não dá pra evitar analisar as ideias do diretor/roteirista Jay Lee, que relaciona sexo e violência com a distração que o governo precisa para dar continuidade ao seu regime totalitário de morte e guerras. Não dá para julgar um filme trash que se preocupa em contextualizar ficção e crítica social, mesmo que o resultado seja um apanhado caótico de cenas. Se A Morte do Demônio não possui um pano de fundo minimamente livre do puro entretenimento (apesar de muito melhor realizado), as Strippers Zumbi merecem uma olhada. Só que bem rápida.

O Clube das Desquitadas

June 30, 2013 in Home Video

The First Wives Club. EUA, 1996. Director: Hugh Wilson. Writers: Olivia Goldsmith (novel), Robert Harling (screenplay). Stars: Bette Midler, Goldie Hawn, Diane Keaton.

Comédia romântica datada em menos de 10 anos?

Esse é um espécime da safra de comédias românticas realizadas por atrizes já em meia-idade e que serviu de contraponto para a avalanche de divórcios que o mundo estava presenciando: o casamento não era mais sagrado. Não apenas o casamento, mas nem a orientação sexual (como a filha lésbida de Diane Keaton está lá para provar) é mais algo estável e conhecido por todos.

Nesse sentido, O Clube das Desquitadas seria uma bem-vinda comédia, se não abusasse em demasiado de clichês da época que hoje o tornam mais datado do que deveria (o filme não tem nem 10 anos). Pior: utiliza performances duvidosas de ótimas atrizes para simplesmente divertir em um filme despretencioso de ideias inovadoras. Não é um desastre completo, mas poderia ser melhor aproveitado.

Vai que Dá Certo

April 6, 2013 in Cinema

Idem. Brasil, 2013. Director: Maurício Farias. Writers: Maurício Farias, Alexandre Morcilo, Fábio Porchat. Stars: Felipe Abib, Gregório Duvivier, Natália Lage.

Vai que Dá Certo

Mais um humor afetado pelo nosso mau gosto pelo Cinema.

O filme estrelado (e escrito) em partes pelo elenco do ótimo grupo de humoristas de internet Porta dos Fundos consegue ser engraçado em diversos momentos, apesar de seu tom morno durante quase todo o filme. O sucesso do humor é em boa parte devido ao carismático grupo, que naturalmente exibe um timing cômico de fazer inveja às produções da Globo Filmes. Porém, estamos falando de um filme longa metragem, e o que justamente deixa de ser engraçado é a história criada pelos três roteiristas, que se perde depois que do golpe a um carro forte arquitetado por quatro amigos de infância (e de pobreza) e por um primo de um dos integrantes.

Surgindo como elemento unificador das piadas isoladas dos seres unidimensionais que povoam a tela, o filme perde sua singela força logo após a reviravolta principal, e sofre uma morte lenta e dolorosa ao envolver um bandido nada ameaçador e situações cada vez mais impossibilitadas de nos fazer lembrar o que estamos fazendo assistindo esse filme. A sensação é de tentarmos a todo momento descobrir se há de fato uma mensagem para nos guiarmos ou se tudo não passa de uma sequência de quadros de humor televisivo.

Nunca saberemos. Terminando de maneira esquemática, estamos presos eternamente à cornucópia de clichês. Talvez seja esse o grande motivo de dois personagens discutirem a toda hora a respeito de elementos pop do Cinema (assim como os pôsteres de filmes pendurados casualmente nas paredes mais usadas). Tudo não passa de uma brincadeira desproposital e sem qualquer intenção de se transformar em um filme de verdade.

Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer

March 5, 2013 in Cinema

A Good Day to Die Hard. EUA, 2013. Director: John Moore. Writers: Skip Woods, Roderick Thorp (certain original characters). Stars: Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch.

Duro de Matar - Um Bom Dia Para Morrer

Novo duro de matar também é duro de assistir.

Digirido pelo medíocre John Moore (Max Payne) e escrito pelo problemático Skip Woods (X-Men Origens: Wolwerine), o novo filme da série Die Hard parece uma mistura de estilos que mais confunde do que inova. Há a trilha de espionagem claramente inspirada em 007 e Missão Impossível. Há os cortes, movimentos de câmera e zooms frenéticos da série Identidade Bourne. Há, sim, perseguições e explosões dignas da série original, mas que não desempenham qualquer função em uma história sem reviravoltas (foras as mais patéticas) e sem tensão (ou alguém duvida em algum momento que a dupla principal não vai se safar dos bandidos histéricos?).

De maneira curiosa, o filme nos apresenta ao filho de John McLaine (Bruce Willis), o “profissional” Jack McClane (Jai Courtney), além de tentar aqui e ali formar a composição clássica da série: “estou de férias e não quero confusão, só curtir com meus filhos”. O problema é que em nenhum momento isso funciona, pois McLaine parece disposto desde o primeiro momento a criar confusão (ou pelo menos o fraco roteiro o força a isso), e a participação de sua filha apresentada já adulta no filme anterior é periférica e apenas introduz a “trama”.

E a “trama” é algo que parece ter sido escrito no verso de um guardanapo e mantido ali até a pós-produção: um preso político precisa ser protegido para um julgamento de cartas marcadas, mas uma força especial da CIA pretende resgatá-lo e obter um suposto dossiê que envolveria a rede corrupta da justiça russa e seu oponente direto. Jack McClane pertende a essa força e John McClane pertence ao imprevisto. Ambos conversam e agem lado a lado, mas não há química de parceiros nem de pai e filho.

Não satisfeitos em criar um filme de ação menor apenas utilizando o personagem de Bruce Willis como gancho de uma série que mereceria um certo respeito por iniciar o gênero, ainda somos obrigados a engolir conceitos completamente inverossímeis a respeito de radiação, urânio e russos. A ironia é que uma produção que gasta horrores para protagonizar a destruição em massa de uma frota de veículos não se envergonhe de apresentar uma máscara que mal tapa os ouvidos como proteção contra radiação. Continuando a gafe, aparentemente existe um gás que serve como escudo instantâneo para seus efeitos. (Aposto que os japoneses matariam para obter esse gás.)

Por fim, a arrogância ensaiada no iníco e citada no diálogo de um dos bandidos russos a respeito aos poucos se assemelha a um exercício de metalinguagem, pois John Moore insiste em inserir um encontro familiar final que beira o clichê (e termina como um) que ainda aposta em uma trilha grandiosa digna dos filmes de grandes aventuras e provações dos personagens.

Com certeza esse filme deve estar em algum lugar na sala de montagem, mas ficou irreconhecível na sala de projeção.

País do Desejo

February 1, 2013 in Cinema

Idem. Brasil/Portugal, 2012. Director: Paulo Caldas. Writers: Paulo Caldas, Pedro Severien. Stars: Fábio Assunção, Gabriel Braga Nunes, Nicolau Breyner.

País do Desejo

Narrativa tem falta de ritmo para expor o óbvio conflito entre bondade e igreja.

Filmes como A Febre do Rato e O Som ao Redor possuem narrativas pouco convencionais, mas seus temas são tão bem explorados e ensinados ao espectador que não conseguimos imaginar maneira melhor de contar uma história. Que é exatamente o que não existe em País do Desejo, que articula temas complexos e polêmicos como o aborto e a castidade dos padres sem a mínima intenção de explorá-los como mereceriam.

Roberta (Maria Padilha, linda como sempre) é uma famosa artista que utiliza a música para se expressar. O passado trágico envolvendo sua mãe a torna enclausurada em sentimentos mórbidos (quer até usar um requiem, uma espécie de música mórbida, para seu próximo show). Sua relação de amizade com o Padre José (Fábio Assunção) indica sua necessidade de comunicação com o seu lado mais místico, e a fotografia que transita entre as sombras escuras de sua casa e a luz branca do sol e do quarto de hospital onde se encontra após um evento a transforma metaforicamente na figura angelical. Como contraparte, a enfermeira japonesa (Juliana Kametani) que vem cuidar da mãe do padre se veste de maneira sensual, se comporta sensualmente e gosta de provocar deixando a porta aberta do seu quarto enquanto passa creme seminua em seu corpo. Note como seu cabelo no ônibus que chega à passargada possui um aspecto de chifres. Qualquer relação dualidade anjo/diabo, por mais absurdo que possa parecer, está contido nas confusas mensagens do filme.

Já Padre José é aquela figura carismática que faz o bem aos seus fiéis pela bondade cristã de ajudar o próximo, o que o faz bater de frente com a visão sempre anacrônica da igreja, corporizada pela figura do bispo (Nicolau Breyner), seu superior, que parece convenientemente favorecer o status quo de sua religião hierárquica tanto pelos seus privilégios (que o diretor Paulo Caldas representa com um suntuoso almoço em uma suntuosa sala) quanto pela sua demonstração de poder.

Se todos esses elementos não precisassem ser mastigados pelo espectador perdidos e sem pistas em uma novela de caráter global e que nunca permite que seus personagens digam a que vieram (com a possível exceção do bispo, unidimensional à rica) o trabalho de Paulo Caldas e do roteirista Pedro Severien seria infinitamente mais ambicioso.

Porém, pelo visto, o diretor não quis entregar nada mais que os eventos enfileirados, o que parece mais material de pesquisa do que uma história pensada e trabalhada para comunicar ideias que ousam desafiar a narrativa clássica do cinema.

O Presente

January 6, 2013 in Home Video

The Ultimate Gift. EUA, 2006. Director: Michael O. Sajbel. Writers: Cheryl McKay (screenplay), Jim Stovall (book). Stars: Drew Fuller, James Garner and Abigail Breslin.

O Presente

Lição de moral envolta em filme alegórico para fazer chorar.

O filme baseado no livro homônimo de Jim Stovall — escritor cego engajado em trabalhos para deficientes — claramente tenta passar uma mensagem de caridade para com os mais necessitados. Para isso, contudo, se esquece de estabelecer uma relação afetiva com seus personagens e acaba resumindo uma sequência de eventos simbólicos que forçam a emoção do espectador pela situação em si, sem qualquer outra

A história gira em torno de Jason (Drew Fuller), um playboy irrevelante e sem personalidade que se vê diante de uma série de tarefas que deverá executar para receber a herança do seu recém-finado avô, um magnata do petróleo que construiu um império em torno do qual sua desprezível família cresceu. Acaba se encontrando acidentalmente com Emily Rose (Abigail Breslin), uma menina irritante pelos seus questionamentos autoritários e que sofre de leucemia (mais um motivo para chorarmos).

A participação de Abigail Breslin, aliás, é totalmente descartável e considero a maior inversão de expectativa do projeto: como pode a doce menina de Pequena Miss Sunshine se transformar em um ser tão irritante e continuar irritante mesmo que saibamos que ela possui pouco tempo de vida?

Porém, isso não importa. O roteiro de Cheryl McKay consegue estragar praticamente toda e qualquer surpresa que poderia surgir do testamento do avô de Jason ao utilizar situações batidas aliadas a diálogos incrivelmente pedestres, em uma tentativa desesperada de tornar as cenas mais impactantes. Quando Jason e sua namorada estão em um restaurante logo após sabermos que todos os bens do rapaz foram confiscados, é óbvio que ele não será capaz de pagar a conta. Mesmo assim McKay insiste e faz o garçom comentar que o casal não está aproveitando sua garrafa de vinho e que é uma “garrafa muito cara para seus clientes”.

Conseguindo aliar um roteiro previsível com situações improváveis, o diretor Michael O. Sajbel sequer consegue trazer coerência à passagem do tempo, pois até a barba do rapaz cresce de maneira inimaginável durante uma semana preso, nem se comparando à sua mudança em um mês como mendigo: nenhuma.

Ao transformar o avô de Jason em um vidente-defunto com o desfecho do seu testamento-vídeo, a lição de moral de Jim Stovall consegue ser ainda mais doutrinária, chegando a rivalizar com Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Infelizmente estamos a milhas de distância do poder da mensagem de Dickens com o seu Ebenezer Scrooge.

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros

December 24, 2012 in Home Video

Abraham Lincoln: Vampire Hunter. EUA, 2012. Director: Timur Bekmambetov. Writers: Seth Grahame-Smith (screenplay), Seth Grahame-Smith (novel). Stars: Benjamin Walker, Rufus Sewell and Dominic Cooper.

Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros

Filme mostra que Lincoln, antes de ser bom com palavras, era bom mesmo é com o machado.

Há uma, e apenas uma, ideia interessante por trás de todo o enredo de “Abraham Lincoln”, roteiro escrito por Seth Grahame-Smith (Sombras da Noite) baseado em seu próprio romance: a alegoria do povo do sul como vampiros que se alimentam dos seus escravos. Tirando essa semi-brilhante sacada, todo o resto parece criar uma experiência boba, infantil e que tenta justificar cenas de luta coreografadas através dos seus delírios de grandeza.

Ao tentar inserir contextualmente a história do jovem Abraham (Lux Haney-Jardine) como um idealista por um país livre — tendo um amigo negro — e estabelecendo ao mesmo tempo o conflito criado pela morte da mãe por causa de um vampiro real o filme consegue fazer florescer no menino um leve sentimento de justiça e ressentimento pelos escravocratas, sentimentos esses que serão o combustível futuro quando este estiver em uma idade pós-adolescente (Benjamin Walker).

Isso é o que acontece quando encontra Henry Sturges (Dominic Cooper) em um bar, que acaba salvando Lincoln quando este tenta pela primeira vez completar sua vingança. Henry acaba se revelando como um caçador de vampiros e mostra ao futuro presidente que ele também pode ser, desde que aprenda algumas técnicas de luta armada. Porém, o jovem Lincoln ainda mantém suas raízes de lenhador e se dá melhor com um machado, o que parece não ser um problema muito grande quando em apenas alguns minutos consegue derrubar uma árvore com mais de 30 centímetros de grossura com apenas um golpe. Daí pra frente, arrancar cabeças de vampiros não será uma tarefa tão difícil para a jovem lenda.

Aliás, esse “não tão difícil” é que coloca boa parte da narrativa perigosamente para o abismo, pois avança rapidamente na história sem qualquer empecilho — talvez apenas aguardando a chance de mostrar cenas de luta coreografadas com direito a câmera lenta à luz da lua. Para isso sacrifica passagens históricas, chegando a estabelecer o relacionamento com sua futura esposa, Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead), através de uma série de diálogos risíveis durante um baile — e assustadoramente modernos, se considerarmos que este é um filme de época (ou pelo menos acreditamos que seu idealizador tenha considerado isso). Curiosamente a facilidade com que os eventos ocorrem na história é diretamente proporcional com o nível de redundância entre roteiro e direção, como quando ao reencontrar com seu velho amigo de infância, o filme precise não apenas citar uma frase dita pela mãe de Lincoln como mostrar um flashback do momento em que isso ocorreu, sendo que havíamos visto essa cena menos de 20 minutos atrás.

Da mesma forma com que a narrativa soa artificial a todo o momento o uso excessivo de CG transforma a maioria das cenas grandiosas em cenários de sonhos idealizados, o que seria interessante caso esse não fosse o objetivo da trama, que tenta ser bem mais imediatista e dinâmica. Eu disse “tenta”, pois na maioria das vezes as cenas de ação são dessincronizadas e sem a menor noção espacial, o que aliado aos cenários já descritos nos conduz harmoniosamente pelo que esperaríamos de uma profução de baixo orçamento. O ápice da baixaria seria um estouro de cavalos, onde Lincoln e um vampiro se divertem pulando de um cavalo digital a outro em meio a um monte de poeira digital iluminada poeticamente por um sol digital se pondo.

Mas talvez o problema incurável do filme seja se levar a sério demais, colocando uma dramatização absurda em cima de um filme de monstros. É certo que diretores como George Romero faziam suas críticas sociais com zumbis utilizando a mesma receita do ad absurdum, mas ele nunca se levou tão a sério (afinal de contas, é um filme de zumbis!). Veja bem, a questão não é que todo esse discurso anti-escravidão não faça sentido com a metáfora de vampiros. É que simplesmente não há densidade o suficiente para haver um filme inteiro que explore isso. Ou, pelo menos, apenas isso.

No entanto, é o que parece sobrar no final. Pelo visto, cada vez mais a coreografia e os efeitos digitais (incluindo o 3D) prevalecem sobre uma história minimamente apresentável.

A Sombra do Inimigo

December 20, 2012 in Cinema

Alex Cross. EUA, 2012. Director: Rob Cohen. Writers: Marc Moss (screenplay), Kerry Williamson (screenplay). Stars: Tyler Perry, Matthew Fox and Rachel Nichols.

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Policial clichê decide se afastar do espectador para soar inteligente.

Alex Cross, aqui chamado de “A Sombra do Inimigo”, é daqueles filmes que apostam em sua própria esperteza. Como não poderia deixar de ser, cai em sua própria auto-indulgência e como consequência é incapaz sequer de trilhar uma narrativa decente que nos faça acompanhar o drama vivido pelo seu personagem-título.

Vivido pelo ator/diretor/roteirista Tyler Perry, o policial Alex Cross é dotado aparentemente de faculdades dedutivas que lembram Sherlock Holmes — artifício demonstrado apenas no anúncio da gravidez de sua mulher e abandonado logo depois. Junto com seu companheiro Thomas (Edward Burns) precisa investigar a origem de um quádruplo assassinato ocorrido em uma casa de um bairro milionário. Ao mesmo tempo, decide se candidatar a um cargo burocrático em outra cidade para ter mais tempo para sua família, o que o coloca na mesma situação de tantos outros policiais e o seu último caso “na ativa”.

Após se encontrar cara-a-cara com o assassino (Matthew Fox) que foi apelidado despropositadamente como Picasso por conta dos desenhos que costuma deixar na cena do crime e cuja arte remete ao estilo do pintor, Alex acaba tendo que enfrentar o ódio do sujeito de frente, pois os policiais acabam se tornando alvos acidentais. O motivo dele querer infringir dor a todas as suas vítimas nunca fica claro, mas é cristalino a sua estupidez pelo modus operandi do seu primeiro crime, onde foi deduzido pelos detetives que ao paralisar uma moça que claramente não consegue falar, Picasso torturou sua vítima para que esta “falasse” a senha do seu laptop.

No entanto, esses pequenos furos de lógica são pecadilhos perto dos diálogos completamente pedestres que somos obrigados a ouvir, entre eles “está doendo”, “te pegamos”, “isto é um estacionamento” (quando todos em volta já sabem disso) e por aí vai a valsa. Tudo isso contribui para a fragilização cada vez maior da história, que não consegue em momento algum criar um nível de tensão eficiente, pois com esses deslizes aliado ao uso de uma câmera que insiste em tremer em toda cena de ação torna muito difícil acompanharmos qualquer coisa.

Se bem que, ainda que conseguíssemos entender o que há por trás de uma trama tão básica, previsível e incoerente em todos os seus detalhes, não haveria prazer algum em constatar o óbvio.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1

November 16, 2012 in Home Video

The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 1. EUA. 2011. Direção: Bill Condon. Roteiro: Melissa Rosenberg (screenplay), Stephenie Meyer (novel). Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson and Taylor Lautner.

Finalmente entramos na reta final: que alívio!

Se pudéssemos abstrair o fato de que desde seu início a “saga” Crepúsculo não teve uma única linha narrativa que conseguisse manter de fato uma história com começo, meio e fim, seria possível dizer que “Amanhecer: Parte 1″ — penúltimo filme da série — ganha em ritmo próximo ao seu final e consegue nos fazer esquecer, através do seu design de arte mais aprimorado que seus antecessores, os vampiros brilhantes de Stephenie Meyer, que subiam em árvores como macaquinhos excitados.

Mesmo assim, é necessário adentrar na história. Vemos o casamento entre Bella Swan e Edward Cullen, envolto em uma aura de acontecimentos futuros nefastos, traduzidos por delírios de Bella, e que já cumpre parte desse futuro já na lua-de-mel do casal, quando Bella é covardemente agredida pelo seu recém-marido. E pede mais! O sexo existe e não o vemos, apenas agressão. Chega a ser sintomático: o único tema constante em todos os filmes — a tensão sexual do casal/trio — nunca se desenvolve de fato. Fica morno, e continua morno até mesmo depois do próprio ato! Um feito e tanto, se considerarmos que Kristen Stewart consegue ser sensual, como pôde ser visto na cena de dança de Na Estrada.

De qualquer forma, as cenas com os dois pombinhos aparentemente merece mais tempo de tela do que o “grande conflito” da história: Bella engravida. Em meio às agressões que sofre. (Interessante como nunca há prazer nos filmes desse casal de apaixonados.) Esse filho misto de vampiro brilhante e humana sem sal aparentemente é uma aberração que deve ser exterminada, e é isso o que os lobos sem camiseta tentarão fazer. Dois conflitos, então, surgem: 1) a gravidez perigosa de Bella, que pode matá-la — afinal, tem algo brilhante dentro de seu ventre — e 2) a ignorância dos lobos, que pretendem destruir o que não conhecem pelo bem de alguma tradição/pacto passado que pelo jeito não interessa muito para a história, assim como não interessa o recente conceito de “imprinting”, que surge aos 45 minutos do segundo tempo para criar uma expectativa idiota, descartável — pois o conflito dos lobos é descartável — e pedófila!

Talvez fosse melhor nos focarmos no não-essencial da trama: a possibilidade que um vampiro brilhante e sua amada sem sal suportassem todo esse tédio e acontecimentos previsíveis e estúpidos para finalmente apreciarem o amanhecer de um novo dia, com mais efeitos e menos história. Essa não interessa tanto assim.

Piratas Pirados!

November 4, 2012 in Home Video

The Pirates! In an Adventure with Scientists! Reino Unido/EUA, 2012. Direção: Peter Lord, Jeff Newitt. Roteiro: Gideon Defoe. Elenco: Hugh Grant, Salma Hayek e Jeremy Piven. Direção de Arte: Sarah Hauldren, Phil Lewis, Matt Perry, Matt Sanders. Fotografia: Charles Copping e Frank Passingham.

Tecnicamente impecável e com uma história de dar dó.

O nome original de “Piratas Pirados!” é algo do tipo “Os Piratas! Em uma Aventura com Cientistas!”. Ou seja, podemos deduzir daí dois pontos críticos e problemático nos dias de hoje: 1) o filme provavelmente foi criado com intenção de continuações e 2) um filme que mistura piratas e cientistas parece ter tanta certeza do que quer quanto “Cowboys e Aliens“.

A direção de Peter Lord (A Fuga Das Galinhas) auxiliado por Jeff Newitt consegue imprimir o mesmo ritmo de outras produções da Aardman, como o próprio A Fuga das Galinhas e outros ótimos exemplos como A Batalha dos Vegetais e Por Água Abaixo. Já a direção de arte encabeçada por quatro pessoas é admirável no sentido de restagar todo o universo dos piratas e inserí-lo discretamente em meio aos cenários e detalhes de figurino (como o fato da maioria da tripulação ter alguma parte do corpo faltando), além de ser soberbamente auxiliados pela fotografia espantosa da dupla Charles Copping e Frank Passingham, que conseguem criar atmosferas completamente distintas em meio ao alto-mar — com o uso de um inspirado mapa antigo — e no meio das ruas de Londres e seu aspecto enevoado e misterioso.

Já o roteiro do novato Gideon Defoe aos poucos nos leva do deslumbramento para a desilusão. Criando uma história confusa e inverossímil envolvendo piratas, Charles Darwin e a rainha da Inglaterra, a história tem a proeza de conter a maior coleção de piadas da Aardman que simplesmente não funcionam, seja por falta de timing ou por serem inseridas com elementos-surpresa que parecem tirados da manga. Quando vemos que o resultado irá dar na batidíssima lição de moral sobre o valor dos nossos entes queridos a aventura, que tinha tudo para ser uma envolvente construção de época em animação, se torna incrivelmente enfadonha.