Super 8

August 15, 2011 in Cinema

Super 8. EUA, 2011. Direção e Roteiro: J.J. Abrams. Elenco: Elle Fanning (Alice Dainard), Joel Courtney (Joe Lamb), Kyle Chandler (Jackson Lamb), Riley Griffiths (Charles), Ryan Lee (Cary), Gabriel Basso (Martin), Zach Mills (Preston), Amanda Michalka (Jen Kaznyk/AJ Michalka).

É tarefa injusta falar de Super 8 de J.J. Abrams (Lost, Missão: Impossível III , Star Trek) sem ter que enumerar todas as semelhanças/referência/homenagens que este faz para a obra de Spielberg (que aqui – coincidência? – é um dos produtores). Desde o ponto de vista das crianças até a escolha de um vilarejo com características semelhantes à cidade de E.T., somos levados por um grupo de jovens que está produzindo um filme de zumbis e acaba presenciando um acontecimento catastrófico que atinge proporções maiores que eles imaginavam a princípio, e que vai aos poucos tomando conta de toda a cidade.

Créditos: Full Trailers

 

Talvez mais do que uma referência a um filme específico, o que temos aqui seja mais uma homenagem ao próprio Spielberg, pois é fato que o tema recorrente em muitos de seus filmes seja a exploração do desconhecido fantasioso funcionando como um reflexo da própria família, que se encontra distante, e que acaba se aproximando em decorrência do próprio evento.

Porém, diferente do diretor de Contatos Imediatos de Terceiro Grau, que sempre priorizou as emoções de seus personagens e seu deslumbramento diante do desconhecido fantasioso, aqui temos muito mais uma experiência cerebral que propriamente de descobertas. O que é espantoso, pois na maior parte do tempo vemos crianças interagindo, e mesmo assim a espontaneidade surge apenas em raros momentos pontuais, tornando toda a experiência mecânica e burocrática, apesar de esteticamente impecável.

 

Créditos: Cinema em Cena

E impecável digo no sentido estético da palavra. Ao saber da época em que a história se passa através do discreto anúncio no rádio a respeito de um acidente famoso, automaticamente relacionamos o fato com a fotografia usada, adequadamente empalidecida para a época. Porém, além disso, a equipe de efeitos decidiu utilizar uma linha azul brilhante em praticamente todas as luzes em cena, o que, infelizmente, acaba revelando a todo momento, ainda que no inconsciente do espectador, que tudo não passa de um filme.

Créditos: Star Dust Trailers

Por outro lado, o uso constante de tomadas escuras e com cortes rápidos facilita o trabalho de aos poucos revelar o monstro que habita a cidade, o que possui a dupla vantagem de usar uma método muito comum da própria época que representa, quando haviam diversas limitações técnicas para produzir os efeitos visuais que hoje são lugar-comum.

Créditos: Cinema em Cena

 

Com ângulos nada imaginativos, como as panorâmicas que mostram a cidade aos poucos se tornando caótica, e a atuação mecânica da maioria do elenco, a experiência como um todo acaba se tornando um passeio turístico, não fossem algumas pontuais cenas de ação, como o ataque a um ônibus e o resgate de Alice. Além disso, o fato de Abrams sempre evitar se aproximar demais dos dramas das crianças que estamos acompanhando evita que no envolvamos assim como nos envolvíamos (novamente comparando) com o valente Elliott ou a pequena Gertie em E.T. E mesmo as inúmeras gags envolvendo o elenco jovem acaba soando previsível demais, denunciando a falta de timing cômico de Abram nas cenas das mais simples, como quando os meninos precisam arrombar um armário.

Orquestrando uma trilha sonora pouco imaginativa do começo ao fim, com exceção da cena final, que é belíssima, mas soa forçada e apelativa por não conseguir ornar com o resto da história, Super 8 acaba empolgando mesmo nos seus créditos finais, quando vemos o resultados dos esforços da equipe-mirim em produzir o seu ambicioso filme de zumbis.