Singularidades de uma Rapariga Loira

May 29, 2011 in Cinema

Idem. Portugal, Espanha, França 2009. Direção: Manoel de Oliveira. Roteiro: Eça de Queirós (conto) e Manoel de Oliveira (adaptação).

O filme 9 – A Salvação se baseia em um curta anteriormente produzido. O resultado é que temos uma história curta o suficiente para ser contada em 10 minutos ser espandida em tediosos 79 minutos.

O que se aprende nesse filme é que não se deve estender uma história, a não ser que se saiba o que se está fazendo. Infelizmente, Manoel de Oliveira nos apresenta um filme completamente diferente com a mesma peculiaridade: parece mais longo do que deveria.

O que acontece é que, para gastar o tempo, a montagem ocupa um tempo que é gasto em imagens paradas (como o horizonte da cidade onde os personagens vivem, por mais de cinco vezes mostrado em amplos segundos), mas, mesmo que isso significasse alguma coisa na narrativa, como demarcar a passagem do tempo, isso não ocorre. Avesso ao extremo, a própria passagem do tempo, quando necessária, ou se traduz em meras palavras da boca do protagonista ou quase não se percebe, de forma que não é um item com que, aparentemente, a narrativa se preocupe.

Ainda assim, se apenas isso significasse algo mais na surpresa final do “conto de 90 minutos”, valeria a pena. Infelizmente, o conto de Eça ainda parece ser uma melhor pedida.

Pontos fortes: uma fotografia adequada ao período que deseja retratar, com mesclagens entre o conteporâneo (e a atual crise de Portugal) e o período do conto de Eça.

Pontos fracos: marcação do tempo não acompanha a evolução da história, e a narrativa acaba por se tornar episódica.