Piratas do Caribe 4: Navegando em Águas Misteriosas

June 1, 2011 in Cinema

Pirates of the Caribean: On Stranger Tides. EUA, 2011. Direção: Bob Marshall. Roteiro: Ted Elliott, Terry Rossio e muitos outros. Elenco: Johnny Depp, Penélope Cruz, Ian McShane.

Passamos ilesos por Piratas do Caribe 4. No bom e no mau sentido.

A direção de Bob Marshall resgata o antigo objetivo da Disney em transformar a atração do seu parque de diversões em um longa-metragem que tenha as mesmas características do seu “brinquedo”: um passeio que diverte em pontos estratégicos, localizados em cenários dedicados e com piratas que se parecem com “os de verdade”, porém, é claro, inofensivos. Talvez não uma mera coincidência, os trabalhos do diretor também navegam em águas mornas: acostumado com eventos episódicos típicos do gênero musical (Nine e Chicago estão em sua lista), Marshall repete o feito de nos levar por um simples passeio turístico por sets de filmagem que mal conseguem se unir para contar uma história coesa, tudo sob o rótulo de aventura.

A presença de Penélope Cruz apenas ajuda a termos essa sensação, pois suas participações com Johnny Depp revelam que ambos os personagens, inclusive Jack Sparrow, são tão artificiais quanto todo o resto da cena, causando um ar de repugnância que chega a dar saudades, acreditem só, da participação insípida de Keira Knightley. Para efeito de comparação, os diálogos do casal em constante conflito rivalizam em irritação com o casal principal de O Príncipe da Pérsia, no pior estilo do velho clichê de “eles se odeiam, por isso se amam”. Coincidência ou não, ambas as produções são da Disney.

Como se as coisas não pudessem piorar a partir daqui, dessa vez o inimigo do antigo grupo de piratas não é ninguém menos que a famigerada figura de Barba Negra, que nesse modelito, se chega a assustar, é mais fruto da limitada maquiagem do que a figura criada por Ian McShane, que infelizmente tem em suas mãos um boneco manipulado por um roteiro maniqueísta onde os inimigos possuem apenas a aspiração de serem maus como um fim em si.

Porém, pelo menos essa nova versão de Jack Sparrow se entrega novamente ao auto-deboche, o que acaba sendo o único sinal de melhora desde o fastidioso No Fim do Mundo. A própria cena final confirma o que já estava nas entrelinhas da confusa narrativa. Em um filme cujos pontos de tensão não conduzem a trama alguma e, se tentam, desistem no meio do caminho, não há, de fato, uma motivação principal por trás do desfile vazio de roupas de pirata e da mesma trilha sonora irritante invadindo toda e qualquer cenazinha de ação, sob o pretexto de, aí sim, tentar encaixar uma unidade: a de história de pirata com Jack Sparrow e muita aventura.

Infelizmente, apenas isso não sustenta uma narrativa no mínimo interessante.