Paradise Now

May 8, 2012 in Home Video

Idem. Território Ocupado da Palestina/França/Alemanha/Holanda/Israel, 2005. Direção: Hany Abu-Assad. Roteiro: Hany Abu-Assad, Bero Beyer. Elenco: Ali Suliman, Amer Hlehel, Hamza Abu-Aiaash e Lotuf Neusser.

Quando é melhor o paraíso na mente do que o inferno na vida.

Não é o fato de um filme contar a história de um homem-bomba sob seu ponto de vista, algo incomum para o Ocidente, que ele se torna automaticamente uma ótima referência ao tema. Contudo, quando esse ponto de vista está embebido em melancolia e ressentimentos de uma infância que não conheceu uma realidade diferente do inferno da Guerra (inclusive com a perda do pai causada diretamente por esta), é aí que começamos a analisar se o projeto de fato merece crédito.

Cores básicas — azul, vermelho, verde — tomam conta do figurino dos personagens principais, enquanto as secas e drenadas paisagens fazem rima de um lugar nada agradável para se viver, em meio a ruínas de prédios e eventuais tiros e bombas no caminho para casa. Curiosamente, Khaled (Ali Suliman) e Jamal (Amer Hlehel), colaboradores do movimento contra a ocupação israelita na região da Palestina, decidem fazer o último esforço e morrer como heróis de um atentado contra os soldados do estado de Israel; eles se vestem de preto e branco de maneira impecável, em uma espécie de contraste que ecoa por todo o horizonte amarelado e miserável.

Conforme acompanhamos o planejamento do ataque, tanto no “plano terreno” como depois (“dois anjos virão te buscar”), não nos parece absurdo que essa realidade exista e seja tão simples de persuadir pessoas a explodirem seus corpos por uma causa nobre e além-vida. Consideramos que a infância desses rapazes se passou em um ambiente conturbado, mas pior que isso, preparado de maneira inconsciente, cultural, de forma que fosse aceita a máxima “morrer como um herói” em prol de um futuro menos árido e destrutivo. Tudo está lá, menos o bom senso, que chega tarde, ou está dormindo (“para o mal prevalecer, basta os bons não fazerem nada”). Não há alternativa sob o ponto de vista do protagonista. E nem deveria. Certos de suas razões, não há motivo para temer, mas sim se orgulhar.

Dando-nos a oportunidade de conhecer as relações do homem-suicida (família, amigos, afeto) conseguimos manter uma proximidade, essa sim inédita e digna de nota, das pessoas que se sacrificam por um ato terrorista. Nesse sentido, o filme tem o mérito de conseguir transmitir essa importante mensagem de que ideologias podem sim ser perigosas não apenas para indivíduos, mas para povos e gerações a fio. Seja religioso ou meramente político, a ideia consegue nos mover para o melhor ou para o pior do ser humano.

Nesse sentido, fazer um filme sobre homens-bomba é sim bem-vindo e digno de nota.