Namorados Para Sempre

June 8, 2012 in Home Video

Blue Valentine. EUA, 2010. Direção: Derek Cianfrance. Roteiro: Derek Cianfrance, Joey Curtis e Cami Delavigne. Elenco: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka e John Doman.

Romance realista atinge o coração de maneira melancólica.

O relacionamento entre Dean e Cindy mostrado pelas lentes de Derek Cianfrance oscila entre o peso da rotina do dia-a-dia e a leveza de quando se conheceram, tudo mais ou menos se equilibrando em um retrato intimista e não-romantizado de como é a relação de qualquer casal na vida real.

Uma fotografia triste, voltada para o azul e a falta de cores quentes, aliada com movimentos de câmera praticamente em close, privilegiam as expressões dos personagens diante de cada episódio de suas vidas e faz com que as atuações de peso de Ryan Gosling (Drive) e Michelle Williams (Sete Dias com Marylin) se sobressaiam ainda mais, nos levando a conhecê-los em suas expressões e diálogos minimalistas e ao mesmo tempo significativos. No fundo, o que esses dois fazem quase todo o tempo é nos fazer crer que aquele casal, apesar dos percalços que a vida geralmente coloca na nossa frente, fazem o melhor de si para levar suas histórias adiante.

Dean é um trabalhador simples que preza pela honestidade e os valores familiares, como podemos notar em um momento que precisa transportar a mobília de um idoso para o asilo. Cindy é uma jovem ambiciosa e que respeita a vida de casada, como podemos ver no esforço que faz para ser uma mãe e em um diálogo revelador com um ex-namorado (e como ela reage depois com seu marido). Aos poucos percebemos a armadilha que ambos acabam entrando, vítimas mais do passado e menos de suas escolhas.

Aliás, respeito é a palavra que resume bem a única postura de Cindy para com Dean, já que todo o grau de intimidade que um jovem recém-casado costuma ter parece inexistente. Por outro lado, Dean é o que mais se esforça para conseguir com que aquele relacionamento vire de fato uma família, como podemos notar na maneira como que se decepciona a cada tropeço de Cindy, seja por ter sido responsável pelo cachorro ter fugido ou pelo modo com que preparou o cereal matinal. No fim das contas, os vemos juntos, mas fica óbvio nos olhares e na dicção de ambos que algo parece que não vai bem, e note como não é necessário que se diga isso verbalmente: a fotografia triste e as atitudes falam em alto e bom som. É com essa capacidade de nos deixar íntimos do casal que torcemos por eles, torcemos para que aquela família dê certo, independente do que houve no passado.

Contudo, o tratamento realista do filme vai aos poucos revelando-nos que as coisas na “vida real” não são tão simples, e que apesar da força de vontade das pessoas, a realidade dos fatos acaba massacrando-as sem dó. É um rolo compressor, um sentimento visceral, que passa por cima das nossas maiores esperanças, construídas justamente pela belíssima entrega que, assim como visto em Antes do Pôr-do-Sol, Gosling e Williams fazem a seus trágicos personagens.

PS: Mais uma vez as distribuidoras brasileiras pisam feio na bola ao nomear esse título com o horrível, incompreensível e oportunista Namorados Para Sempre, um drama intimista que deve ter enganado muitos casais no dias dos namorados daquele ano.