Meu Malvado Favorito

November 12, 2011 in Home Video

Despicable Me. EUA, 2010. Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud. Roteiro: Cinco Paul, Ken Daurio, Sergio Pablos (história). Elenco: Steve Carell (Gru (voice)), Jason Segel (Vector (voice)), Russell Brand (Dr. Nefario (voice)), Julie Andrews (Gru’s Mom (voice)), Will Arnett (Mr. Perkins (voice)), Kristen Wiig (Miss Hattie (voice)), Miranda Cosgrove (Margo (voice)), Dana Gaier (Edith (voice)), Elsie Fisher (Agnes (voice)).

Meu Malvado Favorito é um ótimo exemplo de filme que divide opiniões, assim como Transformers: de um lado as pessoas que veem claramente uma péssima construção de história em conjunto com péssimas sequências para esta história. De outro, as pessoas que enxergam seus méritos no projeto ou 1) por gostarem do argumento desde o início ou 2) por entenderem sua proposta de uma maneira menos… crítica?

Fonte: www.filmofilia.com

O fato é que estou do lado dos que defendem a produção, pois, apesar de perceber a artificialidade em seu roteiro e a maneira capenga com que a história é desenvolvida, consigo me divertir com as inspiradíssimas piadas, mesmo que estas soem deslocadas do contexto geral. O que segue são minhas impressões à época da estreia nos cinemas.

  • No início percebemos uma certa plasticidade nos personagens e cenários, parecendo mais um jogo de videogame que um filme com movimentos próprios. Mas aos poucos vamos nos acostumando com esse estilo limitado de animação, em que a física não é muito realista.
  • A piada sobre o “Banco do Mal” (antigo Lehman Brothers) é datada, mas pode ser considerada sob vários ângulos, pois eles realizam empréstimos de um negócio geralmente sem futuro, e é curioso notar as estátuas segurando as colunas da entrada do banco, esmagando-as aos poucos.
  • Os flashbacks do protagonista e suas ideias imaginadas possuem um toque de humor negro, quando por exemplo ele imagina se livrar das meninas na montanha-russa.
  • Significativo que o raio encolhedor estava sendo desenvolvido no leste asiático? (e eles costumam “encolher” as invenções do ocidente)
  • As diferenças entre o Vetor e o protagonista se fazem sentir pelo estilo clássico e antiquado do último, conforme sua casa decorada com elementos ditos “malignos” (sofá de crocodilo, poltrona de rinoceronte, porta-casacos de cobra), detalhes demodè (carpete vermelho, maçaneta decorada das portas). O primeiro, por ser mais jovem, possui aquele estilo descolado e nerd de usar coisas com curvas mais suaves (repare a diferença no design de ambas as naves) e mais da moda (ele joga um videogame que se assemelha ao Wii).
  • Por um detalhe sutil (??) podemos ver a pirâmide roubada pintada no fundo do esconderijo de Vetor.
  • Há nitidamente uma necessidade do filme em sair sempre exagerado, seja na caracterização física dos personagens ou de suas ações (como a “coleção” de mísseis da nave do protagonista ou de seu inimigo e seus tantos lasers que preenchem uma nuvem vermelha).
  • É nesse exagero que também presenciamos as cenas mais melosas com as meninas.
  • Seria delírio meu ou a cena que os três capangas saem para comprar o unicórnio na estrada o carro vizinho tinha a Mônica do Maurício de Souza no banco de trás (menina de vermelho com coelho azul dentuço)?
  • Há tanta criatividade quanto exagero (como a forma encontrada por eles para enxergarem nos canos escuros do esconderijo de Vetor).
  • A dublagem nacional é tão carismática quanto ingênua, e trazuz os principais sentimentos do protagonista de forma inequívoca, chegando a criar um personagem complexo, o que para uma animação com esse tema é um feito e tanto.
  • A cena da barraquinha do unicórnio, além de utilizar mais uma vez o exagero, reforça o tom não-realista do desenho, pois a única coisa que sobra da barraquinha é o vendedor assustado e o unicórnio desejado.
  • Interessante notar que, apesar de muitas pontas irem se abrindo conforme o filme passa, a narrativa vai competentemente fechando todas elas, e de uma forma que nos faz aos poucos nos lembrarmos das aberturas e sabermos que está sendo feito um trabalho tão coeso quando exploratório do tema.
  • Há uma exploração de cores básicas, mas nem todas consegui identificar. Por exemplo, no túnel que leva a reunião inicial temos uma subjetiva e o tom predominante verde.
  • O sentimentalismo de algumas cenas chega a ser bem barato, mas o mais importante é que ele realmente funciona. E muito disso é graças à participação constante do dublador principal.
  • Note como todas as casas do quarteirão são iguais, menos a sombria fachada de Gru.
  • Veja a mudança que ocorre com o quarto delas, inicialmente com as camas-bomba enfileiradas na parede vazia, depois com vários desenhos, quadros e outras firulas de menininhas bonitinhas.
  • Note como a menina mais nova está sempre enaltecendo, ou até mesmo criando, o lado bom de qualquer coisa que acontece com elas. É a mais imaginativa, também.
Fonte: thecia.com

Assistindo pela segunda vez com duas semanas de espaço, dessa vez em 3D melhorado do Cinemark, que melhora seu próprio 3D, mas não chega muito perto do iMax.

  • Metade das piadinhas estilo esquete não funcionam mais (como a do Lehman Brothers).
  • O filme começa de manhã e logo depois temos uma cena com a lua aparecendo?
  • No bairro de Vetor as casas são mais espaçadas e com mais verde, dando a entender um bairro mais rico.
  • A adoção rápida e fácil (assim como a devolução) acaba por parecer sempre artificial.
  • Da mesma forma que mostrar a lua no começo pareceu forçar continuidade, vemos também o Dr. Nefatus fazer os dois tipos de robô (o discoteca, errado, e o biscoito, certo) aparentemente no mesmo dia, pois não há cortes de dia.
  • Curioso (mas não errado) como o Vetor compra os biscoito e logo em seguidos o vemos comendo pipoca assistindo televisão (isso sendo que ele já começa a comer os biscoitos assim que se despede das meninas).
  • Apesar de manipulador, a relação com as meninas tem uma crescente, e vemos os tons escuros da casa de Gru ficarem mais quentes durante essa relação, ao mesmo tempo que as cores esfriam quando ele as devolve ao orfanato. E, sim, a relação e sua aproximação funcionam, pois notamos a ausência das meninas no momento em que elas deixam de fazer parte do nosso protagonista.
  • Se ele teve que ir até o banco na primeira vez, na segunda fica mais fácil, pela TV/telefone?
  • Há uma solução rápida demais para a falta de dinheiro, e é essa rapidez que faz soar muito artificial ou desejoso de melhoras e reparos o filme inteiro.
  • Vemos na foto que temos do Vetor quando criança (com o pai dele) brincando com um peixe como se fosse um aviãozinho.
  • Além da piada fora de contexto do Poderoso Chefão (cabeça-da-barbie) temos o do Apollo 13 durante a “missão Lua” (com direito a mesmos ângulos da nave pousando em nosso satélite e a central de controles comemorando o sucesso da operação.
  • Fora algumas cenas muito piegas como “eu vou te pegar e não vou te soltar nunca mais”, o filme não é tão clichê quanto aventuras (apenas) para crianças como Chicken Little.
  • O final, que termina com com todos dançando (inclusive seu vilão) lembra filmes no estilo “poderiam ser um pouco melhor”: Quem Quer ser Milionário?