Lixo Extraordinário

February 16, 2011 in Cinema

O início e o final cercados por duas celebridades no Programa do Jô não só ilustram de maneira competente o efeito poderoso da transformação que irá ocorrer, como também conseguem a fácil identificação com o espectador através de dois elementos presentes na vida de quase todo ser humano hoje em dia: televisão e lixo.

A história sobre o artista plástico que transforma pedaços de lixo reciclável em obras de arte é o ponto de partida para a transformação das próprias pessoas que catam esse lixo. Dono de uma visão peculiar sobre toda aquela pobreza, ele próprio nasceu pobre, e aprendeu a manter a lição de que é possível transformar a realidade como quisermos.

Vendo o filme como um processo semelhante à própria reciclagem e transformação mostradas a olho nu, percebemos que a própria narrativa abraça esse conceito, recriando o aspecto do “antes e depois” com a ajuda da nossa própria memória, que por sua vez sofre o processo de reciclagem dos preconceitos que costumamos ter.

Porém, se o impacto inicial, da transformação do lixo reciclável em arte usando como modelo pessoas escolhidas do próprio grupo de catadores, já é memorável por si só, o que dizer da conclusão final, quando os quadros criados são entregues aos seus respectivos “donos”, e a mensagem que fica é imensamente maior que todo o processo: que é possível reciclar pessoas, por piores as condições que elas estejam ou pareçam estar?

Um filme para ver e rever, e rever, e rever…

Ponto forte: Estrutura narrativa.

Ponto fraco: Entrevista previamente “preparada” com os personagens, tornando o documentário um tanto artificial.