Biutiful

February 16, 2011 in Cinema

Este é mais um filme que flerta com o mundo após a morte, como o “Além da Vida” de Eastwood, mas com uma interpretação tensa de Javier Bardem (Vicky Cristina Barcelona), que faz Uxbal, um pai separado que tem que tomar conta dos dois filhos pequenos e de seus negócios escusos, como produtos falsificados por chineses semi-escravos.

Com um dom em ouvir os mortos logo antes deles passarem dessa pra melhor, ele próprio fica sabendo de sua iminente morte por conta de uma doença. Aliás, a mudança sutil, mas perceptível, que Uxbal toma diante da vida após esse fato é um dos pontos mais positivos da interpretação de Javier Bardem, que esbanja auto-controle na criação de um dos seus personagens mais densos. Note, por exemplo, sua tentativa, quase sempre lograda, de tentar se controlar perante sua mulher bipolar.

Com uma fotografia tensa, câmera tremida e um estudo de personagem que poderia ser melhor, Biutiful termina com uma semi-tensão que afoga suas premissas inicias em um semi-marasmo que prejudica sua conclusão; mas seu estilo, nunca.

Ponto forte: Javier Barden cada vez melhor.

Ponto fraco: O semi-marasmo que não termina nunca (só no final do filme).