Babe, o Porquinho Atrapalhado

January 29, 2012 in Home Video

Babe. EUA, 1995. Direção: Chris Noonan. Roteiro: Dick King-Smith (romance), George Miller (roteiro). Elenco: James Cromwell e Magda Szubanski.

Uma Revolução dos Bichos mais leve e acessível.

Babe tem ares de ser um filme bonitinho e família. Afinal de contas, por quase todo o tempo vemos animais falantes interagindo e contando a história do porquinho e suas “trapalhadas”. Porém, escondido nessa fábula moderna, e como toda fábula que se preza, o pano de fundo nos remete a discussões muito mais profundas e adultas, como o preconceito e a aceitação do diferente, além de também remeter ao Revolução dos Bichos, de George Orwell, por estabelecer também uma sociedade de animais com funções pré-definidas de acordo com sua espécie e uma certa pressão para a imobilidade social.

Além disso, também temos a primososa direção de arte, que abraça junto da fotografia o lado fantástico da narrativa e constróia uma fazenda adorável, cheio de cores e formas fascinantes, que se tornam mais fascinantes ainda com a visão dos próprios animais que nela vivem, com uma mudança de câmera constante (até porque cada um dos bichinhos tem tamanhos e pontos de vista diferentes). É quase possível sentir o cheiro de mato e admirar as paisagens do amanhecer como se estivéssemos lá.

Ao mesmo tempo, a trilha sonora, competente até nos momentos mais exagerados (mais uma vez, estamos falando de uma fábula), não torna a música-tema repetitiva, mas a encaixa nos momentos-chave, e não há momento de maior significado e profundidade do que quando um certo personagem precisa alegrar o confuso porquinho.

Com uma das sequências mais memoráveis, terminando em um plano-detalhe das mãos de um homem fechando uma cerca, Babe ficará para sempre nas mentes dos que entenderam que a história não é apenas sobre um porquinho bonitinho que fala com os outros animais, mas sobre a nossa própria visão de mundo, e das pessoas que muitas vezes de origem humilde nunca damos o necessário valor ou consideração.