Acabou

November 13, 2011 in Blogging

Já se foi mais uma Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Já dei minhas explicações de por que gosto tanto desse evento, e acredito que não preciso explicar mais. Apenas gostaria de deixar minhas impressões sobre os 13 filmes que tive o privilégio de acompanhar nessa edição.

  • O Manuscrito Perdido. Documentário luso-brasileiro filmado de forma amadorística, mas que possui uma edição curiosa e que vale a pena notar. Sem contar que sou particularmente fã de documentários, pois estes nos dão a rara chance de alargar nossos sentidos além de nossa experiência vivida (assim como viagens). Nesse caso, temos a chance de entender a percepção de um português sobre a história de colonização do Brasil e suas pesquisas nas primeiras regiões afetadas do continente. 3/5
  • A Morte de Pinochet. Mais  um documentário histórico, dessa vez chileno. A abordagem diferenciada também marca este filme, e sua visão, ainda que um pouco tendenciosa pela proporção de tempo dedicado a cada lado, consegue traçar um panorama justo da situação do país no momento delicado da morte do maior ditador que já houve entre eles. 3/5
  • Nervos à Flor da Pele. Evocativo e provocador em seu argumento, superficial no seu desenvolvimento, ainda que arrebatador na sua conclusão. No entanto, curioso acompanhar uma produção islandesa, tão rara por aqui. Sigamos em frente. 3/5
  • O Desaparecimento do Gato. O cinema argentino continua em ótimo ritmo, e essa nova película de Carlos Sorín demonstra a evolução na linguagem do país, que começa a dar saltos cada vez mais imaginativos na Sétima Arte. Uma promessa muito bem-vinda para o cinema latino. 5/5
  • Aleksander Sokurov, Questão de Cinema. O privilégio de assistir um documentário do diretor de A Arca Russa sobre os curtas e longas que este produziu foi uma experiência tão extasiante quanto tediosa, pois o filme é um porre. É daqueles exemplares que você precisa assistir, mas já sabe de antemão o que lhe espera. 4/5
  • As Flores de Kirkuk. O cinema italiano segue caminho oposto ao argentino, caindo mais no lugar-comum do que inovando, mesmo quando este tem uma história inspiradora quanto este Flores de Kirkuk, com ambições tanto no desenvolvimento de seus personagens quanto na esfera política que se ambienta. Um ponto dentro da curva. 3/5
  • La Bàs – Educação Criminal. Por outro lado, esse outro exemplar italiano consegue impressionar pela sua didática de cores e de planos, e desponta uma história no mínimo interessante que ao mesmo tempo ilustra a difícil situação dos imigrantes, e por consequência da nação que os acolhe. 4/5
  • Laços Humanos. Um dos inúmeros exemplares de Elia Kazan que circularam na mostra desse ano. Nesse caso temos um filme tão evocativo quanto inteligente, que nunca soa piegas em situações que poderiam facilmente cair no lugar-comum. Um exemplo de utilização de personagens para ilustrar um momento histórico e econômico de um povo inteiro. 5/5
  • Hanami – Cerejeiras em Flor. Revi essa exelente amostra da safra de 2008 do cinema alemão no vão livre do Masp, que continua em franco crescimento depois que resolveram abrir algumas feridas em sua história recente (o nazismo é a mais visível). O expressionismo continua em alta, e a sutileza dessa história é o que mais a torna emocionante. 5/5
  • Jovens Modernos. Um documentário musical francês, que confessa através do seu protagonista a falta de criatividade no panorama europeu quando é comparado com o norte-americano. Também dá umas pinceladas diferentes em torno do que seria a arte na Ásia (em especial na China) nos próximos anos. 4/5
  • Fora do Figurino. Mais um documentário, dessa vez nacional, sobre o sistema métrico inexistente de nossas roupas. É simples, direto e didátivo, além de divertido em pontos específicos. Facilmente palatável. 4/5
  • Maria My Love. O cinema independente americano possui muitas virtudes, e nem todas elas aparecem  nesse longa protagonizado e dirigido quase completamente por novatos, mas que impressiona pela qualidade técnica, ainda que a narrativa deixe a desejar nas invencionisses comuns à “cultura Indie”. 3/5
  • Shocking Blue. O cinema Holandês surpreende com este drama que, embora se arraste em sua conclusão, possui virtudes estéticas admiráveis. Infelizmente, evita dar voos mais altos, o que poderia torná-lo mais interessante e menos cansativo. 3/5

Por esse ano é só

 

E assim termina a exposição de filmes vindos de todas as partes do mundo e começa a corrida para o Oscar, menos empolgante e mais decepcionante. Aguardemos por pelo menos um show mais decente do que o desse ano.