Three Times

April 10, 2012 in Home Video

Zui hao de shi guang. França/Taiwan, 2005. Direção: Hsiao-hsien Hou. Roteiro: T’ien-wen Chu, Hsiao-hsien Hou. Elenco: Qi Shu, Chen Chang e Fang Mei.

“Dê seu preço. Eu quero vender minha alma. Sem passado. Sem futuro. Apenas um ganancioso presente.”

Há uma unicidade entre as três histórias contadas em Three Times que consegue ser percebida tanto pelas suas semelhanças quanto pelas diferenças. O uso de fotografias diferentes — mas todas belíssimas — para distinguir as três épocas onde as história se passam é um meio de diferenciar que acaba juntando exatamente pelas belas cores utilizadas apropriadamente em cada situação: o belo é o elemento de união. Elementos mais óbvios como figurino e direção de arte também executam sua função divisora, mas ao unir os episódios em torno de dois carismáticos atores Zui hao de shi sabe que conseguirá acertar em cheio o tom de universalidade dos temas, por mais espaçados e únicos que eles sejam.

Até porque, em sua essência, o filme como um todo fala sobre o tempo e como ele influencia as pessoas nos elementos mais simples, como a comunicação, seja ela por carta tradicional ou uma mensagem de texto dos tempos atuais. O que diferencia nossa perceção nem é a mensagem em si, mas o tempo que ela leva para chegar ao receptor.

Iniciando com a história apaixonante do jovem casal em uma visão idealizada do amor — repleta de ótimas músicas da época que refletem exatamente isso — Zui hao sabe que haverá um eco simétrico e revelador na parte final, passada nos tempos atuais entre um fotógrafo e uma cantora. Enquanto isso, a história do meio, mais antiga, mostra elipses imensas, de meses, além de usar de maneira inteligente a técnica do cinema mudo, ao tirar a voz da boca dos personagens e colocar em um letreiro que também lembra um pergaminho, referenciando que naquela época não tínhamos gravações de voz, e cada palavra era importante, ou cada diálogo, espaçado demais.

Porém, a verdadeira maestria da montagem reside no ato final, onde temos exatamente o oposto: nossos pensamentos, falas e textos trafegam tão rápido, a informação que nos chega é tão instantânea, que nos escapa de nós mesmos, deixando-nos atrasados em relação à nossa própria fala. É por isso que só ouvimos as palavras de nossos personagens após seus lábios começarem a se mexer ou até mesmo a digitar. Se por um lado a primeira história era a mais romântica, não há mensagem filosófica mais poderosa e poética do que essa.