Beleza Adormecida

April 5, 2012 in Cinema

Sleeping Beauty. Australia, 2011. Direção e Roteiro: Julia Leigh. Elenco: Emily Browning, Rachael Blake e Ewen Leslie.

Sonhos de uma noite de sexo não-selvagem.

Quadros episódicos e geralmente com a câmera parada foram a forma da diretora/roteirista aumentar nossa cumplicidade com a protagonista absoluta Lucy (Emily Browing, de Desventuras em Série e X-Men Primeira Classe). O fato do ritmo do filme ser mais lento não é para que fiquemos com sono, mas que olhemos com mais atenção ao que está acontecendo de fato, e não apenas na superfície. Assim como as paredes invisíveis de Dogville estamos testemunhando essas cenas que poderiam muito bem ter acontecido na vida real, com a diferença que na vida real ninguém ficaria sabendo. A fotografia triste e que ao mesmo tempo evoca um ambiente onírico parece querer dizer que essa realidade, ainda que triste, não pode mudar por causa de seus personagens e não de suas situações.

Lucy é uma estudante que realiza diferentes trabalhos e atividades para (aparentemene) conseguir dinheiro, como ser cobaia de um laboratório e faxineira em uma lanchonete. Porém, além disso, não há nada mais que defina Lucy, como seus amigos ou suas relações. Quando a vemos iniciar atividades menos louváveis como vender seu corpo para bizarros clientes de sua cafetina acabamos por conhecer seu corpo melhor do que ela mesma, e talvez esse seja o grande drama exposto na tela, representado da icônica de a sempre vermos a partir de uma determinada parte do filme mais dormindo do que acordada.

Quem sabe, talvez, estar dormindo não seja o estado normal de Lucy, e nós é que estamos sonhando?

Pontos fortes: atuação de Emily Browning, fotografia, direção.
Pontos fracos: roteiro.