Insônia

April 1, 2012 in Home Video

Insomnia. EUA, 2002. Direção: Christopher Nolan. Roteiro: Hillary Seitz. Elenco: Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank.

Sempre é possível fazer um belo filme em gêneros desgastados pela indústria.

Em um momento em que Hollywood se esqueceu que os bons policiais/suspenses quase sempre vem dotados de uma carga dramática e multidimencional em seus personagens, o segundo trabalho de Christopher Nolan na direção vem lembrar aos cinéfilos que é possível construir uma narrativa inteligente e ainda assim ser envolvente pela sua ação.

Fazendo como David Fincher em Os Homens que Não Amavam as Mulheres e refazendo um longa sueco (na verdade, também norueguês) de 1997, a história gira em torno de uma cidade em que o sol não se põe (no original, na Noruega, aqui, no Alaska) e um crime envolvendo uma jovem brutalmente assassinada. Quando os detetives Will Dormer (Al Pacino) e Hap Eckhart (Martin Donovan) chegam ao local, no entanto, o clima de tensão já estava no ar e apenas piora em terra.

Sem revelar spoilers fica difícil falar sobre a trama, mas podemos dizer que a relação entre Al Pacino e o misterioso assassino consegue produzir as melhores cenas, cheias de significado.

Pontos fortes: direção, roteiro, trilha sonora, atuações, fotografia.
Pontos fracos: praticamente nenhum.

Jogos Vorazes

April 1, 2012 in Cinema

The Hunger Games. EUA, 2012. Direção: Gary Ross. Roteiro: Gary Ross, Suzanne Collins. Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson e Liam Hemsworth.

A estrutura social e política como pano de fundo para o entretenimento macabro.

Há ótimas ideias em Jogos Vorazes, produção baseada no romance homônimo de Suzanne Collins (que também participa do roteiro) e que deve ser o primeiro de uma trilogia. Ambientado em um mundo futurista, mas devidamente verossímil, apresenta a delicada situação de 12 distritos que, após perderem uma tentativa de revolução contra o governo dominante, se veem sujeitos a sacrificar um casal de jovens anualmente em uma batalha por sobrevivência em uma floresta manipuladamente inóspita cujo objetivo é condecorar o último ser humano que restar.

Acompanhamos essa história através dos olhos de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, vinda dos ótimos Inverno da Alma e X-Men First Class), uma moradora do Distrito 12 junto com sua irmã caçula e sua ausente mãe. A história dessa família e dos próprios distritos são apresentados au passant, pois o filme se foca muito mais em descrever a vida dos organizadores dos jogos do título, e como isso destoa completamente da visão dos jovens apropriados para essa diversão alheia.

E não há o que reclamar: o design de arte da produção é detalhista em tornar aquele mundo tão fascinante quanto impessoal. Note os largos aposentos (como o quarto de Katniss) sendo usados meramente como artefatos de exibição do poder que é esbanjado por aquelas pessoas.

Ainda que o foco da história fosse justamente os tais jogos é o acompanhamento deles pelso que estão de fora que se torna mais interessante no decorrer da jornada, como podemos notar pelo dramático momento da morte de um personagem que gera uma convulsão popular que não apenas enriquece a trama como dá pistas do que pode vir a ser os outros filmes.

Pontos fortes: idéias por trás da história, design de arte, fotografia.
Pontos fracos: lacunas na história, passagem do tempo durante os jogos.

The Mysteries of Snæfellsjökull

April 1, 2012 in Home Video

Le mystère du Snæfellsjökull. França/Islândia, 2009. Direção e Roteiro: Jean-Michel Roux.

Forçando a barra para o oculto em 46 minutos.

Esse média-metragem islandês procura mostrar a história de uma região no país em que, de acordo com “relatos” e com a declaração e Júlio Verne de que ali seria o ponto de entrada para o centro da Terra, é um lugar de concentração de energias e poderia muito bem ser o ponto de contato com extraterrestres.

Oscilando relatos com canções da cultura, somos guiados sempre pela visão de pessoas que, de uma forma ou de outra, querem acreditar que o local é mais do que parece, escondendo seus segredos para os céticos e se abrindo para os que verdadeiramente veneram o que a região representa.

Parecendo um pouco canalhesco em suas opiniões unilaterais, no fundo pode ser considerada uma crítica velada sobre crenças exarcebadas da humanidade, ou, por outro lado, uma espécie de homenagem às pessoas que decidiram nutrir suas vidas com os mistérios não resolvidos de sua existência.

Pontos fortes: paisagem do próprio ambiente, músicas da cultura local.
Pontos fracos: opiniões enviesadas, modo desonesto de conduzir o ponto de vista do espectador.