El Mariachi

February 25, 2012 in Home Video

Idem. EUA, 1992. Direção e Roteiro: Robert Rodriguez. Elenco: Carlos Gallardo, Consuelo Gómez, Jaime de Hoyos.

“Cães de Aluguel” de Robert Rodriguez impressiona mais pelo orçamento, mas diverte com o estilo do diretor.

A estreia de Robert Rodriguez (Sin City, Machete) foi com este El Mariachi, que lhe custou, de acordo com a lenda, $7000, gastos quase todo para o filme da câmera.

Valeu a pena. Com o uso da película e de uma impressionante realidade alternativa em uma cidade comandada por um chefão que se veste de branco e que possui tiques de mafioso, Rodriguez dita o tom não só de seu filme-debut, como praticamente de todos os filmes dirigidos por ele até então, bons ou ruins. E é preciso dizer: El Mariachi pode não ser uma obra prima, mas pela maneira com que foi filmada, escrita e produzida, pode ser usada sim como exemplo de como fazer cinema com poucos recursos.

Psicopata Americano

February 25, 2012 in Home Video

American Psycho. EUA, 2000. Direção e Roteiro: Mary Harron. Elenco: Christian Bale, Justin Theroux, Josh Lucas.

Christian Bale matou um monte de gente. E isso é ótimo!

Existem vários exemplos de serial killers organizados na literatura e no cinema/tv, como Kevin Costner em Mr. Brooks (Instinto Secreto) e o mais famoso Michael C. Hall como Dexter Morgan. Porém, pouco se vê dos assassinos que são facilmente pegos exatamente porque não possuem disciplina e ordem: matam as pessoas de qualquer forma. Não possuem método: possuem impulso.

Christian Bale é esse exemplo nesse Psicopata Americano, que deixa muitas questões, mas não deixa dúvidas de que não existe nenhum tipo de lógica na cabeça do indivíduo, ou pelo menos essa lógica não se mantém intacta por muito tempo. Tendo impulsos assassinos constantes, a convivência com as pessoas torna-se um desafio. Tendo cada vez mais seus impulsos narcisistas desafiados (como o filme demonstra muito bem em uma cena envolvendo cartões de visita), o momento da explosão é sublime, surreal, magnífico.

A Invenção de Hugo Cabret

February 25, 2012 in Cinema

Hugo. EUA, 2011. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: John Logan. Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sasha Baron Cohen.

O novo filme de Scorsese brinca com outro gênero em outra linguagem.

Hugo é o primeiro filme em 3D do mestre Scorsese e, é preciso dizer, nesse caso o uso da tecnologia é totalmente justificado. Abordando uma história que gira em torno do cinema e seus primórdios, a ideia de “separar” a criação de filmes antigos do próprio filme cria um exercício metalinguístico admirável e uma aventura extremamente emocionante.

Ainda mais um pouco sobre a linguagem aplicada, esse 3D é muito bem feito, e difere de filmes anteriores principalmente pela velha questão do foco. Em Avatar, por exemplo, último exemplo que me lembro de 3D “de verdade”, James Cameron ainda aplica o foco de maneira binária nos personagens, se esquecendo que estamos em um cenário com profundidade de campo variável. Já em Hugo o que ocorre é uma perda gradual de foco, com o fundo ficando aos poucos “embaçado”, ou seja, uma simulação de mais ou menos como nossos olhos funcionam em um ambiente como no mundo real.

Além disso, o uso de engrenagens e tomadas internas com longos corredores consegue ajudar a nos ambientar nessa profundidade de campo facilmente, e embora esse recurso seja repetido meio à exaustão, ele é importante para nos situarmos no universo do protagonista. Mesmo as tomadas externas, ainda sofrendo a limitação de em 3D assemelharem-se a maquetes, dentro do espírito fabuloso da narrativa encaixa-se perfeitamente.

Porém, mais do que um filme que homenageia o Cinema, Hugo pretende contar uma história, e essa não funciona tão bem, apesar de ideias e momentos icônicos existirem salpicados durante todo o trajeto. Pra começar, Hugo não é o garoto carismático que o roteiro talvez precisasse de fato, e as provações pelos quais ele passa não o tornam um personagem mais dramático. Aliás, nem as passagens mais leves o tornam mais cômico. Tudo parece surgir como um ensaio para a história real, porque nada adquire peso até que se comece a falar de cinema.

Além do mais, os conflitos principais da história não se sustentam, virando em vez disso meras distrações. O próprio inspetor que persegue Hugo pela estação ferroviária, o sempre eficiente Sasha Baron Cohen, vem em uma versão reduzida, limitada, e não consegue fazer rir como em seus personagens habituais. E se a interpretação de Asa Butterfield como Hugo soa apática e sem quaisquer atrativos, sua companheira Isabelle (Chloë Grace Moretz, de Kick-Ass) se sai infinitamente melhor, mas ainda assim o conceito de filme infantil parece perturbar a cabeça do diretor.

Por fim, mesmo com esses óbvios problemas de caráter burocrático para que o filme conte sua grande história, o fato é que, chegando lá, ele funciona impecavelmente bem, levando facilmente o espectador a esquecer que está em uma sala de projeção e a viajar pela história de um dos criadores da arte de contar histórias. Essas sim, deliciosamente fantasiosas.