As Mulheres do Sexto Andar

February 29, 2012 in Cinema

Les femmes du 6ème étage. França, 2010. Direção: Philippe Le Guay. Roteiro: Philippe Le Guay e Jérôme Tonnerre. Elenco: Fabrice Luchini, Sandrine Kiberlain e Natalia Verbeke.

Histórias Cruzadas francês encanta pela simpatia e diverte pelas piadas do absurdo.

Filme flerta com um evento interessante ocorrido na França dos anos 60 e que curiosamente está ocorrendo nesse momento na esfera da “sofrida” classe média brasileira: o abandono cada vez maior das empregadas domésticas locais e a ascenção de alternativas, como imigrantes de países vizinhos, notadamente em situação econômica mais fragilizada. Pior: flerta, assim como o recente premiado Histórias Cruzadas, com a figura de um empresário que começa a se preocupar com a classe que o serve. Principalmente, é mérito dizer, com a beleza e prestatividade da nova empregada, a espanhola María Gonzalez (Natalia Verbeke).

Com um ritmo agradável e piadas que apelam para o absurdo de situações, o filme se beneficia imensamente pelo carisma e simpatia de seus personagens, notadamente um grupo de mulheres que vivem para satisfazer seus empregadores com tarefas domésticas, mas que, assim como todos, sonham com melhores condições de vida em sua terra natal, a Espanha.

Com um final mais longo do que deveria, As Mulheres do 6o. Andar é um filme agradável e ao mesmo tempo esquecível, apesar de conter em sua história elementos inseridos de forma sutil o suficiente para chamar a atenção para si mesmo.

Livros sobre Cinema Brasileiro disponíveis para download gratuito

February 28, 2012 in Blogging

O portal Universia Brasil disponibilizou livros em formato PDF para download gratuito (e legal) para quem deseja se aprofundar mais sobre cinema. Entre os livros se encontra O Cinema Além das Montanhas, do crítico Pablo Villaça sobre Helvécio Ratton.

El Mariachi

February 25, 2012 in Home Video

Idem. EUA, 1992. Direção e Roteiro: Robert Rodriguez. Elenco: Carlos Gallardo, Consuelo Gómez, Jaime de Hoyos.

“Cães de Aluguel” de Robert Rodriguez impressiona mais pelo orçamento, mas diverte com o estilo do diretor.

A estreia de Robert Rodriguez (Sin City, Machete) foi com este El Mariachi, que lhe custou, de acordo com a lenda, $7000, gastos quase todo para o filme da câmera.

Valeu a pena. Com o uso da película e de uma impressionante realidade alternativa em uma cidade comandada por um chefão que se veste de branco e que possui tiques de mafioso, Rodriguez dita o tom não só de seu filme-debut, como praticamente de todos os filmes dirigidos por ele até então, bons ou ruins. E é preciso dizer: El Mariachi pode não ser uma obra prima, mas pela maneira com que foi filmada, escrita e produzida, pode ser usada sim como exemplo de como fazer cinema com poucos recursos.

Psicopata Americano

February 25, 2012 in Home Video

American Psycho. EUA, 2000. Direção e Roteiro: Mary Harron. Elenco: Christian Bale, Justin Theroux, Josh Lucas.

Christian Bale matou um monte de gente. E isso é ótimo!

Existem vários exemplos de serial killers organizados na literatura e no cinema/tv, como Kevin Costner em Mr. Brooks (Instinto Secreto) e o mais famoso Michael C. Hall como Dexter Morgan. Porém, pouco se vê dos assassinos que são facilmente pegos exatamente porque não possuem disciplina e ordem: matam as pessoas de qualquer forma. Não possuem método: possuem impulso.

Christian Bale é esse exemplo nesse Psicopata Americano, que deixa muitas questões, mas não deixa dúvidas de que não existe nenhum tipo de lógica na cabeça do indivíduo, ou pelo menos essa lógica não se mantém intacta por muito tempo. Tendo impulsos assassinos constantes, a convivência com as pessoas torna-se um desafio. Tendo cada vez mais seus impulsos narcisistas desafiados (como o filme demonstra muito bem em uma cena envolvendo cartões de visita), o momento da explosão é sublime, surreal, magnífico.

A Invenção de Hugo Cabret

February 25, 2012 in Cinema

Hugo. EUA, 2011. Direção: Martin Scorsese. Roteiro: John Logan. Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sasha Baron Cohen.

O novo filme de Scorsese brinca com outro gênero em outra linguagem.

Hugo é o primeiro filme em 3D do mestre Scorsese e, é preciso dizer, nesse caso o uso da tecnologia é totalmente justificado. Abordando uma história que gira em torno do cinema e seus primórdios, a ideia de “separar” a criação de filmes antigos do próprio filme cria um exercício metalinguístico admirável e uma aventura extremamente emocionante.

Ainda mais um pouco sobre a linguagem aplicada, esse 3D é muito bem feito, e difere de filmes anteriores principalmente pela velha questão do foco. Em Avatar, por exemplo, último exemplo que me lembro de 3D “de verdade”, James Cameron ainda aplica o foco de maneira binária nos personagens, se esquecendo que estamos em um cenário com profundidade de campo variável. Já em Hugo o que ocorre é uma perda gradual de foco, com o fundo ficando aos poucos “embaçado”, ou seja, uma simulação de mais ou menos como nossos olhos funcionam em um ambiente como no mundo real.

Além disso, o uso de engrenagens e tomadas internas com longos corredores consegue ajudar a nos ambientar nessa profundidade de campo facilmente, e embora esse recurso seja repetido meio à exaustão, ele é importante para nos situarmos no universo do protagonista. Mesmo as tomadas externas, ainda sofrendo a limitação de em 3D assemelharem-se a maquetes, dentro do espírito fabuloso da narrativa encaixa-se perfeitamente.

Porém, mais do que um filme que homenageia o Cinema, Hugo pretende contar uma história, e essa não funciona tão bem, apesar de ideias e momentos icônicos existirem salpicados durante todo o trajeto. Pra começar, Hugo não é o garoto carismático que o roteiro talvez precisasse de fato, e as provações pelos quais ele passa não o tornam um personagem mais dramático. Aliás, nem as passagens mais leves o tornam mais cômico. Tudo parece surgir como um ensaio para a história real, porque nada adquire peso até que se comece a falar de cinema.

Além do mais, os conflitos principais da história não se sustentam, virando em vez disso meras distrações. O próprio inspetor que persegue Hugo pela estação ferroviária, o sempre eficiente Sasha Baron Cohen, vem em uma versão reduzida, limitada, e não consegue fazer rir como em seus personagens habituais. E se a interpretação de Asa Butterfield como Hugo soa apática e sem quaisquer atrativos, sua companheira Isabelle (Chloë Grace Moretz, de Kick-Ass) se sai infinitamente melhor, mas ainda assim o conceito de filme infantil parece perturbar a cabeça do diretor.

Por fim, mesmo com esses óbvios problemas de caráter burocrático para que o filme conte sua grande história, o fato é que, chegando lá, ele funciona impecavelmente bem, levando facilmente o espectador a esquecer que está em uma sala de projeção e a viajar pela história de um dos criadores da arte de contar histórias. Essas sim, deliciosamente fantasiosas.

Monstros S/A

February 19, 2012 in Home Video

Monsters, Inc. EUA, 2001. Direção: Pete Docter (co-diretores David Silverman e Lee Unkrich. Roteiro: Pete Docter, Jill Culton, Jeff Pidgeon, Ralph Eggleston.

Os princípios da Pixar fizeram um filme que anda envelhecendo bem.

Interessante notar como a Pixar em seus primeiros filmes costumava inserir brincadeiras que, de certa forma, acusavam o espírito jovem e experimentador daqueles tempos. Mais impressionante, porém, é perceber como esse deve ter sido a semente para o amadurecimento da técnica antes de filmarem jovens clássicos como Os Incríveis, Wall-E, Ratatouille e Up!.

Em Monstros S/A, é preciso lembrar, ainda estamos engatinhando nas animações computadorizadas para o cinema. Mas a passos largos. A grande novidade na época era a perfeição do efeito dos pelos de Sulley, um dos monstros da história que possui a função de assustar as crianças e assim poder coletar seus “gritos” em uma forma de energia que é usada no mundo dos monstros. Apesar de datado, a premissa do filme consegue ser uma das mais originais de todas as obras da Pixar, e seu personagem humano, uma garotinha apelidada de Boo que acaba entrando sem querer no mundo dos monstros, continua adorável, além de particpar das cenas mais emocionantes do longa.

Outro detalhe admirável é entender que entre os princípios de criação do estúdio estava o uso de temas e situações que nunca ficam datadas, servindo para que seus filmes envelheçam bem. No caso de Monstros S/A, isso continua funcionando bem, apesar de algumas referências já mais passadas e da perigosa dublagem brasileira que utiliza maneirismos na língua que logo estarão ultrapassadas.

O Corajoso Ratinho Despereaux

February 19, 2012 in Home Video

The Tale of Despereaux. Reino Unido/EUA, 2008. Direção: Sam Fell e Robert Stevenhagen. Roteiro: Gary Ross.

Direção de arte notável em mais um filme de ratinho.

Essa animação de 2008 passou meio que despercebida dos cinemas, apesar de possuir uma invejável direção de arte. Narrando uma fábula ocorrida na França antiga que relaciona sopa, princesas e ratos (dividindo-se em camundongos e ratazanas), o principal fator que move o filme é a pseudo-grandiosidade da história, onde um simples e pequeno camundongo recebe a missão de acabar com o luto interminável do rei, causado tempos atrás por um acidente causado por uma ratazana. A grande sacada da história é que o Despereaux do título é um camundongo que, além de ter duas gigantescas orelhas, diferente de todos os outros, nunca sente medo. Esse traço de sua personalidade irá permitir que ele transite entre os três mundos (dos humanos, das ratazanas e dele mesmo) e junte as peças da fábula.

Sustentando-se com apenas essa premissa, a história do ratinho pode-se tornar tediosa até mesmo diante de sua curta duração. Até porque, francamente, não existem sequências inspiradas, e até mesmo as situações de perigo do pequeno camundongo (e são muitas) não conseguem animar muito a trama. De certa forma, a tristeza do reino sem sopa é refletida nas cores sombrias e vazias de sua fotografia e de sua história.

Pinóquio (2002)

February 19, 2012 in Home Video

Pinocchio. Itália/EUA, 2002. Direção: Roberto Benigni. roteiro: Roberto Benigni, Vincenzo Cerami. Elenco: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Carlo Giuffrè.

Benigni depois de A Vida é Bela perde o foco readaptação de obra infantil.

Essa versão da obra literária de Carlo Collodi (e cuja história foi eternizada por Disney em 1940) foi dirigida, co-roteirizada e atuada pelo ator circense Roberto Benigni (A Vida é Bela). Embora o uso da abordagem literal, ou seja, sem nenhuma ressalva ao possível choque para o público infantil, poderia ter sido a grande diferença do filme em relação às suas contrapartes, desde os primeiros quinze minutos fica óbvio que se trata de um projeto desnecessário, ainda mais se considerarmos os poucos recursos utilizados, que limitam sim a imaginação dos espectadores, considerando que se trata de um filme contemporâneo, e não estamos acostumados a fazer ressalvas como no caso do Mágico de Oz, obra mais antiga e, portanto, limitada tecnicamente (note que falo apenas dos efeitos visuais, pois existem obras seculares que até hoje impressionam pelas técnicas de filmagem empregadas).

Dito isso, é inegável que o filme possui seu próprio formato que funciona dadas suas devidas proporções (e limitações). Isso não quer dizer, no entanto, que ele inclua algo de novo, algo que, encontrado pelos cinéfilos, faça valer a pena a experiência. Em suma, ele se torna uma versão pseudo-adulta de um livro para crianças. Com bons momentos, é verdade, mas ainda limitado em seu formato e objetivos.

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011)

February 19, 2012 in Cinema

The Girl with the Dragon Tattoo. EUA, 2011. Direção: David Fincher. Roteiro: Steven Zaillian. Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer.

Fincher mais uma vez conta uma história complexa com maestria.

O filme é um remake do sueco homônimo de dois anos atrás, sendo que ambos foram criados a partir da mesma fonte: o primeiro livro da trilogia escrita por Stieg Larsson que se tornou um best-seller póstumo (Larsson faleceu um ano antes da primeira publicação). Dadas essas condições, me parece que o projeto possui uma missão particularmente difícil: adaptar um livro complexo por conter uma trama cheio de detalhes que se debruça sobre a psique de seus personagens (e são muitos) e sair-se melhor do que o filme original (do contrário, para que fazer de novo?).

Quanto à adaptação, só tenho a dizer que foi uma tortura acompanhar as histórias de O Código da Vinci ou até mesmo Anjos e Demônios, ambos livros de mistério escritos por Dan Brown e que se tornaram filmes de Ron Howard. O problema principal desses filmes é jogar toneladas de informações sem qualquer discernimento e sem imaginar que o espectador poderia precisar voltar algumas “páginas” após alguns acontecimentos lá pelo meio do “livro”. Já o trabalho do roteirista Steve Zaillian em O Homem que Não Amava as Mulheres enriquece a experiência cinematográfica justamente por expor poucos mas convincentes detalhes sobre a relação entre seus personagens, mantendo assim a essência literária (não, não li o livro, mas dei uma olhada na Wikipedia depois).

E se o roteiro é competente, ele brilha nas mãos de David Fincher (Clube da Luta, A Rede Social) e dos seus costumeiros montadores Kirk Baxter e Angus Wall ao evocar rapidamente esses detalhes em cenas que muitas vezes duram menos de 30 segundos (como um determinado roubo), mas que criam pequenas dobras nos detalhes que vamos acumulando durante o filme com efeito duradouro. Para notar isso, basta assistir aos primeiros 10 minutos, que conseguem com perfeição delinear as principais motivações de seus personagens em sequências rápidas e econômicas.

Com isso, temos todas as cartas na manga ao chegarmos na mansão de Henrik Vanger (Christopher Plummer) através de uma evocativa nevasca. Henrik é o presidente do império familiar e contratou o jornalista Mikael Blowkvist (Daniel Craig) para investigar o desaparecimento de sua sobrinha-neta Harriet Vanger ocorrido quatro décadas atrás. E se a introdução sobre a família dos Vanger confunde pela quantidade de nomes e detalhes sobre cada um de seus membros, além da localização das respectivas casas, isso apenas reflete a futura dificuldade de Mikael em juntar todas as peças sobre um fato ocorrido há muito tempo na pequena e cinzenta cidade.

Da mesma forma, o comportamento meio desajeitado e vulnerável de Blowkvist vem apenas criar um contraponto à ágil e objetiva Lisbeth Salander (Rooney Mara), vista por nós como uma mulher forte e determinada, ainda que considerada pela Justiça mentalmente incapaz. A interpretação por Rooney Mara, aliás, costuma roubar cenas até mesmo onde a expressão forte da face de Craig é compartilhada. De fato, sua história se mescla com vários detalhes do desaparecimento de Vanger, mesmo sem soar apelativo. Para uma medida da importância de Lisbeth no filme/livro, basta acompanharmos o que ocorre com a moça em vários momentos icônicos do filme e que amplia o significado da busca pelo suposto assassino de Harriet.

Porém, a história ainda é complexa, e é preciso entender que o filme precisa se alongar o suficiente para explicar o andamento das investigações e as mudanças que ocorrem no relacionamento dos personagens, e para isso temos a quase sempre evocativa trilha sonora, que cria pares de momentos para refletir e agir com uma maestria apenas igualável à fotografia límpida e cristalina de Jeff Cronenweth, mais um fator para não desgrudarmos os olhos da tela. Esses dois fatores aliados à uma história sempre fluida compensam a longa duração.

Até mesmo a conclusão conturbada, por reunir diversos eventos em pouco espaço de tempo, não diminui a expectativa do filme como um todo, pois do momento em que vemos a brilhante introdução musical do início — que pode se tornar um elemento de união para dois outros futuros filmes que venham a fechar a trilogia literária — ao momento em que testemunhamos o desfecho dos personagens principais, não há dúvida que a atmosfera criada por Fincher e os diálogos inspirados de Zaillan (ou Stieg Larsson) conseguirão entreter novamente os espectadores mais exigentes que tentarem uma revisita.

O Artista

February 16, 2012 in Cinema

The Artis. França/Bélgica, 2011. Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius. Elenco: Jean Dujardin, Berenice Bejo e John Goodman.

O cinema mudo está de volta em sua melhor forma: visual.

Logo no início do filme, me senti acompanhando uma digna e merecida reverência ao Cinema Mudo, presente nos primórdios da arte e que acabou durante a década de 30 (mesmo ainda com defensores ferrenhos e influentes, como Chaplin). Porém, mesmo que você não entenda nada de arte cinematográfica vale a pena acompanhar o arco dramático de George Valentin, que vivia seu auge no cinema ainda não-falado (apenas com músicas de fundo, geralmente tocadas ao vivo por uma orquestra), e que subitamente foi afastado pela novidade dos personagens que agora falavam diretamente, e não com a ajuda dos cartões de falas colocados após alguma declaração importante.

De ambas as formas é possível aproveitar o filme, pois ele contém em seu desenvolvimento detalhes de filmagem, direção e produção que, discretos mas ao mesmo tempo reveladores, dão uma ótima noção do que era fazer cinema naquela época (e até atualmente). Ao mesmo tempo, para quem já conhece um pouco mais de todo o processo, vai se divertir com as referências — óbvias e sutis — de várias obras da História do Cinema. Muitas dessas referências, aliás, são tão sutis que revelam sua fonte unicamente pela sua forma visual de contar a história. Dessa forma, é possível respirar um pouco de Cidadão Kane, por exemplo, mas sem apontamentos claros sobre o filme (com exceção da cena da mesa de jantar). Ou acompanhar uma trágica cena que remete diretamente a Cinema Paradiso (note o formato da casa onde isso ocorre), sem constituir plágio, mas uma elegante referência.

Brincando o tempo todo com o Cinema como metalinguagem — como, por exemplo, durante um hilário e angustiante sonho do protagonista — , a direção de Michel Hazanavicius — que também escreve o roteiro, ou melhor dizendo, os cenários e os diálogos — consegue inserir uma história sensível e ao mesmo tempo cômica, brincando com dois dos principais alicerces dessa arte: fazer rir e fazer chorar. E, assim como o Cinema com C maiúsculo, se aproveita do formato de filme mudo para caprichar nas técnicas visuais, tornando o resultado, se não totalmente universal (o maior ataque de Chaplin ao cinema falado) muito próximo disso.

Com uma muitas vezes tediosa peregrinação à decadência de nosso herói, o maior feito do filme é conseguir nos inserir na atmosfera daqueles tempos, cuja evolução visual tenha sido possível justamente pela ausência técnica de diálogos longos. Talvez devamos realmente essa evolução ao cinema mudo. Pelo sim, pelo não, O Artista faz uma homenagem mais do que apropriada ao nascimento de uma arte.