Cine Tênis Verde

September 2, 2013 in Blogging

Senhores que acompanham este espaço cinematográfico:

Devido aos ataques ao domínio e por estar desenvolvendo uma nova forma de expressar minha visão sobre filmes, resolvi retirar as publicações do meu saite original e inserir aos poucos no meu recém-criado Tumblr Cine Tênis Verde. Através dele continuarei publicando os textos, mas além disso, mapas mentais que relacionam aspectos do filme, dando ênfase à intrincada rede de intrigas que uma obra de arte pode ter quando bem feita (ou não).

Nos vemos lá =)

Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar

August 30, 2013 in Home Video

Gake no ue no Ponyo. Japão, 2008. Director: Hayao Miyazaki. Writer: Hayao Miyazaki. Stars: Cate Blanchett, Matt Damon, Liam Neeson (versão em inglês).

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar

Animação do criador de Chihiro emociona mesmo incompleto.

Até uma animação infantil e ingênua como Ponyo, de Hayao Miyazaki, consegue nos fazer pensar em vários temas ao mesmo tempo. Se em um primeiro plano é uma aventura ecológica, onde o desrespeito do homem pelo meio ambiente é colocado em xeque quando Ponyo — um pequeno peixe filho de um pai controlador e sua mãe-natureza — decide se tornar humano e acidentalmente inicia um novo ciclo de crescimento marítimo que pode acabar com a predominância dos homens (nos mares e na Terra), em um segundo plano é um filme sobre aceitarmos o diferente. O respeito aqui faz rima com amor incondicional, onde pode-se até especular que esse amor ao diferente pode vir de qualquer lugar, até de minorias como homossexuais.

Independente de qual interpretação que damos, o trabalho de animação se torna primososo pela obsessão detalhista dos estúdios Ghibli em retratar as forças da natureza de uma maneira humanizada, mas ao mesmo tempo, sobrenatural. As ondas formam desenhos imensos, as montanhas das ilhas da região onde se passa o filme abrem curvas sob o céu. A trilha sonora, inspirada na grandiosidade do próprio tema, emociona a cada novo acorde, acompanhando a aventura de perto (e muitas vezes a ultrapassando).

Não há nada repreensível em Ponyo senão talvez um pouco de falta de cuidado ao desenvolver os personagens secundários e como eles interagem com Ponyo. Se em A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado o sobrenatural está bem situado entre os adultos, aqui há uma definição tão simplista que banaliza um pouco todo esse encantamento com a história do peixe que vira criança. Da mesma forma, o conflito final parece ter sido criado apenas como uma mera formalidade que tenta estender uma narrativa simples com desfecho previsível. Não fosse isso, teríamos mais um trabalho do diretor tão emocionante quanto complexo.

Flores Raras

August 24, 2013 in Cinema

Idem. Brasil, 2013. Director: Bruno Barreto. Writers: Matthew Chapman (screenplay), Julie Sayres (screenplay), Carmen L. Oliveira (romance), Carolina Kotscho (primeiro roteiro). Stars: Glória Pires, Miranda Otto, Tracy Middendorf.

Flores Raras

Drama-romance sensível e sutil, tal qual poesia.

O tema “polêmico” de Flores Raras não existe há muito tempo, e apenas as mentes reduzidas de nossa época, que infelizmente não são poucas, irão enxergar qualquer anomalia no fato da história girar em torno de um triângulo amoroso entre três mulheres: Mary (Tracy Middendorf), a arquiteta Lota (Glória Pires) e a poetisa Elizabeth Bishop (Miranda Otto), todas encapsuladas em tramas tridimensionais. Sensível e inteligente, Bruno Barreto demonstra que a principal anomalia desse relacionamento é o ego controlador e descontrolado de Lota, uma arquiteta que através das influências políticas e dinheiro consegue manter em sua isolada casa no campo a ilusão de um mundo tolerante e tranquilo.

Aliás, Glória Pires mais uma vez se firma como uma das grandes atrizes de nossa época ao encarnar uma personagem que oscila entre o amoroso e o cruel. No entanto, a grande surpresa fica por conta de Miranda Otto, que constrói e realiza um arco admirável em sua Elizabeth Bishop, que parte de um início tímido a um final… bem, não tímido. O resultado é tão satisfatória que sua personagem cria um aspecto inesperadamente sombrio à história.

Iniciando nos anos 50, passando pelo golpe militar brasileiro e avançando os anos com uma sutileza admirável, nos provocando a sensação de passagem no tempo mais pelos aspectos externos (figurino e direção de arte) a psique dos personagens parece se manter quase intacta, como se pouca coisa tenha mudado mesmo que as rugas venham surgindo. Os problemas do longa parecem residir apenas na direção muitas vezes intrusiva de Barreto, que apela para o fantasioso sem qualquer motivo senão “sobredramatizar” (para não dizer “novelizar”). É por isso que, se uma chuva repentina causa surpresas, isso é passageiro, mas se o mesmo efeito se repete nas luzes de um parque ou em tantos outros momentos, podemos duvidar de nossa própria capacidade de entender as entrelinhas ou o filme duvida que aqueles acontecimentos não tenham força própria.

Mesmo assim, é admirável constatar que, baseado em fatos, o hábil roteiro derivado de um romance consegue entregar uma história se não verossímil, degustável através da própria visão literária de sua protagonista. Isso por si só o equipara a Swimming Pool, uma ficção que faz rima inversa ao realismo da obra de Barreto.

Ed Wood

August 22, 2013 in Cinema

Idem. EUA, 1994. Director: Tim Burton. Writers: Rudolph Grey (book), Scott Alexander, Larry Karaszewski. Stars: Johnny Depp, Martin Landau, Sarah Jessica Parker, Patricia Arquette, Jeffrey Jones, Vincent D’Onofrio, Bill Murray, Juliet Landau.

Ed WoodMostra “Ed Wood – o melhor dos piores de todos os tempos”

Talvez o fato do filme sobre Edward D. Wood Jr., o pior diretor de todos os tempos (eleito dois anos após sua morte), ser um dos melhores do diretor Tim Burton, acostumado a flertar com o gênero, seja algo inesperado, mas ainda assim propício para um tema tão metalinguístico. Além de ser a homenagem devida ao diretor trash mais cultuado de sua geração (ou talvez de toda a história do Cinema) o longa de Burton mergulha fundo na atmosfera dos filmes B, onde o fato de ser rodado em P&B ajuda, mas não é só: é fácil entrar nessa dimensão criada pelo diretor a partir de suas duas realidades. O diretor precisa brinca com o gênero e ao mesmo tempo é um narrador onisciente de produções típicas. Isso torna muito difícil não adorá-lo como o filme que representa a esperança dos menos afortunados da indústria do Cinema, mas que nem por isso deixam de ser amantes incondicionais da Sétima Arte.

É com essa devoção “artística” incondicional que conseguimos entender a mente de Ed Wood não como alguém uma pessoa de suas limitações — ele se compara a Orson Welles constantemente, citando o fato de assim como ele ser o produtor/diretor/roteirista/ator de seus filmes — e por isso mesmo tão disposto a entregar sua vida a qualquer chance que o permita produzir os seus filmes de acordo com sua visão. Ed representa como ninguém o ponto de vista de diretores quase sempre medíocres como Michael Bay (Transformers) ou Paul W.S. Anderson (Resident Evil): eles acreditam piamente estarem fazendo filmes bons.

O trunfo do filme é nos fazer concentrar na figura do cineasta como um realizador que através de sua criatividade e amizade com Bela Lugosi conseguiu produzir os filmes que queria. (O fato de Martin Landau viver Bela (aliás, de maneira assustadoramente tocante) também é uma jogada metalinguística de gênio, uma vez que Landau já participou de séries televisivas como Hitchcock Presents e Além da Imaginação, além, é claro, da série Missão Impossível original.)

Ao explorar essa amizade entre os dois cineastas consegue ao mesmo tempo apresentar a figura de Wood como um ser ingênuo de maneira orgânica e até natural, uma naturalidade crucial para que sua força impulsione o filme (além de tocante em vários momentos). Se Martin Landau quase rouba o filme, isso não acontece graças a uma entrega igualmente satisfatória de um Johnny Depp pré-Piratas do Caribe, que não apenas convence o espectador da existência de um ser bizarro como Ed como consegue compreender a proposta de Burton como uma história que se torna mais trágica à medida que acumulamos os seus momentos mais cômicos, invertendo exatamente a proposta original dos filmes de Wood, que visavam o terror/drama e acabaram virando comédias incidentais grotescas.

Porém, não é só com os dois atores que existe essa química. Com a ajuda de um elenco afiadíssimo Burton cria quase uma segunda realidade ao propor que a história de vida do diretor de filmes trash e sua equipe se confundem em uma realidade igualmente trash. Dessa forma, até participações duvidosas (como Sarah Jessica Parker, da série Sex and the City) são usadas a favor da narrativa, e é assim que um ser grotesco com um tom de voz idem (George ‘The Animal’ Steele, que de fato pertence ao mundo da luta livre) consegue se caracterizar como um ator de desempenho eficiente para Wood. Quando questionado se o fato dele quase levar a parede do cenário embora ao tentar atravessar uma porta não iria estragar o take, o diretor responde que prefere deixar assim pelo realismo: “na vida real, ele teria que lidar com esse problema constantemente”.

Aliás, a forma como Burton enfoca a óbvia falta de talento do diretor de maneira sutil (Burton é fã assumido de Wood) é tocante em vários sentidos. Conseguimos observar a propensão a erros do diretor/produtor desde as decisões iniciais do projeto (como ao aceitar qualquer ideia para seu filmes) até a escolha da posição da câmera e dos atores em cenas que obviamente falham em seu objetivo original para o que almejava (e Burton reaproveita as mesmas tomadas utilizando um ângulo que facilite entendermos as reais pretensões do diretor, quase uma releitura de seus fracassos). A forma como ele conduz suas cenas, sem nunca repeti-las e mandá-las direto pra impressão é o sintoma final onde é possível sentir toda a extensão do fracasso de Ed como realizador. No entanto, em vez de humilhar e descaracterizar o personagem como uma figura grotesca por si só, Burton prefere fazer comédia periférica igualmente grotesca (uma panela voando aqui, uma fuga muito doida de uma estreia ali).

Tendo dias para rodar filmes inteiros, a culpa pelos seus fracasos parece não residir apenas em Wood, mas na industria cinematográfica como um todo, e quase o coloca como posição vítima de um negócio lucrativo que coloca a arte em último lugar das suas prioridades (e não é difícil de imaginar que se estivesse vivo hoje ele se mataria com as atrocidades criadas pela tecnologia 3D, embora pudesse criar infinitos filmes com o baixo custo das produções digitais).

A Mostra “Ed Wood” vai até semana que vem (30/08) na Caixa Cultural.

Anima Mundi 2013

August 17, 2013 in Blogging, Cinema

Minha primeira participação no Anima Mundi não poderia ter sido melhor. Assisti à sessão do dia 17/08/2013 no Itaú Cinemas (São Paulo) às 17:00, onde tive o privilégio de ver pedaços inspiradores de talento espalhados pelo mundo. Um deleite para o fã de Cinema e da criatividade humana.

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FREE WHEEL (Roda-Livre). Florian Pichon, Héloïse Papillon, Julien Perez, Lucas Morandi, Jean-baptiste Trullu, Maxime Mege-Ythier / França
Com o uso de um ambiente opressivo com cores marcantes (que me lembro até agora), vivenciamos a transformação de uma faxineira em pleno Hall da Fama, através de uma corrida alucinante. Há momentos artificiais (como os golpes durante a corrida), mas o dinamismo da pista, das cores e da música conseguem impressionar visualmente até o final. 3/5

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EISH OSEH ELOHIM (Deus está Brincando). Boaz Balachsan ; Dima Tretyakov / Israel
Utilizando o depoimento de crianças sobre o que é Deus para elas, os desenhistas imprimem as mudanças radicais nas visões infantis conforme elas vão sendo ouvidas pelo público. É quase um experimento abstrato e tocante, que nos remete à própria infância assim como faz refletir o quanto evoluímos de lá pra cá. 4/5

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ZIMA PRISHLA (O Inverno Chegou). Vassiliy Shlychkov / Rússia
A história da chegada do inverno na Rússia contada de maneira totalmente visual através do uso de construções que se assemelhan a lã (se não for). Uma música tocante, o clima perfeito. Um momento dos mais memoráveis. 5/5

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ORIGAMI. Bailly Desmarchelier; De Melo Bueno; Moreno; Smithies; Turon / França
O aprendizado de um jovem sobre a persistência em uma animação que extrapola a imaginação do que é possível construir com apenas um pedaço de papel. O uso de sombras é fascinante, assim como a movimentação dos objetos envolvidos. 3/5

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REIZWÄESCHE (Calçola). Jelena Walf; Viktor Stickel / Alemanha
Um “intermisso” extremamente criativo, cativante e hilário. 4/5

O CANGACEIRO. Marcos Buccini Pio Ribeiro / Brasil
A lenda de lampião contada através do cordel e animada através do uso de cores que lembram a falta de cores do Nordeste brasileiro. 3/5

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BAOBAB (Baobá). Nicolas Loesner; Anaëlle Moreau; Marina Steck; Simon Taroni; Benjamin Tron / França
Mais uma lenda, dessa vez sobre uma árvore das mais linda. A alegoria é óbvia, mas impressiona positivamente. 3/5

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EL VENDEDOR DE HUMO (O Vendedor de Fumaça). Jaime Maestro / Espanha
Uma comédia, inspirada na Banda de um Homem Só (Pixar), mas que segue outra trajetória. Divertido e empolgante. 4/5

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AB OVO. Anita Kwiatkowska-Naqvi / Polônia
Uma visão extraordinária sobre a gravidez humana. Uma obra de arte em forma de contemplação. Dotada de uma das trilhas mais bonitas, impossível ficar apático diante do milagre da vida. 5/5

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THE GATHERING DUSK (Na Hora do Poente). Amy Brutton, Yann Drevon, Audric Escales, WilliamOhanessian, Raphaël Tillie / França
O realismo absurdo e a introdução de um possível longa que dá vontade de ver. Repare no uso das luzes para caracterizar os personagens e a textura e a cor de suas peles, assim como os detalhes que impressionam e ao mesmo tempo possuem coerência narrativa (como a arara). 4/5

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FIRST SHIFT (Primeiro Turno). Han Sung Gwon / Coreia do Sul
Mais do mesmo em um futuro distópico. Uma luta empolgante e com ótimos ângulos, mas que peca pela perda de sentido em determinado momento. Poderia ser mais, muito mais, do que simplesmente lembrar A Viagem. 3/5

Perfeito

August 15, 2013 in Home Video

Aproveitando o Dia dos Solteiros, um curta de Mauricio Bartok transcende a questão do par perfeito usando como base um boneco de madeira. O uso do som para pontuar momentos importantes na construção desse “relacionamento” é o ponto forte, enquanto a câmera escolhida consegue impregnar o trabalho de um dinamismo que nos deixa grudados à espera da resolução.

Dica da DJex.

O Passado me Condena

August 10, 2013 in Home Video

Victim. EUA, 2010. Directors: Matt Eskandari, Michael A. Pierce. Writers: Michael Hultquist, Robert Martinez. Stars: Stephen Weigand, Bob Bancroft, Brendan Kelly.

Meu Passado me Condena

Thriller fantástico levanta questões relevantes de maneira quase que inocente.

Adoro filmes que me surpreendem. Melhor ainda quando eles começam não prometendo quase nada. É o caso desse “Meu Passado me Condena” (Victim no original), que inicia como um thriller nada original, caminha por estradas tortuosas do gênero para finalmente se definir no terceiro ato com seu momento glorioso que nos faz voltar desde o começo e entender que nada do que parecia era exatamente como se supunha.

Iniciando com um vídeo caseiro — supostamente do assassino de uma bela garota vinda do Kansas (Jennifer Howie) — que parece ter relação com o sequestro e tortura psicológica de um rapaz bem apessoado que encontramos em um bar e cujo nome não sabemos (Stephen Weigand), acompanhamos seu sofrimento nas mãos do aterrorizante Dr. Rudolph Volk (Bob Bancroft), que tem uma voz inquietante, frases desconexas com a realidade e fala pausadamente para sua vítima, causando um mal estar pior do que já está. Tendo a ajuda de seu capanga igualmente enigmático e ainda dotado de músculos que é chamado pelo Doutor como simplesmente Sr. George (Brendan Kelly), entendemos a fuga ser algo no mínimo bem complicado, ainda mais ao acompanharmos os períodos em que o deixam debilitado através da falta de comida e por queimarem todos seus dedos de uma vez (o que mais uma vez reforça a nossa falta de identificação com o rapaz).

O fato de nunca conhecermos de fato quem são essas pessoas nem suas motivações é o que torna tudo mais aterrorizante. O estilo dos diretores Matt Eskandari e Michael A. Pierce de tornar a experiência mais “thrileresca” do que deveria diminui o filme, mas não o sabota. Se torna talvez apenas mais um traço que incomoda e ao mesmo tempo despista para o aburdo desenrolar e a arrebatadora conclusão que o coloca na mesma intensidade que seu filme gêmeo, que não devo citar aqui para evitar uma dupla surpresa para quem já o tiver visto. No entanto, quem o viu/verá com certeza sabe do que estou falando.

Dotado de uma conclusão que é capaz de nos fazer passar mal tanto pelos acontecimentos quanto pelo que eles significam metaforicamente, Victim é capaz de nos deixar pensando por horas após ter terminado, tentando colar as peças umas nas outras inultilmente. Um exercício de destreza narrativa que raramente gera aquela sensação de que gostaríamos ainda mais do resultado se pudéssemos conhecer mais sobre seus personagens. No entanto, talvez seja assim que as coisas devam permanecer. É melhor não fazer muitas perguntas e estragar todas as surpresas e mistérios que o curtíssimo longa já nos oferece.

Círculo de Fogo

August 9, 2013 in Cinema

Pacific Rim. EUA, 2013. Director: Guillermo del Toro. Writers: Travis Beacham (screenplay), Guillermo del Toro (screenplay), Travis Beacham (story). Stars: Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi.

Círculo de Fogo

Monstros e robôs gigantes homenageiam o poder da imaginação.

Ao contrário de Homem de Aço, que apesar de voar se esforça em manter seus dois pés no chão da realidade, Círculo de Fogo parece navegar por outras águas, sempre disposto a impulsionar sua fantasia em direção daquele mundinho que habita nossa mente de criança (espero que você ainda a tenha) em busca de desafios cada vez maiores para nossos gigantes heróis.

Inspirado diretamente das séries japonesas de Eras atrás (estou olhando para vocês, Jaspion / Changeman / Spectroman) a narração introdutória explica como monstros que surgiram do Oceano Pacífico através de uma espécie de portal para outra dimensão/universo impulsionaram as nações a construir o sonho de consumo de qualquer jovem: um robô gigante para esmagar as criaturas dos mares. Embora condicionado no conhecido formato americano de fazer Cinema (que obriga os heróis a terem dramas e fantasmas pessoais do seu passado para resolver), a boa notícia é que a alma oriental permanece, pelo menos nos momentos mais icônicos, o que faz a película vibrar em momentos pontuais, mas em quantidade suficiente para segurar a tensão.

Eu diria até mais: impulsionado pela música que cria um tema fácil de saborear pelas mentes mais simples, Círculo de Fogo gera momentos de fazer vibrar pela sua reimaginaçao em um CGI estupidamente bem elaborado. Em seu momento mais inspirado (envolvendo uma certa cena aérea e um desfecho inesperado) é capaz de arrancar aplausos que surgem da platéia quase que naturalmente.

O uso do 3D, embora com propensão a dores de cabeça nas cenas movimentadas, é inteligente em sua concepção: como quase todas as cenas de luta ocorrem na água e/ou sob pesada chuva as inúmeras gotículas em suspensão criam a sensação de profundidade todo o tempo. Do lado de dentro dos robôs, painéis suspensos no ar também nos ajudam nessa imersão. Outros dois indícios confirmam as boas intenções do diretor para com a tecnologia: a profundidade quando “observamos a mente” dos pilotos durante sua conexão com a máquina e algumas cenas que colocam pessoas à frente e monstros no fundo, em uma óbvia brincadeira com as séries originais, que constantemente faziam colagens nesse estilo usando a velha técnica de projeção ao fundo; aqui, a projeção é em 3D.

Mas nem tudo são robôs, e os cientistas engraçadinhos se saem bem mais ou menos, ainda que façam parte da tal homenagem. Também não é razoável dizer que a história pessoal dos personagens, assim como os próprios personagens, exercem qualquer tipo de influência positiva ou negativa no resultado final.

No fundo o que importa mesmo são as lutas corpo a corpo (ou lata). As máquinas criadas pelo homem são estupidamente grandes e fortes, mas seus movimentos gigantescos são coreografados de forma lenta, dando a sensação de fragilidade em frente aos monstros, que parecem dotados de uma rapidez natural e orgânica. O resultado na maioria das vezes é que, mesmo com cenas memoráveis de ação, é fácil se confundir (e não é pra menos: na chuva, no escuro, envolto por criaturas mais escuras ainda).

RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos

August 3, 2013 in Cinema

Red 2. EUA/França/Canadá, 2013. Director: Dean Parisot. Writers: Jon Hoeber, Erich Hoeber. Stars: Bruce Willis, John Malkovich, Helen Mirren.

RED 2 - Aposentados e Ainda Mais Perigosos

Continuação dos velhinhos espiões é mais do mesmo (um pouco menos).

Parte divertido e parte esquecível, engraçadinho pelo fato dos seus personagens serem idosos que ainda estão na ativa em sua vida de espiões e assassinos profissionais, RED faz parte desse revival de filmes com atores dos anos 80/90 que acabou se saindo razoavelmente bem e “garantiu” uma continuação. Assim é que nasce RED 2, que esquece completamente da sua premissa de contar uma história de espiões com velhinhos (o fato da idade avançada dos heróis é irrevelante aqui) e tenta se tornar interessante complicando sua história em torno de uma trama bobinha e sem imaginação.

É dessa forma que as maiores virtudes do filme acabam sendo as caretas de John Malkovich e uma ou outra cena de ação, que pelo menos são orquestradas de maneira infinitamente melhor do que o sofrível Duro de Matar 5 (que, aliás, também abandona a premissa da série). Se a coerência é uma virtude, podemos dizer que RED 2 faz jus ao original, se tornando igualmente esquecível a partir do momento que saímos da sala de projeção.

O Morto Vivo

August 2, 2013 in Home Video

The Revenant. EUA, 2009. Director: D. Kerry Prior. Writer: D. Kerry Prior. Stars: David Anders, Chris Wylde, Louise Griffiths.

O Morto Vivo

Drama realista embutido em comédia absurda.

Especialista em efeitos visuais (Força Aérea Um, O Segredo do Abismo), D. Kerry Prior realiza seu segundo longa com uma mescla de realismo com comédia, um pouco de drama e eventualmente um romance, além de comprovar mais uma vez sua proficiência em criar o impossível. Trata alguns desses temas de maneira admirável (o que aconteceria no mundo real se um morto voltasse à vida?) e outros escapam ao seu controle (a comédia absurda que banaliza a morte). Na média, O Morto Vivo é o entretenimento que chama a atenção pela forma original que aborda a questão dessas criaturas que existem em filmes mais fantasiosos, mas que parece nunca conseguir fugir do estereótipo de “filme de zumbi/vampiro/etc”.