Quando usamos o operador typeid geralmente desejamos conhecer informações sobre o tipo exato do objeto que temos em mãos, independente da hierarquia de herança a qual seu tipo pertença. Só que por ignorar, assim como o sizeof, que esse operador possui duas caras, às vezes damos com os burros n'água e compramos gato por lebre. Não é pra menos. Uma sutil diferença entre classes polimórficas e estáticas pode dar aquele susto que só C++ pode proporcionar.
Eis um exemplo singelo, sem dramatização (com dramatização == "500 linhas de código de produção além do código abaixo").
#include <iostream> #include <typeinfo> using namespace std; class Base { public: Base() { cout << "Base()\n"; m_x = 0; } ~Base() { cout << "~Base()\n"; } int m_x; }; // como Base não é polimórfica (como vamos ver), Deriv paga o pato class Deriv : public Base { public: Deriv() { cout << "Deriv()\n"; m_x = 1; m_y = 0; } virtual ~Deriv() // ela é polimórfica { cout << "~Deriv()\n"; } int m_y; }; void func(Base* b) // eu não sei que é uma derivada { cout << typeid(*b).name() << '\n'; // e nem o typeid número 1 } int main() { Base* b = new Deriv(); // o ponteiro é pra base, mas a instância é de derivada func(b); }
----- Saída: Base() Deriv() class Base
O typeid usado nesse exemplo será o estático, no estilo typeid(type), porque o tipo do objeto para a função é de "ponteiro para objeto de classe não-polimórfica", ou seja, sem nenhuma função virtual. É importante lembrar que o polimorfismo em C++ só é aplicado se houver razão para tal, pois na linguagem a regra é que "não existe sobrecarga de execução sem que o programador queira".
Se o esperado pelo programador fosse um class Deriv na última linha da saída, ou seja, que o typeid utilizado fosse a versão dinâmica, então a nossa classe Base tem que ser polimórfica:
virtual ~Base() // agora sou polimórfica também! { cout << "~Base()\n"; }
----- Saída: Base() Deriv() class Deriv ; como desejava o programador polimórfico
Esse é um erro equivalente ao chamar o operador delete usando o ponteiro recebido em func. Se isso fosse feito, seria chamado apenas o destrutor da classe Base. Por falar nisso, temos nesse exemplo um leak de memória (percebeu pela saída que os destrutores não são chamados?). Mas esse é um erro bem menos sutil que o visto pelo nosso amigo typeid amigo-da-onça ;).





June 30th, 2008 at 1:02 am
[...] Apenas se lembre de ter de fato uma classe polimórfica (eu consegui isso tornando MyMethod uma função virtual). Do contrário você pode ter problemas. [...]
December 7th, 2008 at 4:00 pm
Legal, muito interessante !!!