Após mais de um ano de tentativas, finalmente consegui instalar e iniciar com sucesso o Borland Developer Studio. Esse foi o nome pomposo dado pela Borland para a "continuação" do velho C++ Builder e seus parentes, o Delphi e o C# Builder.
Existem muitas coisas novas ainda para ver, mas não é a usabilidade. Assim como a IDE antiga, é fácil de sair mexendo e fazendo janelas, no bom estilo WYSIWYG dos produtos da Borland.
Breve relato histórico do C++ Builder
Para quem começa a desenvolver aplicativos com interface para Windows, deve saber que uma das coisas mais produtivas que já inventaram foi o Visual Basic. De fato, o VB permite que virtualmente qualquer pessoa com conhecimentos mínimos de informática torne-se um gabaritado programador de telinhas.
Porém, com o tempo você percebe que cada ferramenta tem suas vantagens e desvantagens. Uma desvantagem do VB era a falta de flexibilidade. Outra era que a linguagem usada não favorecia muito aqueles que se aventuravam chamando a Win32 API diretamente dos seus programas. Era possível, sim, mas enfadonho e nem sempre as coisas funcionavam como o esperado.
Para as pessoas que chegam nesse nível de necessidade, existem basicamente duas escolhas:
- Permanecer no mundo Microsoft e usar MFC + Win32 API, passando a programar na linguagem em que foi feito o Windows (C/C++).
- Tentar usar o Delphi, a evolução do Turbo Pascal para Windows, da Borland, que pode ser considerado mais flexível que o VB, mas ainda assim usa uma linguagem alienígena (no sentido de que ainda não é a linguagem nativa do SO).
- Mudar de sistema operacional e esquecer esse negócio de loop de mensagens (eu disse duas escolhas, certo?)
Bom, eis que surge o C++ Builder: uma ferramenta idêntica ao Delphi, contudo que oferece a linguagem C++ para que todas aquelas pessoas recém-saídas da faculdade e ansiosas por entrar no mercado de trabalho esqueçam aquele papo de Pascal e passem a usar a linguagem da indústria. Pelo jeito, era mais ou menos essa a visão da Borland quando lançaram o produto.
Desde o princípio, o C++ Builder foi lançado em revistas de informática em versões para estudantes, o que estimulava as pessoas financeiramente menos capacitadas (estudantes, como eu) a cada vez mais utilizar essa ferramenta de programação para desenvolver aplicativos Windows, já que, além de não ser pago como o Visual Basic e o Visual C++, não era nem tão limitado quando o primeiro nem tão complicado quanto o segundo. E estava sempre entre os programas completos para serem testados na revista que acabou de chegar na banca. Nossa, como era divertido programar por prazer!
O mais impressionante no Builder era que desde o começo, na versão 1, já tínhamos aquela palheta maravilhosa cheio de todos os controles que já faziam parte do Windows 95. Tudo isso por causa de uma estratégia simples e eficaz: os componentes são os mesmos do Delphi. O que o C++ Builder adicionou foi uma camada de interface para que C++ e Object Pascal conversassem. O resultado disso é espantoso: é possível programar em C++ puro, chamar APIs diretamente, e ainda usar os componentes em Delphi, além de também poder desenvolver em Delphi e mesclar ambas as linguagens em um projeto. É possível até usar herança entre componentes escritos em Delphi e C++ Builder.
Quando entrei na Scua comecei a trabalhar profissionalmente com o C++ Builder, ao desenvolver o aplicativo de administração do software de controle de acesso. Na época não tínhamos muito tempo para perder desenvolvendo tudo em Win32 API ou usar algo mais rústico como a MFC, que é mais parecido com a finada biblioteca OWL do que com a VCL (a biblioteca visual de componentes usada pela Borland para Delphi e Builder). E não, usar Visual Basic não era uma alternativa. Como a produtividade estava em jogo, hoje tenho certeza que fizemos uma boa escolha.
Guia supersimples de instalação do Turbo Explorer em i passos
Eu gostava do C++ Builder antigo: sem frescura de registrar componentes e sem necessidade de instalação. Até hoje uso a versão 1.0 para brincar de vez em quando, pois é relativamente pequena; apenas copio para uma pasta e ainda funciona muito bem.
Mas desde que o mundo gerenciado veio à tona, para instalar esse singelo produto da Borland você vai precisar de alguns pré-requisitos da Microsoft:
- Microsoft .NET Framework SDK 1.1
- Visual J# .NET Redistributable Package 1.1
- Microsoft XML 4.0 SP2 Parser and SDK
Se for necessária mais alguma instalação, não se preocupe: o Borland Turbo C++ Instalation Wizard irá te avisar no momento da instalação, que deverá ser a última a ser realizada.
Após tudo isso instalado, finalmente conseguiremos rodar nossa ferramenta RAD. Aliás, antes que eu me esqueça, RAD é uma abreviação para Rapid Application Development.
Clique e arraste
Se você nunca usou essa ferramenta, ao abrir o ambiente, irá se deparar com vários elementos que precisam ser nomeados e explicados para fazer algum sentido. Mesmo que muitas coisas sejam novas, algumas devem estar sempre gravadas em sua memória:
Object Inspector
Sempre que você clicar em algum componente gráfico para ser editado - como uma janela, um botão, uma lista - o Object Inspector será o lugar para editá-lo. Ele está dividido em propriedades e eventos. Propriedades são as características gráficas e comportamentais do componente que está sendo editado. Eventos especificam métodos para tratar as ações recebidas de algum componente (ex: clique de um botão).
Tool Palette (Palheta de Ferramentas)
A palheta é onde estão todos os componentes que podem ser usados no momento para a edição do programa. Existe uma infinidade deles, tais como: botões, menus, caixas de seleção, listas de itens, barras de rolagem, listas de ações, imagens, rótulos, grupos de botões, e assim vai a valsa. Para usá-los, basta arrastar para uma janela e editar suas propriedades.
Project Manager (Gerenciador de Projetos)
Onde estão todos os meus arquivos? O Gerenciador de Projetos está aí para ajudá-lo. Todas as units (unidades de código) e forms (janelas) que você criar no projeto estará visível para fácil acesso. É muito importante saber organizar um projeto, pois conforme se avança, ele tende a se tornar maior e mais complexo. Junto do Gerenciador de Projetos existe o seu ajudante, o Structure. Na visão de design, o Structure irá mostrar os controles inseridos nas janelas; na visão de unit, o Structure irá mostrar os includes, macros, classes e funções do código-fonte exibido no momento.
Nosso primeiro projeto
Considerando que o Bloco de Notas é minha vítima preferida para testes (e a vítima preferida de outros, também), nada melhor que nosso projeto seja um Bloco de Notas simplificado, que leia, exiba e salve arquivo-texto. Para esse projeto iremos utilizar apenas 5 componentes e cerca de 10 linhas de código:
- 2 botões (abrir e salvar arquivo),
- 1 memo (para exibir o arquivo aberto),
- 2 caixas de diálogo comum (abrir e salvar arquivo).
A implementação da versão alfa está disponível para visualização em cerca de 5MB de vídeo, além dos fontes do projeto. Bom divertimento!








September 27th, 2007 at 8:39 am
Salve Caloni!
Acho que faltou você explicar o que são as várias versões disponíveis na página da CodeGear. Me corrija se estiver errado:
1) o Developer Studio (que na versão 2006 passou a chamar RAD Studio) é o pacote completo que inclui o Delphi e o C++ (algo equivalente ao Visual Studio da MicroSoft)
2) o C++ Builder é o ambiente para desenvolvimento somente em C++
3) o C++ Compiler 5.5 é uma versão antiga e gratuita do compilador para uso por linha de comando (sem IDE)
4) o Turbo C++ Explorer é uma versão gratuita ligeiramente desatualizada e com algumas restrições (algo equivalente à versões Express da Microsoft). Aliás, eu cheguei a mencionar o lançamento num post (http://dqsoft.blogspot.com/2006/09/turbo-explorer.html), advinha quem deixou um comentário?
September 27th, 2007 at 12:34 pm
Olá, DQ!
Você está corretíssimo. De fato, o que eu instalei foi o Turbo C++ Explorer, muito embora o seu nome no menu apareça como Borland Developer Studio, daí a confusão. Na época, a Borland havia dividido as versões Explorer, de maneira que os usuários pudessem apenas instalar apenas uma versão na máquina: C++, C# ou Delphi. Ah, sim, e o esquecido JBuilder.
No entanto, não encontrei para baixar uma versão completa do RAD Studio. Quer dizer, completa encontrei, mas na forma de trial. Existiria uma versão completa, baixável e "impagável" com ambas as linguagens?
September 28th, 2007 at 3:45 pm
Aparentemente não tem como colocar "de grátis" (ou "impagável") o Delphi e o C++ na mesma máquina, já que as versões Explorer não convivem entre si.
O que eu acho mais chato é que os produtos da Borland são hoje produtos "high-end". Olhando na lojinha deles (http://www.borland-by-spk.com.br/) o RAD Studio Enterprise (versão intermediária entre a Professional e Architect) sai por R$7.500,00 e o Delphi for Win32 Enterprise está em "oferta" por R$4.800,00.
Bons tempos em que Borland era sinônimo de qualidade e preço baixo.
December 12th, 2007 at 9:45 am
[...] (acho que você conhece o Object Inspector, não? Bom, se não conhece, talvez isso mereça um artigo à parte) do TForm1 insira o seguinte [...]
February 13th, 2008 at 12:01 pm
ops!
Muito interessante esse artigo.
vou fazer um teste aqui confesso que soh aficionado por java.
mas tenho negocios a tratar nessa area tbem..
abraçao vleu
June 12th, 2008 at 1:49 am
Olá, tutorial muito bom e quem sabe tento mexer com o Borland C++.
Abraços
June 12th, 2008 at 8:12 am
É uma ótima alternativa se você precisa de uma interface rápida e bonita. Atualmente a versão gratuita está bem desenvolvida.
[]s