Hoje foi um belo dia para engenharia reversa e análise de proteções. Dois ótimos programas vieram ao meu conhecimento: um monitor de chamadas de API e um monitor de chamadas de COM (complementando o primeiro, que não monitora funções depois que CoCreateInstance foi chamado). Além de que no sítio do primeiro programa - de algum entusiasta do bom e velho Assembly Win32, diga-se de passagem - encontrei o código-fonte para mais uma técnica antidebugging, o que nos leva de volta para a já consagrada série de técnicas antidepuração.
Atachar que é bom, nada
O objetivo dessa proteção é detectar se, após o executável ter sido iniciado, algum depurador metido a besta tentou atachar-se no processo criado, ou seja, tentou iniciar o processo de depuração após o aplicativo já ter iniciada a execução. Isso é possível - de certa forma trivial - na maioria dos depuradores (se não todos), como o Visual Studio e o WinDbg. Diferente da técnica de ocupar a DebugPort, que impede a ação de attach, a proteção nesse caso não protege diretamente; apenas permite que o processo saiba do suposto ataque antes de entregar o controle ao processo depurador.
O código que eu encontrei nada mais faz do que se aproveitar de uma peculiaridade do processo de attach: ao disparar o evento, a função ntdll!DbgUiRemoteBreakin é chamada. Ora, se é chamada, é lá que devemos estar, certo? E isso, como vemos abaixo, é relativamente fácil:
#include <windows.h> #include <iostream> #include <assert.h> using namespace std; /** This function is triggered when a debugger try to attach into our process. */ void AntiAttachAbort() { // this is a test application, remember? MessageBox(NULL, "Espertinho, hein?", "AntiAttachDetector", MB_OK | MB_ICONERROR); // this is the end TerminateProcess(GetCurrentProcess(), -1); } /** This function installs a trigger that is activated when a debugger try to attach. @see AntiAttachAbort. */ void InstallAntiAttach() { PVOID attachBreak = GetProcAddress( GetModuleHandle("ntdll"), // this dll is ALWAYS loaded "DbgUiRemoteBreakin"); // this function is ALWAYS called on the attach event assert(attachBreak); // attachBreak NEVER can be null // opcodes to run a jump to the function AntiAttachAbort BYTE jmpToAntiAttachAbort[] = { 0xB8, 0xCC, 0xCC, 0xCC, 0xCC, // mov eax, 0xCCCCCCCC 0xFF, 0xE0 }; // jmp eax // we change 0xCCCCCCCC using a more useful address *reinterpret_cast<PVOID*>(&jmpToAntiAttachAbort[1]) = AntiAttachAbort; DWORD oldProtect = 0; if( VirtualProtect(attachBreak, sizeof(jmpToAntiAttachAbort), PAGE_EXECUTE_READWRITE, &oldProtect) ) { // if we can change the code page protection we put a jump to our code CopyMemory(attachBreak, jmpToAntiAttachAbort, sizeof(jmpToAntiAttachAbort)); // restore old protection VirtualProtect(attachBreak, sizeof(jmpToAntiAttachAbort), oldProtect, &oldProtect); } } /** In the beginning, God said: 'int main!' */ int main() { InstallAntiAttach(); cout << "Try to attach, if you can..."; cin.get(); }
Para compilar o código acima, basta chamar o compilador seguido do ligador. Obs.: precisamos da user32.lib para chamar a função API MessageBox:
cl /c antiattach.cpp link antiattach.obj user32.lib
antiattach.exe Try to attach, if you can...
Após o programa ter sido executado, qualquer tentativa de attach irá exibir nossa mensagem de detecção, seguida pelo capotamento do programa.
windbg -pn antiattach.exe
Idiossincrasias do código
Sim, eu sei. Às vezes temos que apelar pra "ignorância" e fazer códigos obscuros como esse:
// opcodes to run a jump to the function AntiAttachAbort BYTE jmpToAntiAttachAbort[] = { 0xB8, 0xCC, 0xCC, 0xCC, 0xCC, // mov eax, 0xCCCCCCCC 0xFF, 0xE0 }; // jmp eax // we change 0xCCCCCCCC using a more useful address *reinterpret_cast<PVOID*>(&jmpToAntiAttachAbort[1]) = AntiAttachAbort;
Existem inúmeras maneiras de fazer a mesma coisa. O exemplo acima é o que é chamado comumente nas rodinhas de crackers de shellcode, que é um nome bonitinho para "array de bytes que na verdade é um assembly de um código que faz coisas interessantes". Shellcode for short =).
Maneiras alternativas de fazer isso são:
- Declarar uma função naked no Visual Studio, criar uma função vazia logo após e fazer continha de mais e menos para chegar ao tamanho que deve ser copiado.
- Criar uma estrutura cujos membros são opcodes disfarçados. Dessa forma é possível no construtor dessa estrutura preencher os valores corretamente e usá-la como uma "função móvel".
Ambas possuem prós e contras. Os contras estão relacionados com a dependência do ambiente. Na primeira alternativa é necessário configurar o projeto para desabilitar o "Edit and Continue", enquanto no segundo é necessário alinhar a estrutura em 1 byte.
Seja qual for a solução escolhida, ao menos temos a vantagem do impacto no sistema de nosso aplicativo ser praticamente nulo, pois isolamos em duas funções - AntiAttachAbort e InstallAntiAttach - um hook de uma API local (do próprio processo) que supostamente nunca deveria ser chamada em um binário de produção. Além do mais, existem maneiras mais a la C++ de fazer coisas como "live assembly". Mas isso já é matéria para futuros e excitantes artigos =D.




