Antidebug: detectando attach

Data: 2007-09-10
Categorias: Engenharia Reversa, Código

Hoje foi um belo dia para engenharia reversa e análise de proteções. Dois ótimos programas vieram ao meu conhecimento: um monitor de chamadas de API e um monitor de chamadas de COM (complementando o primeiro, que não monitora funções depois que CoCreateInstance foi chamado). Além de que no sítio do primeiro programa - de algum entusiasta do bom e velho Assembly Win32, diga-se de passagem - encontrei o código-fonte para mais uma técnica antidebugging, o que nos leva de volta para a já consagrada série de técnicas antidepuração.

Atachar que é bom, nada

O objetivo dessa proteção é detectar se, após o executável ter sido iniciado, algum depurador metido a besta tentou atachar-se no processo criado, ou seja, tentou iniciar o processo de depuração após o aplicativo já ter iniciada a execução. Isso é possível - de certa forma trivial - na maioria dos depuradores (se não todos), como o Visual Studio e o WinDbg. Diferente da técnica de ocupar a DebugPort, que impede a ação de attach, a proteção nesse caso não protege diretamente; apenas permite que o processo saiba do suposto ataque antes de entregar o controle ao processo depurador.

O código que eu encontrei nada mais faz do que se aproveitar de uma peculiaridade do processo de attach: ao disparar o evento, a função ntdll!DbgUiRemoteBreakin é chamada. Ora, se é chamada, é lá que devemos estar, certo? E isso, como vemos abaixo, é relativamente fácil:

#include <windows.h>
#include <iostream>
#include <assert.h>
 
using namespace std;
 
 
/** This function is triggered when a debugger try to attach into our process.
*/
void AntiAttachAbort()
{
	// this is a test application, remember?
	MessageBox(NULL, "Espertinho, hein?", "AntiAttachDetector", MB_OK | MB_ICONERROR);
 
	// this is the end
	TerminateProcess(GetCurrentProcess(), -1);
}
 
 
/** This function installs  a trigger that is activated when a debugger try to attach.
@see AntiAttachAbort.
*/
void InstallAntiAttach()
{
	PVOID attachBreak = GetProcAddress(
		GetModuleHandle("ntdll"), // this dll is ALWAYS loaded
		"DbgUiRemoteBreakin"); // this function is ALWAYS called on the attach event
 
	assert(attachBreak); // attachBreak NEVER can be null
 
	// opcodes to run a jump to the function AntiAttachAbort
	BYTE jmpToAntiAttachAbort[] =
	{ 0xB8, 0xCC, 0xCC, 0xCC, 0xCC,   // mov eax, 0xCCCCCCCC
	0xFF, 0xE0 };                     // jmp eax
 
	// we change 0xCCCCCCCC using a more useful address
	*reinterpret_cast<PVOID*>(&jmpToAntiAttachAbort[1]) = AntiAttachAbort;
 
	DWORD oldProtect = 0;
 
	if( VirtualProtect(attachBreak, sizeof(jmpToAntiAttachAbort), 
		PAGE_EXECUTE_READWRITE, &oldProtect) )
	{
		// if we can change the code page protection we put a jump to our code
		CopyMemory(attachBreak, 
			jmpToAntiAttachAbort, sizeof(jmpToAntiAttachAbort));
 
		// restore old protection
		VirtualProtect(attachBreak, sizeof(jmpToAntiAttachAbort), 
			oldProtect, &oldProtect);
	}
}
 
 
/** In the beginning, God said: 'int main!'
*/
int main()
{
	InstallAntiAttach();
	cout << "Try to attach, if you can...";
	cin.get();
}

Para compilar o código acima, basta chamar o compilador seguido do ligador. Obs.: precisamos da user32.lib para chamar a função API MessageBox:

cl /c antiattach.cpp
link antiattach.obj user32.lib
antiattach.exe
Try to attach, if you can...

Após o programa ter sido executado, qualquer tentativa de attach irá exibir nossa mensagem de detecção, seguida pelo capotamento do programa.

windbg -pn antiattach.exe
Detecção de attach

Idiossincrasias do código

Sim, eu sei. Às vezes temos que apelar pra "ignorância" e fazer códigos obscuros como esse:

// opcodes to run a jump to the function AntiAttachAbort
BYTE jmpToAntiAttachAbort[] =
{ 0xB8, 0xCC, 0xCC, 0xCC, 0xCC,   // mov eax, 0xCCCCCCCC
0xFF, 0xE0 };                     // jmp eax
 
// we change 0xCCCCCCCC using a more useful address
*reinterpret_cast<PVOID*>(&jmpToAntiAttachAbort[1]) = AntiAttachAbort;

Existem inúmeras maneiras de fazer a mesma coisa. O exemplo acima é o que é chamado comumente nas rodinhas de crackers de shellcode, que é um nome bonitinho para "array de bytes que na verdade é um assembly de um código que faz coisas interessantes". Shellcode for short =).

Maneiras alternativas de fazer isso são:

  1. Declarar uma função naked no Visual Studio, criar uma função vazia logo após e fazer continha de mais e menos para chegar ao tamanho que deve ser copiado.
  2. Criar uma estrutura cujos membros são opcodes disfarçados. Dessa forma é possível no construtor dessa estrutura preencher os valores corretamente e usá-la como uma "função móvel".

Ambas possuem prós e contras. Os contras estão relacionados com a dependência do ambiente. Na primeira alternativa é necessário configurar o projeto para desabilitar o "Edit and Continue", enquanto no segundo é necessário alinhar a estrutura em 1 byte.

Seja qual for a solução escolhida, ao menos temos a vantagem do impacto no sistema de nosso aplicativo ser praticamente nulo, pois isolamos em duas funções - AntiAttachAbort e InstallAntiAttach - um hook de uma API local (do próprio processo) que supostamente nunca deveria ser chamada em um binário de produção. Além do mais, existem maneiras mais a la C++ de fazer coisas como "live assembly". Mas isso já é matéria para futuros e excitantes artigos =D.

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